Questão de Biologia — Ecologia e ciências ambientais — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce205897
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- INSA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Tecnologista Pleno 2 - Área de Atuação: Biodiversidade
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: E (ERRADO). A afirmação está incorreta porque a genética de populações aplicada à conservação não tem como papel definir a "melhor região de reintrodução" de um espécime visando evitar o cruzamento entre espécies — o cruzamento entre espécies (hibridação) não é o foco central dessa definição, e a genética da conservação atua principalmente na manutenção da variabilidade genética dentro de uma mesma espécie, evitando a endogamia e a depressão endogâmica, e não na prevenção de cruzamentos interespecíficos.
A genética de populações é um ramo da biologia que estuda a composição genética das populações e como ela muda ao longo do tempo, influenciada por fatores como mutação, seleção natural, deriva genética e fluxo gênico. Na conservação, essa área é fundamental para entender e mitigar os efeitos da perda de variabilidade genética em populações pequenas e isoladas, que podem sofrer com a depressão endogâmica — a redução da aptidão (fitness) devido ao cruzamento entre indivíduos aparentados, que aumenta a homozigose de alelos deletérios. O texto de apoio menciona que "pequenas populações carecem de diversidade genética, aumentando a probabilidade de indivíduos serem homozigóticos para mutantes deletérios, reduzindo sua aptidão e ameaçando toda a população com a extinção".
A definição da melhor região para reintrodução de um espécime envolve múltiplos fatores ecológicos, como a disponibilidade de habitat adequado, a presença de recursos, a competição e a predação, além de considerações genéticas como a similaridade genética entre a população reintroduzida e a população residente, para evitar a introgressão de genes mal adaptados. No entanto, o objetivo principal da genética da conservação nesse contexto é evitar a perda de variabilidade genética dentro da espécie, e não evitar o cruzamento entre espécies diferentes. O cruzamento entre espécies (hibridação) é um fenômeno que pode ocorrer naturalmente ou ser induzido, mas a genética da conservação busca, na verdade, preservar a integridade genética de cada espécie, evitando a hibridação com espécies exóticas ou domesticadas, mas isso não é o mesmo que "definir a melhor região de reintrodução" para evitar cruzamento entre espécies.
A pegadinha da questão está em associar a genética da conservação à prevenção de cruzamento entre espécies, quando na verdade o foco é a manutenção da variabilidade genética intraespecífica. A banca explora a confusão entre os conceitos de "cruzamento entre espécies" (hibridação) e "cruzamento entre indivíduos da mesma espécie" (endogamia). O candidato pode pensar que a genética da conservação atua para evitar a hibridação, mas o papel principal é evitar a perda de diversidade genética dentro da espécie, que é o que ameaça a sobrevivência de populações pequenas.
A banca troca o foco da genética da conservação: em vez de "evitar a perda de variabilidade genética dentro da espécie" (o papel real), ela afirma que o papel é "evitar cruzamento entre espécies". O candidato que confunde hibridação (entre espécies) com endogamia (dentro da espécie) cai na armadilha. Lembre-se: a genética da conservação lida com a diversidade genética intraespecífica, não com a prevenção de cruzamentos interespecíficos.
A afirmação está errada porque atribui à genética de populações um papel que não é o seu: definir a melhor região de reintrodução para evitar cruzamento entre espécies. A genética da conservação, como visto, preocupa-se com a variabilidade genética dentro das espécies, especialmente em populações pequenas, onde a endogamia e a deriva genética reduzem a diversidade. A escolha da região de reintrodução é uma decisão ecológica e de manejo, que considera fatores como habitat, disponibilidade de recursos e interações bióticas, e não tem como objetivo primário evitar a hibridação entre espécies. Além disso, o cruzamento entre espécies não é um problema típico que a genética da conservação busca resolver; pelo contrário, a hibridação pode ser uma ameaça à integridade genética de espécies ameaçadas, mas a prevenção dela não é o papel central da genética de populações na conservação.
Gabarito: E (ERRADO).
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