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Questão de Português — Morfologia — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsMorfologia
Código
ce207830
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
InoversaSul
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Professor de Redação - Ensino Médio
Como se deve ler um livro?

        Quero enfatizar, antes de tudo, o ponto de interrogação no fim do meu título. Ainda que eu pudesse responder à pergunta, a resposta só se aplicaria a mim, não a você. De fato, o único conselho sobre leitura que uma pessoa pode dar a outra é não aceitar conselho algum, seguir os próprios instintos, usar o próprio bom senso e tirar suas próprias conclusões. Se estamos de acordo quanto a isso, sinto-me então em condições de apresentar algumas ideias e lhe fazer sugestões, pois assim você não permitirá que elas restrinjam a característica mais importante que um leitor pode ter: sua independência. Afinal, que leis se podem formular sobre livros? A Batalha de Waterloo foi, sem dúvida, travada em certo dia; mas será Hamlet uma peça melhor do que Rei Lear? Ninguém o pode dizer; cada um deve decidir por si mesmo essa questão. Admitir autoridades em nossas bibliotecas, por mais embecadas e empelicadas que estejam, e deixar que elas nos digam como ler, o que ler e que valor atribuir ao que lemos é destruir o espírito de liberdade que dá alento a esses santuários. Em qualquer outra parte, podemos ser limitados por convenções e leis — mas lá não temos nenhuma.

Virginia Woolf. O valor do riso e outros ensaios. 
Tradução: Leonardo Fróes. São Paulo: Cosac Naify, 2014 (com adaptações)
No que se refere às ideias veiculadas no texto precedente, bem como às relações de coesão e coerência nele estabelecidas, julgue o próximo item.Os termos “o”, em “Ninguém o pode dizer” (antepenúltimo período), e “lá”, em “mas lá não temos nenhuma” (último período), pertencem a classes morfológicas distintas, porém ambos funcionam no texto como elementos de retomada anafórica.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise da afirmação sobre "o" e "lá"

Gabarito: Certo. A afirmação está correta: os termos "o" (em "Ninguém o pode dizer") e "lá" (em "mas lá não temos nenhuma") pertencem a classes morfológicas distintas – pronome pessoal oblíquo e advérbio de lugar, respectivamente – e ambos exercem função anafórica no texto, retomando elementos anteriores.

No trecho:

"... será Hamlet uma peça melhor do que Rei Lear? Ninguém o pode dizer; cada um deve decidir por si mesmo essa questão."

O pronome "o" retoma a ideia da pergunta anterior (qual peça é melhor), funcionando como objeto direto do verbo "dizer". É uma retomada anafórica de um conteúdo proposicional.

No trecho:

"Em qualquer outra parte, podemos ser limitados por convenções e leis — mas lá não temos nenhuma."

O advérbio "lá" refere-se ao espaço das bibliotecas, mencionado indiretamente no contexto anterior ("em nossas bibliotecas"). Também constitui uma retomada anafórica de lugar.

Portanto, embora as classes gramaticais sejam diferentes (pronome × advérbio), ambos cumprem a mesma função coesiva de referência ao que foi dito antes. O item está Certo.

1"o" (pronome oblíquo)
Classe: pronome pessoal
Função: retoma conteúdo proposicional
Ex.: "Ninguém o pode dizer"
2"lá" (advérbio de lugar)
Classe: advérbio
Função: retoma espaço/lugar
Ex.: "mas lá não temos nenhuma"
3Conclusão
Classes distintas
Ambos anafóricos
Elementos anafóricos
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Elementos anafóricos: "o" (pronome oblíquo) (Classe: pronome pessoal, Função: retoma conteúdo proposicional, Ex.: "Ninguém o pode dizer"); "lá" (advérbio de lugar) (Classe: advérbio, Função: retoma espaço/lugar, Ex.: "mas lá não temos nenhuma"); Conclusão (Classes distintas, Ambos anafóricos)

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