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Questão de Medicina — Neurologia — CESPE / CEBRASPE 2025

MedicinaNeurologia
Código
ce211451
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Polícia Federal
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Clínico
Em relação a emergências clínicas, julgue o item a seguir.Considere que um paciente do sexo masculino, negro, com 65 anos de idade, em atendimento no pronto-socorro, queixe se de cefaleia e dispneia intensa. Considere, ainda, que, ao exame físico, a pressão arterial aferida seja de 185 mmHg  146 mmHg, que se observem dispneia e estertores crepitantes até ápices pulmonares e a fundoscopia seja normal. Nesse caso, o anti-hipertensivo de escolha para o paciente é a anlodipina, que deve ser administrada por via oral.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

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Emergências hipertensivas: crise hipertensiva e escolha do anti-hipertensivo

Gabarito: ERRADO. O caso descrito configura uma emergência hipertensiva (PA 185×146 mmHg com dispneia intensa e estertores crepitantes até ápices, indicando edema agudo de pulmão), e nesse cenário o anti-hipertensivo de escolha não é a anlodipina por via oral, mas sim um fármaco parenteral de ação rápida e titulável, como o nitroprussiato de sódio ou a nitroglicerina endovenosa. A anlodipina, por ser um bloqueador de canal de cálcio de ação prolongada e início lento, não é adequada para redução imediata e controlada da PA em emergência.

A crise hipertensiva divide-se em dois grandes grupos, e a distinção entre eles é o coração desta questão. A emergência hipertensiva caracteriza-se por elevação grave da PA (geralmente > 180/120 mmHg) associada a lesão aguda de órgão-alvo — como edema agudo de pulmão, encefalopatia hipertensiva, síndrome coronariana aguda, dissecção de aorta ou insuficiência renal aguda. Nesses casos, a PA deve ser reduzida imediatamente, com drogas endovenosas e tituláveis, em ambiente de terapia intensiva ou unidade coronariana, para evitar progressão da lesão. Já a urgência hipertensiva é a elevação grave da PA sem lesão aguda de órgão-alvo; o paciente pode estar assintomático ou com sintomas inespecíficos, e a redução pode ser feita de forma mais gradual, com anti-hipertensivos orais, em observação.

No caso em tela, o paciente apresenta PA 185×146 mmHg, dispneia intensa e estertores crepitantes até ápices pulmonares — quadro clássico de edema agudo de pulmão (EAP), uma lesão aguda de órgão-alvo. A fundoscopia normal não exclui a emergência, pois o EAP é, por si só, uma manifestação de lesão de órgão-alvo. O tratamento de escolha para o EAP hipertensivo envolve, além de oxigenioterapia e diuréticos, vasodilatadores endovenosos como nitroglicerina ou nitroprussiato de sódio, que agem rapidamente e podem ser titulados conforme a resposta clínica. A anlodipina, por via oral, tem início de ação lento (2 a 4 horas) e efeito prolongado, o que a torna inadequada para o controle imediato da PA em uma emergência — seu uso nesse contexto poderia até agravar o quadro, pois a redução abrupta e imprevisível da PA não é desejada.

A banca explora aqui uma pegadinha clássica: o candidato pode reconhecer que a anlodipina é um anti-hipertensivo válido, mas não percebe que, em uma emergência hipertensiva, a via de administração e a velocidade de ação são cruciais. A anlodipina é um bloqueador de canal de cálcio di-hidropiridínico, de ação prolongada, indicado para o tratamento crônico da hipertensão, não para crises. A distinção entre urgência e emergência hipertensiva é o critério que separa as condutas: na urgência, pode-se usar via oral; na emergência, a via parenteral é obrigatória.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato acreditar que, por ser um anti-hipertensivo de uso comum, a anlodipina serve para qualquer situação de PA elevada. Mas o que decide a questão é a presença de lesão aguda de órgão-alvo (EAP), que transforma o caso em emergência hipertensiva, exigindo droga endovenosa de ação rápida. A anlodipina oral é para o tratamento crônico, não para a emergência.

Critério

Urgência Hipertensiva

Emergência Hipertensiva

PA (geralmente)

> 180/120 mmHg

> 180/120 mmHg

Lesão aguda de órgão-alvo

Ausente

Presente (ex.: EAP, encefalopatia, SCA)

Sintomas

Assintomático ou inespecíficos

Manifestações clínicas da lesão (ex.: dispneia, estertores)

Via de administração do anti-hipertensivo

Oral

Endovenosa (parenteral)

Exemplo de fármaco

Anlodipina, captopril

Nitroprussiato de sódio, nitroglicerina

Velocidade de ação necessária

Gradual

Imediata e titulável

Crise hipertensiva
  • 1Urgência hipertensiva
    • Sem lesão aguda de órgão-alvo
    • Anti-hipertensivo oral
  • 2Emergência hipertensiva
    • Com lesão aguda de órgão-alvo
    • Anti-hipertensivo EV titulável
    • Ex.: nitroprussiato, nitroglicerina
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Item — ❌ ERRADO

A afirmativa está errada porque o paciente apresenta emergência hipertensiva com edema agudo de pulmão (dispneia intensa + estertores crepitantes até ápices), e o anti-hipertensivo de escolha deve ser administrado por via endovenosa, com ação rápida e titulável (ex.: nitroprussiato de sódio, nitroglicerina). A anlodipina por via oral é inadequada nesse cenário, pois tem início de ação lento e efeito prolongado, não permitindo o controle imediato e seguro da PA. A conduta correta seria internação em UTI, monitorização contínua e uso de vasodilatador parenteral.

Gabarito: ERRADO.

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