Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce209066
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- MPS
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Perito Médico Federal
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: ERRADO. A afirmativa está incorreta porque a fração de ejeção < 50% não é, isoladamente, critério de cardiopatia grave — a classificação da insuficiência cardíaca pela fração de ejeção (preservada, intermediária ou reduzida) não define gravidade, que é avaliada pela classe funcional (NYHA) e pelos estágios da doença. A banca mistura critérios de diagnóstico com critérios de gravidade, e o limiar de 50% é o ponto de corte para classificar a IC como de fração de ejeção preservada (≥ 50%), não como grave.
A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica em que o coração se torna incapaz de bombear sangue suficiente para o corpo, ou só o faz com aumento das pressões de enchimento. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado em sintomas (dispneia, fadiga, ortopneia) e sinais de congestão (estertores, estase jugular, edema). A fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) é o parâmetro mais usado para classificar a IC, mas essa classificação não equivale a gravidade: pacientes com FEVE preservada (≥ 50%) podem ter sintomas tão graves quanto aqueles com FEVE reduzida (< 40%). A gravidade é medida pela classe funcional da NYHA (I a IV) e pelos estágios A a D da AHA/ACC, que consideram a presença de sintomas e a necessidade de intervenções especializadas.
A afirmativa lista sinais como tontura, síncope e precordialgia, que são sintomas inespecíficos e não definem gravidade. A dilatação e hipocontratilidade ventricular, vistas no ecocardiograma, são achados estruturais que indicam disfunção, mas não são, por si só, critérios de gravidade. A banca explora a confusão entre o que é um marcador de disfunção (FE < 50%) e o que é um critério de gravidade clínica (classe funcional, estágio).
A pegadinha está no uso do termo "cardiopatia grave" associado a um limiar numérico de FE. Na prática, um paciente com FE de 45% (IC intermediária) pode estar assintomático (estágio B) e não ser considerado grave, enquanto um paciente com FE preservada, mas em classe funcional IV, é grave. A gravidade é dinâmica e depende do quadro clínico, não de um único número.
A banca troca o critério de classificação pela fração de ejeção (que divide IC em preservada, intermediária e reduzida) pelo critério de gravidade (que é a classe funcional NYHA e o estágio AHA/ACC). O limiar de 50% não separa "grave" de "não grave" — separa IC de FE preservada da IC de FE reduzida. Guarde: FE < 40% = IC de FE reduzida; FE 40-49% = IC intermediária; FE ≥ 50% = IC de FE preservada. Nenhum desses rótulos, sozinho, significa gravidade.
A afirmativa está errada porque a fração de ejeção < 50% não é critério de cardiopatia grave. A classificação da IC pela FEVE é: preservada (≥ 50%), intermediária (40-49%) e reduzida (< 40%). A gravidade é determinada pela classe funcional (NYHA) e pelo estágio da doença (A a D), não pelo valor isolado da FE. Além disso, sintomas como tontura e síncope são inespecíficos e não definem gravidade; a dilatação e hipocontratilidade ventricular são achados de disfunção, mas não equivalem a gravidade clínica. O item mistura critérios diagnósticos com critérios de gravidade, tornando a afirmação incorreta.
Gabarito: ERRADO.
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