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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce207618
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
InoversaSul
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Língua Portuguesa - Ensino Médio
        Não é a paz que lhe interessa. Eles se preocupam é com a ordem, o regime desse mundo.
       O problema deles é manter a ordem que lhes faz ser patrões. Essa ordem é uma doença em nossa história.
       Para nós a terra é uma boca, a alma de um búzio. O tempo é o caracol que enrola essa concha. Encostamos o ouvido nesse búzio e ouvimos o princípio, quando tudo era antigamente.
     A guerra nunca partiu, filho. As guerras são como as estações do ano: ficam suspensas, a amadurecer no ódio da gente miúda.

Mia Couto. O último voo do flamingo.
Lisboa: Editorial Caminho, 2013 (com adaptações). 
Acerca de aspectos semânticos e gramaticais do texto precedente, julgue o próximo item.Observa-se o uso de prosopopeia no trecho “a terra é uma boca, a alma de um búzio” (terceiro parágrafo).
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Julgamento do item: Prosopopeia no texto

✅ CERTO. O item está correto. O trecho “a terra é uma boca, a alma de um búzio” (terceiro parágrafo) constitui um caso de prosopopeia (ou personificação), figura de linguagem que atribui características ou ações humanas a seres inanimados ou abstratos.

Análise do trecho

No trecho, a terra – entidade inanimada – é metaforicamente dotada de uma boca (órgão humano) e de uma alma (atributo espiritual tipicamente humano). Essa atribuição de traços humanos a um elemento não humano caracteriza a prosopopeia. Veja:

“Para nós a terra é uma boca, a alma de um búzio.”

O uso de “boca” e “alma” reforça a personificação, pois são elementos que pertencem ao domínio do humano ou do animado. O contexto poético do texto de Mia Couto favorece essa figura, que amplia o sentido metafórico da relação entre o homem e a terra.

Por que não há erro?

  • O reconhecimento da prosopopeia independe de haver um verbo de ação humana; bastam atributos humanos (substantivos ou adjetivos) aplicados a seres não humanos. Aqui, “boca” e “alma” cumprem esse papel.

  • A banca não está exigindo que o trecho contenha uma ação humana explícita; a personificação é clara pela associação de partes do corpo e conceitos espirituais ao ente abstrato “terra”.

NÃO CAIA NESSA!

Alguns candidatos podem pensar que a prosopopeia exige um verbo de ação humana (ex.: “a terra fala”). No entanto, a figura pode se realizar também pela atribuição de substantivos ou adjetivos próprios de seres humanos, como “boca” e “alma”. A ausência de verbo não descaracteriza a personificação.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar prosopopeia, procure por qualquer atributo tipicamente humano – seja verbo, substantivo ou adjetivo – aplicado a um ser não humano. Não se restrinja a verbos de ação.

Conclusão: O item está certo, pois o trecho transcrito exemplifica corretamente a figura de linguagem prosopopeia.

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