Questão de Medicina — Neurologia — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce211451
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- Polícia Federal
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Clínico
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: ERRADO. O caso descrito configura uma emergência hipertensiva (PA 185×146 mmHg com dispneia intensa e estertores crepitantes até ápices, indicando edema agudo de pulmão), e nesse cenário o anti-hipertensivo de escolha não é a anlodipina por via oral, mas sim um fármaco parenteral de ação rápida e titulável, como o nitroprussiato de sódio ou a nitroglicerina endovenosa. A anlodipina, por ser um bloqueador de canal de cálcio de ação prolongada e início lento, não é adequada para redução imediata e controlada da PA em emergência.
A crise hipertensiva divide-se em dois grandes grupos, e a distinção entre eles é o coração desta questão. A emergência hipertensiva caracteriza-se por elevação grave da PA (geralmente > 180/120 mmHg) associada a lesão aguda de órgão-alvo — como edema agudo de pulmão, encefalopatia hipertensiva, síndrome coronariana aguda, dissecção de aorta ou insuficiência renal aguda. Nesses casos, a PA deve ser reduzida imediatamente, com drogas endovenosas e tituláveis, em ambiente de terapia intensiva ou unidade coronariana, para evitar progressão da lesão. Já a urgência hipertensiva é a elevação grave da PA sem lesão aguda de órgão-alvo; o paciente pode estar assintomático ou com sintomas inespecíficos, e a redução pode ser feita de forma mais gradual, com anti-hipertensivos orais, em observação.
No caso em tela, o paciente apresenta PA 185×146 mmHg, dispneia intensa e estertores crepitantes até ápices pulmonares — quadro clássico de edema agudo de pulmão (EAP), uma lesão aguda de órgão-alvo. A fundoscopia normal não exclui a emergência, pois o EAP é, por si só, uma manifestação de lesão de órgão-alvo. O tratamento de escolha para o EAP hipertensivo envolve, além de oxigenioterapia e diuréticos, vasodilatadores endovenosos como nitroglicerina ou nitroprussiato de sódio, que agem rapidamente e podem ser titulados conforme a resposta clínica. A anlodipina, por via oral, tem início de ação lento (2 a 4 horas) e efeito prolongado, o que a torna inadequada para o controle imediato da PA em uma emergência — seu uso nesse contexto poderia até agravar o quadro, pois a redução abrupta e imprevisível da PA não é desejada.
A banca explora aqui uma pegadinha clássica: o candidato pode reconhecer que a anlodipina é um anti-hipertensivo válido, mas não percebe que, em uma emergência hipertensiva, a via de administração e a velocidade de ação são cruciais. A anlodipina é um bloqueador de canal de cálcio di-hidropiridínico, de ação prolongada, indicado para o tratamento crônico da hipertensão, não para crises. A distinção entre urgência e emergência hipertensiva é o critério que separa as condutas: na urgência, pode-se usar via oral; na emergência, a via parenteral é obrigatória.
A banca tenta fazer o candidato acreditar que, por ser um anti-hipertensivo de uso comum, a anlodipina serve para qualquer situação de PA elevada. Mas o que decide a questão é a presença de lesão aguda de órgão-alvo (EAP), que transforma o caso em emergência hipertensiva, exigindo droga endovenosa de ação rápida. A anlodipina oral é para o tratamento crônico, não para a emergência.
Critério | Urgência Hipertensiva | Emergência Hipertensiva |
|---|---|---|
PA (geralmente) | > 180/120 mmHg | > 180/120 mmHg |
Lesão aguda de órgão-alvo | Ausente | Presente (ex.: EAP, encefalopatia, SCA) |
Sintomas | Assintomático ou inespecíficos | Manifestações clínicas da lesão (ex.: dispneia, estertores) |
Via de administração do anti-hipertensivo | Oral | Endovenosa (parenteral) |
Exemplo de fármaco | Anlodipina, captopril | Nitroprussiato de sódio, nitroglicerina |
Velocidade de ação necessária | Gradual | Imediata e titulável |
A afirmativa está errada porque o paciente apresenta emergência hipertensiva com edema agudo de pulmão (dispneia intensa + estertores crepitantes até ápices), e o anti-hipertensivo de escolha deve ser administrado por via endovenosa, com ação rápida e titulável (ex.: nitroprussiato de sódio, nitroglicerina). A anlodipina por via oral é inadequada nesse cenário, pois tem início de ação lento e efeito prolongado, não permitindo o controle imediato e seguro da PA. A conduta correta seria internação em UTI, monitorização contínua e uso de vasodilatador parenteral.
Gabarito: ERRADO.
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