Questão de Biologia — Hereditariedade e diversidade da vida — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce205903
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- INSA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Tecnologista Pleno 2 - Área de Atuação: Biodiversidade
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: ERRADO (letra E). A conectividade de ambientes promove o fluxo gênico entre populações, o que aumenta a diversidade genética (não a deprime), e o índice de diferenciação populacional (como o Fst) mede a divergência entre populações, não a diversidade genética em si. A afirmação inverte os dois efeitos.
A genética de populações estuda a variação genética dentro e entre populações, e seus mecanismos de mudança: mutação, seleção natural, deriva genética e fluxo gênico. O fluxo gênico é a transferência de alelos entre populações, geralmente mediada pela migração de indivíduos ou gametas. Quando há conectividade entre ambientes, populações que antes eram isoladas passam a trocar genes, o que homogeneíza as frequências alélicas e aumenta a variabilidade genética dentro de cada população (introduz novos alelos). O efeito oposto — a depressão da diversidade genética — ocorre quando há isolamento e consequente endogamia, que reduz a heterozigosidade e pode levar à depressão por endogamia (declínio de aptidão). Portanto, a conectividade é uma medida de conservação que combate a perda de diversidade genética, não a causa.
O índice de diferenciação populacional, como o Fst (estatística F de Wright), mede a proporção da variação genética total que está distribuída entre populações, ou seja, o grau de estruturação genética. Ele não mede a diversidade genética em si (que é medida, por exemplo, pela heterozigosidade esperada ou pela diversidade gênica). A diferenciação populacional é reduzida pelo fluxo gênico, pois a troca de migrantes equaliza as frequências alélicas entre as populações. Assim, a afirmação erra ao dizer que a conectividade leva à depressão da diversidade e que o índice de diferenciação mede essa diversidade.
A afirmativa contém dois erros conceituais:
Conectividade → fluxo gênico → depressão da diversidade genética? Não. O fluxo gênico aumenta a diversidade genética intrapopulacional, pois introduz novos alelos e reduz a endogamia. A depressão da diversidade genética é consequência do isolamento e da deriva genética, não da conectividade.
Índice de diferenciação populacional mede a diversidade genética? Não. O Fst e índices similares medem a diferenciação (divergência) entre populações, ou seja, quanto da variação genética está entre populações. A diversidade genética é medida por outros parâmetros, como heterozigosidade, polimorfismo e diversidade nucleotídica.
Portanto, a afirmação está errada.
A banca inverte a relação causal: conectividade aumenta a diversidade genética (fluxo gênico), e o isolamento a deprime (endogamia). Além disso, troca o que o índice mede: diferenciação ≠ diversidade. Fique atento a essas inversões clássicas em genética de populações.
Para questões de genética de populações, monte um quadro mental: fluxo gênico → aumenta diversidade, reduz diferenciação; deriva genética → reduz diversidade, aumenta diferenciação (em populações pequenas); seleção → pode aumentar ou reduzir, dependendo do caso; mutação → aumenta diversidade. E lembre: Fst mede diferenciação, não diversidade.
Gabarito: letra E (ERRADO).
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