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Questão de Português — Pontuação — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsPontuação
Código
ce207574
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
InoversaSul
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Língua Portuguesa - Anos Iniciais
Texto 19A1

        Em uma teoria da compreensão de texto, o primeiro aspecto importante é a noção de língua que se adota. Alguns manuais escolares concebem a língua simplesmente como um código ou um sistema de sinais autônomo, totalmente transparente, sem história, e fora da realidade social dos falantes. Mas a língua é muito mais do que um sistema de estruturas fonológicas, sintáticas e lexicais. A rigor, a língua não é sequer uma estrutura; ela é estruturada simultaneamente em vários planos, seja o fonológico, sintático, semântico e cognitivo no processo de enunciação. A língua é um fenômeno cultural, histórico, social e cognitivo que varia ao longo do tempo e de acordo com os falantes: ela se manifesta no uso e é sensível ao uso.

         Portanto, a língua é uma atividade constitutiva com a qual podemos construir sentidos; é uma forma cognitiva com a qual podemos expressar nossos sentimentos, ideias, ações e representar o mundo; é uma forma de ação pela qual podemos interagir com nossos semelhantes. Em consequência, a língua se manifesta nos processos discursivos, no nível da enunciação, concretizando-se nos usos textuais mais diversos. É importante não confundir a língua com o discurso.

        Nessa perspectiva, a língua é mais do que um simples instrumento de comunicação; mais do que um código ou uma estrutura. Enquanto atividade, ela é indeterminada sob o ponto de vista semântico e sintático. Por isso, as significações e os sentidos textuais e discursivos não podem estar aprisionados no interior dos textos pelas estruturas linguísticas. A língua é opaca, não é totalmente transparente, podendo ser ambígua, polissêmica, de modo que os textos podem ter mais de um sentido, e o equívoco nas atividades discursivas é um fato comum.

         Na realidade, um texto bem-sucedido é aquele que consegue dizer o suficiente para ser bem-entendido, supondo apenas aquilo que é possível esperar como sabido pelo ouvinte ou leitor. É interessante notar que, se o autor ou falante de um texto diz uma parte e supõe outra parte como de responsabilidade do leitor ou ouvinte, então a atividade de produção de sentidos (ou de compreensão de texto) é sempre uma atividade de coautoria. Isto quer dizer que os sentidos são parcialmente produzidos pelo texto e parcialmente completados pelo leitor.

         Ao lado da noção de língua, é necessário ter uma noção de texto. A escola trata o texto como um produto acabado e que funciona como uma cesta natalina, de onde a gente tira coisas. O texto não é um produto nem um simples artefato pronto; ele é um processo. Assim, não sendo um produto acabado, objetivo, como uma espécie de depósito de informações, mas sendo um processo, o texto se acha em permanente elaboração e reelaboração ao longo de sua história e ao longo das diversas recepções pelos diversos leitores. Em suma, texto é uma proposta de sentido e ele se acha aberto a várias alternativas de compreensão.

Luiz Antônio Marcuschi. Exercícios de compreensão ou copiação nos manuais de ensino de língua?
Em Aberto, Brasília, ano 16, n.º 69, jan.-mar./1996 (com adaptações).
No que se refere à pontuação e ortografia no texto 19A1, bem como a aspectos fonológicos de vocábulos nele empregados, julgue o item que se segue.No segundo período do quarto parágrafo, a substituição dos parênteses por travessões prejudicaria a correção gramatical do texto.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de parênteses por travessões

Gabarito: Errado (E). A substituição dos parênteses por travessões não prejudica a correção gramatical do texto. Ambos os sinais cumprem a mesma função de intercalar uma explicação ou comentário acessório, e a troca é gramaticalmente lícita.

No texto 19A1, há um exemplo claro de uso de parênteses:

"a atividade de produção de sentidos (ou de compreensão de texto) é sempre uma atividade de coautoria."

Se substituirmos os parênteses por travessões, obtém-se:

"a atividade de produção de sentidos — ou de compreensão de texto — é sempre uma atividade de coautoria."

A frase permanece gramaticalmente correta, pois os travessões isolam o mesmo segmento explicativo sem alterar a estrutura sintática. A gramática normativa reconhece que parênteses e travessões são equivalentes nessa função — ambas são marcas de intercalação que não interferem na correção do período.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato acreditar que a troca entre sinais de pontuação pode gerar erro gramatical. Na verdade, a única diferença é de tom ou ênfase: travessões costumam dar mais destaque, enquanto parênteses indicam um aparte mais discreto. Nenhum dos dois compromete a correção.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de pontuação, lembre-se de que parênteses, travessões e até vírgulas podem ser intercambiáveis para isolar expressões explicativas ou apositivas. O importante é manter a clareza e a estrutura sintática.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirmar que a substituição prejudicaria a correção gramatical contradiz a norma-padrão. Como demonstrado, a troca é perfeitamente aceitável. Erro: contradiz_texto (a assertiva nega uma possibilidade gramatical que o texto e a norma autorizam).

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmativa está errada, pois a substituição é gramaticalmente neutra. O item, portanto, deve ser julgado como Errado (E).

Conclusão: a troca de parênteses por travessões não afeta a correção gramatical; logo, o item é Errado.

Gabarito: letra E

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