Questão de Biologia — Ecologia e ciências ambientais — CESPE / CEBRASPE 2025
Biologia›Ecologia e ciências ambientais
Código
ce206110
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
INSA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Tecnologista Pleno 2 - Área de Atuação: Gestão da Informação e Popularização do Conhecimento
Julgue o item a seguir, referente à etnobotânica.A pesquisa etnobotânica pode ser conduzida sem considerar a repartição de benefícios com as comunidades detentoras do conhecimento tradicional.
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GabaritoE — Errado
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Etnobotânica e repartição de benefícios
Gabarito: letra E (ERRADO). A pesquisa etnobotânica não pode ser conduzida sem considerar a repartição de benefícios com as comunidades detentoras do conhecimento tradicional, pois essa obrigação decorre do marco legal brasileiro de acesso ao patrimônio genético e ao conhecimento tradicional associado (Lei nº 13.123/2015 e seu regulamento, o Decreto nº 8.772/2016). A repartição de benefícios é um dos pilares desse regime jurídico, que visa assegurar que as comunidades que detêm conhecimentos tradicionais associados à biodiversidade sejam justamente compensadas quando esses conhecimentos são utilizados para fins de pesquisa ou desenvolvimento tecnológico.
A etnobotânica é o estudo das relações entre as sociedades humanas e as plantas, incluindo os usos, conhecimentos e práticas tradicionais. Quando essa pesquisa envolve o acesso ao conhecimento tradicional associado ao patrimônio genético, ela se insere no âmbito da legislação específica, que estabelece a necessidade de consentimento prévio informado e a repartição de benefícios. A Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), da qual o Brasil é signatário, também reconhece a importância da repartição justa e equitativa dos benefícios derivados da utilização dos recursos genéticos e dos conhecimentos tradicionais associados.
A banca explora a ideia de que a pesquisa científica poderia ser feita de forma isolada, ignorando os direitos das comunidades tradicionais. No entanto, o ordenamento jurídico brasileiro é claro ao exigir a repartição de benefícios, seja ela monetária ou não monetária, como condição para o acesso ao conhecimento tradicional associado. Portanto, a afirmação de que a pesquisa pode ser conduzida sem considerar essa repartição é incorreta.
Pesquisa etnobotânica: Conhecimento tradicional associado (Não dispensa repartição de benefícios, Exige consentimento prévio informado); Marco legal (Lei nº 13.123/2015, Decreto nº 8.772/2016, CDB (Decreto nº 2.519/1998)); Repartição de benefícios (Monetária, Não monetária)
Item — ❌ ERRADO
A afirmativa está errada porque contraria o princípio da repartição de benefícios, que é obrigatório no acesso ao conhecimento tradicional associado ao patrimônio genético. A Lei nº 13.123/2015, que regulamenta o acesso ao patrimônio genético e ao conhecimento tradicional associado, estabelece que a repartição de benefícios é uma condição para a realização de pesquisas que utilizem esses conhecimentos. Além disso, a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), promulgada no Brasil pelo Decreto nº 2.519/1998, também prevê a repartição justa e equitativa dos benefícios.
A pesquisa etnobotânica, quando envolve o conhecimento tradicional associado, deve observar as regras de consentimento prévio informado e de repartição de benefícios, sob pena de violação da legislação ambiental e dos direitos das comunidades tradicionais. Portanto, a afirmação de que a pesquisa pode ser conduzida sem considerar a repartição de benefícios é falsa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato acreditar que a pesquisa científica é neutra e pode ignorar os direitos das comunidades tradicionais. Mas a legislação brasileira exige a repartição de benefícios como condição para o acesso ao conhecimento tradicional associado. Fique atento: sempre que a questão mencionar conhecimento tradicional, lembre-se da obrigatoriedade da repartição de benefícios.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre etnobotânica e conhecimento tradicional, lembre-se dos três pilares da CDB: conservação da biodiversidade, uso sustentável e repartição justa e equitativa dos benefícios. No Brasil, a Lei nº 13.123/2015 é o principal marco legal, e a repartição de benefícios é sempre obrigatória quando há acesso ao conhecimento tradicional associado.