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Questão de Português — Morfologia - Pronomes — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsMorfologia - Pronomes
Código
ce207816
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
InoversaSul
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Redação - Ensino Médio
        Manu, S. Paulo, 6-VIII-33

        Estou fazendo week-end..., dando um balanço geral em tudo quanto tenho que responder, livros a agradecer, papelada pra distribuir nos lugares, etc., etc. Seus comentários sobre o meu “O desespera” quase que me desesperaram. Não é justo você dizer que pra mim é atual falar numa coisa, como se eu não me rendesse a razões plausíveis. Me rendo sim senhor. Confesso com lealdade que jamais refleti seriamente sobre isso, isto é, seriamente, refleti, sim, mas não refleti longamente. Mas a seriedade está nisto: emprego flexões pronominais iniciando a frase, coisa que literariamente é erro. Me parece etc. Devo empregar também literariamente “O desespera” porque o caso é absolutamente o mesmo. Se trata de uma ilação, é verdade, mas ilação absolutamente lógica sobre o ponto de vista filosófico, e tirada da índole brasileira de falar, o que a torna, além de filosoficamente certa, psicologicamente admissível. Diz você que não se trata dum fato de linguagem brasileira. Poderei estar de acordo. Mas isso se dá simplesmente porque o povo, pelo menos o povo rural que é a grande e pura fonte, ignora o pronominal, e diz, por exemplo, “fazer isso” e “dizer isso” “desespera ele” por fazê-lo e dizê-lo. Você tem o argumento dos alfabetizados da cidade. Sim, mas estes, desde que ponham um reparo na fala, já não dizem “me parece” também, porque o professor da escola primária proibia. Mas se dizem, sem querer, “me parece” por que, então, não dizem “o desespera”?
         Ciao, com abraço.

Mário de Andrade. Cartas a Manuel Bandeira, 2001, p. 222-3 (com adaptações)
Julgue o próximo item, acerca das ideias e de aspectos textuais e gramaticais do texto precedente.O segmento ‘desespera ele’ (décimo segundo período) é exemplo de emprego de pronome do caso reto, em vez de pronome oblíquo átono, em posição de complemento verbal.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Emprego de pronome reto como complemento verbal no texto de Mário de Andrade

✅ CERTO. O item está correto porque o trecho “desespera ele”, mencionado no texto, exemplifica exatamente o uso do pronome do caso reto (“ele”) no lugar do pronome oblíquo átono (“o”) como complemento do verbo “desespera”. A afirmação está em plena consonância com a passagem textual.

Resposta direta: A assertiva é verdadeira. O autor do texto, Mário de Andrade, cita a fala popular rural “desespera ele” para ilustrar a omissão do pronome oblíquo — que seria “desespera-o” na norma culta. Portanto, há emprego do pronome reto “ele” exercendo a função de complemento verbal (objeto direto), em substituição ao pronome oblíquo átono “o”.

“o povo, pelo menos o povo rural que é a grande e pura fonte, ignora o pronominal, e diz, por exemplo, ‘fazer isso’ e ‘dizer isso’ ‘desespera ele’ por fazê-lo e dizê-lo.”

Nesse fragmento, “desespera ele” equivale a “desespera-o”. O verbo “desesperar” é transitivo direto, exigindo um complemento sem preposição. O pronome “ele” é da série reta (eu, tu, ele/ela…), tradicionalmente reservada para sujeito, mas aqui é empregado como objeto, fenômeno comum na variedade popular do português brasileiro. A banca, ao afirmar que se trata de “emprego de pronome do caso reto, em vez de pronome oblíquo átono, em posição de complemento verbal”, descreve exatamente o que ocorre.

PEGA ESSA DICA!

Para acertar, basta reconhecer que “ele” é pronome pessoal reto e que, na frase “desespera ele”, ele completa o sentido do verbo (objeto direto). O pronome oblíquo correspondente seria “o” (desespera-o).

Não há nenhum erro na assertiva. Ela é fiel à descrição gramatical e ao exemplo dado pelo autor.

Gabarito: ✅ CERTO

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