Questão de Psicologia — Psicologia da Saúde — CESPE / CEBRASPE 2025
Psicologia›Psicologia da Saúde
Código
ce210548
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PC-DF
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Gestor de Apoio as Atividades Policiais Civis - Especialidade: Psicologia
Ana, 55 anos de idade, foi diagnosticada com diabetes
tipo II há seis meses. Desde então, enfrenta dificuldades para
aderir ao tratamento, alegando que a rotina de monitoramento
glicêmico, uso de medicação e mudanças na alimentação tem
sido “exaustiva e confusa”. Durante a consulta, relatou sentir-se
ansiosa e culpada por não seguir as recomendações médicas de
forma rigorosa. Apesar de alguns esforços iniciais para adaptar
sua rotina, Ana reconhece que, em momentos de estresse,
costuma recorrer ao consumo de alimentos ricos em açúcar como
estratégia de conforto. O médico, então, sugeriu a Ana que
buscasse acompanhamento psicológico, para trabalhar o manejo
do estresse e desenvolver estratégias de enfrentamento mais
eficazes.
Tendo o caso hipotético precedente como referência, julgue o item subsecutivo.Se Ana tivesse recebido o diagnóstico de uma doença aguda, o impacto emocional seria menor, pois o curso da doença aguda é mais previsível e limitado no tempo.
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Doenças Agudas vs. Crônicas: Impacto Emocional no Diagnóstico
❌ ERRADO. O item está incorreto. A afirmação de que o diagnóstico de uma doença aguda geraria menor impacto emocional por ser "mais previsível e limitado no tempo" é uma generalização indevida. Tanto doenças agudas quanto crônicas podem provocar sofrimento psicológico significativo, porém de formas distintas: enquanto as crônicas exigem adaptação contínua a um quadro de longa duração, as agudas frequentemente surpreendem o paciente com início súbito e podem envolver risco iminente, gerando choque, ansiedade intensa e medo. A previsibilidade e a limitação temporal não são, por si só, fatores que minimizam o impacto emocional — a literatura em Psicologia da Saúde reconhece que ambos os tipos de condição demandam estratégias de enfrentamento e podem desencadear reações emocionais relevantes.
O contexto de Ana: paciente de 55 anos com diabetes tipo II (doença crônica), que já apresenta dificuldades de adesão, ansiedade, culpa e uso de alimentação como conforto emocional. Trocar o diagnóstico para uma doença aguda não reduziria automaticamente o impacto — na verdade, a forma como cada pessoa reage à doença depende de múltiplos fatores (significado atribuído, suporte social, personalidade, história de vida), não apenas da classificação aguda/crônica. A banca explora exatamente esse raciocínio simplista, que deve ser evitado.
NÃO CAIA NESSA!
A banca induz o aluno a aceitar a premissa de que doenças agudas são "mais previsíveis e limitadas" e, portanto, menos impactantes. Na Psicologia da Saúde, doenças crônicas são associadas a estresse prolongado e adaptação contínua, mas isso não significa que doenças agudas tenham impacto emocional "menor". Uma doença aguda grave (p. ex., infarto, AVC, crise asmática) pode gerar sofrimento intenso e urgente. O erro está em assumir que previsibilidade e curta duração equivalem a menor sofrimento psicológico. Fique atento: o impacto é qualitativamente diferente, não quantitativamente menor.