Questão de Biologia — Ecologia e ciências ambientais — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce205811
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- INSA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Pesquisador Adjunto I - Área de Atuação: Solos e Mineralogia
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: CERTO. A afirmativa está correta: a lignina é um biopolímero recalcitrante formado por subunidades aromáticas de fenilpropano, e sua degradação no solo é mediada por enzimas oxidativas como lacases e peroxidases, produzidas principalmente por fungos da decomposição. Essa é uma caracterização fiel da estrutura química e da via enzimática de degradação da lignina.
A lignina é um dos componentes mais resistentes da parede celular vegetal, sendo um polifenol complexo e heterogêneo, sintetizado a partir de álcoois fenilpropanoides (álcool coniferílico, sinapílico e p-cumárico). Essa estrutura confere rigidez e impermeabilidade aos tecidos vegetais, mas também torna a lignina um dos polímeros naturais mais difíceis de serem degradados — daí o termo "recalcitrante".
A decomposição da lignina é um processo majoritariamente oxidativo, realizado por fungos de podridão branca (Basidiomycota), que secretam enzimas ligninolíticas extracelulares. As principais são as lacases (oxidases de cobre) e as peroxidases (como a lignina peroxidase e a manganês peroxidase), que geram radicais livres capazes de quebrar as ligações da estrutura aromática. Esse processo é mais lento que a degradação de celulose e hemicelulose, e ocorre principalmente nas fases intermediária e final da decomposição da serrapilheira.
A banca explora o conhecimento de bioquímica e ecologia microbiana: é preciso reconhecer tanto a composição química da lignina quanto as enzimas envolvidas em sua degradação. A afirmativa une esses dois pontos de forma correta.
A afirmativa está correta por dois motivos:
Composição química: a lignina é um biopolímero aromático, formado por unidades de fenilpropano (derivadas de álcoois fenilpropanoides). Essa é a definição clássica da estrutura da lignina.
Degradação enzimática: a lignina é decomposta por enzimas oxidativas extracelulares, principalmente lacases e peroxidases (lignina peroxidase, manganês peroxidase). Essas enzimas são produzidas por fungos decompositores, especialmente os de podridão branca, e atuam gerando radicais que oxidam a estrutura aromática.
O contexto de apoio confirma que a lignina é decomposta na fase intermediária e final da decomposição, com atividade de enzimas ligninolíticas como a lacase, e que fungos Basidiomycota são capazes de degradar lignina. Portanto, a afirmativa está em conformidade com o conhecimento ecológico e bioquímico.
Para questões sobre decomposição, lembre-se da ordem de degradação dos componentes da serrapilheira: primeiro pectinas e hemiceluloses (fase inicial), depois celulose (fase intermediária) e, por fim, lignina (fase intermediária/final). A lignina é a mais recalcitrante, e sua degradação depende de enzimas oxidativas específicas — lacases e peroxidases. Associe: lignina → aromática → lacase/peroxidase.
Gabarito: CERTO.
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