Questão de Estatística — Inferência estatística — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce205933
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- INSA
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Tecnologista Pleno 2 - Área de Atuação: Biodiversidade
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E — ERRADO. O p-valor não é a probabilidade de a hipótese alternativa ser verdadeira; ele é a probabilidade de se obter um resultado tão extremo quanto o observado, supondo que a hipótese nula seja verdadeira. Essa é a definição clássica de p-valor, presente em qualquer curso de inferência estatística (ver, por exemplo, a discussão sobre a "Regra do Evento Raro" e a construção de testes de hipóteses).
O p-valor é um dos conceitos mais cobrados e mais mal compreendidos da estatística. A confusão central — e que a banca explora — é tratar o p-valor como uma probabilidade sobre as hipóteses, quando na verdade ele é uma probabilidade condicionada aos dados, sob a hipótese nula. Vamos destrinchar isso.
Em um teste de hipóteses, partimos de uma hipótese nula () e de uma hipótese alternativa (). O p-valor é definido como:
Definição (conceito):
.
Ou seja, o p-valor assume que é verdadeira e pergunta: qual a chance de, por puro acaso, obtermos um resultado como o que observamos (ou mais extremo)? Se essa chance for muito pequena (menor que o nível de significância ), concluímos que o resultado é improvável sob e, portanto, rejeitamos — seguindo a lógica da "Regra do Evento Raro".
A afirmação diz que o p-valor indica a probabilidade de a hipótese alternativa ser verdadeira. Isso é um erro conceitual grave, por duas razões:
O p-valor não é uma probabilidade sobre hipóteses. Em estatística frequentista (a abordagem clássica dos testes de hipóteses), as hipóteses e são proposições fixas — ou são verdadeiras ou são falsas. Não atribuímos probabilidade a elas. O p-valor é uma probabilidade dos dados, não das hipóteses.
O p-valor é calculado sob , não sob . A definição condiciona em verdadeira. A probabilidade de a hipótese alternativa ser verdadeira seria algo como , que é um conceito bayesiano (probabilidade a posteriori), e que não é o que o p-valor mede.
A banca troca o condicionamento do p-valor. O candidato desatento lê "probabilidade de a hipótese alternativa ser verdadeira" e acha que faz sentido — mas o p-valor é a probabilidade dos dados sob a hipótese nula. É a inversão clássica: o p-valor não diz quão provável é a hipótese, diz quão provável é o resultado se a hipótese nula for verdadeira. Memorize essa frase e você nunca mais cairá nessa pegadinha.
A regra de decisão é simples: se , rejeitamos ; se , não rejeitamos . O nível de significância é a probabilidade máxima de erro do tipo I (rejeitar quando ela é verdadeira) que estamos dispostos a aceitar. O p-valor é comparado a esse limiar.
Conceito | Definição correta |
|---|---|
p-valor | Probabilidade de obter dados tão extremos quanto os observados, supondo verdadeira |
Nível de significância () | Probabilidade de erro tipo I (rejeitar verdadeira) |
Poder do teste () | Probabilidade de rejeitar quando ela é falsa |
Probabilidade de ser verdadeira | Conceito bayesiano (probabilidade a posteriori), não é o p-valor |
❌ ERRADO. O p-valor não mede a probabilidade de a hipótese alternativa ser verdadeira; ele mede a probabilidade dos dados sob a hipótese nula. Gabarito: letra E.
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