Questão de Biologia — Identidade dos seres vivos — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce205873
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- INSA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Tecnologista Pleno 2 - Área de Atuação: Biodiversidade
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
❌ ERRADO. A produção de biocombustíveis em larga escala a partir de plantas da caatinga não é, por si só, uma alternativa sustentável de redução de emissões de gases de efeito estufa e de promoção do desenvolvimento econômico da região. A afirmativa generaliza e ignora os impactos socioambientais e as limitações ecológicas do bioma, como a baixa produtividade de biomassa, a competição com a segurança alimentar e os riscos de degradação da biodiversidade.
A questão cobra a avaliação crítica de uma proposta de uso de recursos naturais em um bioma específico. O conceito de sustentabilidade envolve três pilares — ambiental, social e econômico — que precisam estar equilibrados. A produção de biocombustíveis, embora possa reduzir emissões em relação aos combustíveis fósseis, não é automaticamente sustentável: depende de como é feita, da escala, da espécie utilizada, do manejo e dos impactos sobre o ecossistema e as comunidades locais.
No caso da caatinga, bioma semiárido com vegetação adaptada à escassez de água, a produção em larga escala de biomassa para energia enfrenta sérios desafios: baixa produtividade natural, necessidade de irrigação (que compete com o uso humano e pode esgotar aquíferos), risco de desmatamento e perda de biodiversidade, e conflitos com a produção de alimentos. Além disso, a queima de biomassa ou a conversão de áreas naturais em monoculturas pode até aumentar as emissões de gases de efeito estufa, dependendo do balanço de carbono.
A banca explora a generalização indevida: o candidato pode pensar que "biocombustível = sustentável", mas a afirmativa usa o termo "ainda que em larga escala" para forçar a ideia de que a escala não importa — o que é falso. A sustentabilidade não é uma propriedade intrínseca do biocombustível, mas do sistema de produção como um todo.
A banca troca a possibilidade de produção por sustentabilidade garantida. O candidato que associa automaticamente "biocombustível" a "energia limpa" cai na armadilha. Lembre-se: a sustentabilidade depende do balanço entre benefícios e impactos — e, na caatinga, a produção em larga escala tende a gerar mais impactos negativos do que positivos.
A afirmativa está errada porque apresenta a produção de biocombustíveis em larga escala como uma alternativa sustentável de forma categórica, sem considerar os múltiplos fatores que podem torná-la insustentável. O termo "ainda que em larga escala" é o gatilho da pegadinha: sugere que a escala não afeta a sustentabilidade, quando na verdade a escala amplia os impactos — maior demanda por terra, água e insumos, maior risco de desmatamento e de competição com a produção de alimentos.
Além disso, a redução das emissões de gases de efeito estufa não é automática: depende do ciclo de vida completo do biocombustível, incluindo mudanças no uso da terra. Se a produção exigir a conversão de áreas de vegetação nativa da caatinga em monoculturas, o carbono liberado pelo desmatamento pode superar a economia de emissões. O desenvolvimento econômico também não é garantido: pode beneficiar poucos e gerar conflitos sociais, como já ocorre com outros biocombustíveis.
Portanto, a afirmativa é falsa por generalizar e ignorar as condições específicas do bioma e os critérios de sustentabilidade.
Gabarito: letra E (ERRADO).
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