Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce211499
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- Polícia Federal
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Ortopedista
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (ERRADO). A ausência de pulso NÃO é o principal sinal de síndrome compartimental; o sintoma mais fidedigno é a dor desproporcional ao trauma, intensificada pelo estiramento passivo dos músculos do compartimento afetado. A perda do pulso periférico é um achado tardio, que indica gravidade e possível lesão vascular associada, mas não é o marcador precoce que permite o diagnóstico — e o diagnóstico da síndrome compartimental é essencialmente clínico.
A síndrome compartimental (SC) é uma emergência ortopédica definida como um complexo de sintomas causado pelo aumento da pressão tecidual dentro de um compartimento ósteo-fascial fechado, que compromete a perfusão de músculos e nervos ali contidos. A fisiopatologia começa com um evento lesivo (fratura, queimadura, esmagamento) que gera hemorragia e edema; o edema aumenta a pressão intracompartimental, que por sua vez reduz a drenagem venosa e linfática, retroalimentando o edema. Em determinado momento, a pressão impede que arteríolas e capilares perfundam o músculo — e toda essa cascata pode ocorrer com manutenção do pulso e da perfusão distal do membro. É por isso que confiar no pulso para diagnosticar a SC é um erro grave: quando o pulso desaparece, a lesão isquêmica já está avançada e possivelmente irreversível.
O quadro clínico clássico é descrito pelos "5 Ps": dor (pain), palidez (pallor), parestesia (paresthesia), paralisia (paralysis) e ausência de pulso (pulselessness). Contudo, esses sinais não têm o mesmo valor diagnóstico. A dor à extensão passiva é o sintoma mais fidedigno e precoce — por exemplo, na suspeita de SC no compartimento anterior da perna, a manobra é a flexão plantar passiva do tornozelo; no antebraço, a extensão passiva do punho e dos dedos. A palpação do compartimento pode demonstrar tensão excessiva. Palidez, parestesia, poiquilotermia e paresia podem estar presentes, mas a obstrução arterial é tardia e incomum, de modo que a ausência de pulso não é um sinal fundamental no momento adequado para o diagnóstico — ela indica gravidade e possibilidade de lesão vascular associada.
O tratamento da SC é a fasciotomia imediata, uma emergência cirúrgica. O diagnóstico é clínico; métodos invasivos de medição de pressão intracompartimental (como o método de Whitesides) são reservados para pacientes em coma, não cooperativos ou com dificuldade de comunicação. A demora no diagnóstico leva a sequelas graves: lesão nervosa pode começar em 1 hora e se tornar permanente em 4 horas; a necrose muscular ocorre por volta de 8 horas, resultando em contratura isquêmica de Volkmann ou até amputação. Por isso, a suspeita deve ser levantada em todo paciente com lesão de extremidades e dor ou alterações de sensibilidade desproporcionais ao exame físico.
A pegadinha desta questão é clássica: a banca explora a confusão entre os sinais da síndrome compartimental, apresentando o sinal mais tardio (ausência de pulso) como se fosse o principal. O candidato que decora os "5 Ps" sem entender a hierarquia de importância cai na armadilha. Guarde a ordem: dor à extensão passiva (mais precoce e fidedigno) → parestesia → paresia → ausência de pulso (tardio, sinal de alarme). É exatamente essa hierarquia que separa o certo do errado nesta questão.
A afirmativa "A ausência de pulso é o principal sinal de uma possível síndrome compartimental" está errada. O principal sinal — o mais precoce e fidedigno — é a dor desproporcional ao trauma, que se intensifica com o estiramento passivo dos músculos do compartimento afetado. A ausência de pulso é um achado tardio, que ocorre quando a obstrução arterial já se instalou, indicando gravidade e possível lesão vascular associada. O diagnóstico da síndrome compartimental é clínico e não deve aguardar a perda do pulso, pois quando isso acontece o dano isquêmico já pode ser irreversível.
A banca troca o sinal mais precoce e fidedigno (dor à extensão passiva) pelo sinal mais tardio (ausência de pulso). O candidato que memoriza os "5 Ps" sem hierarquizá-los cai na armadilha. Lembre-se: o pulso pode estar presente mesmo com síndrome compartimental instalada — a cascata fisiopatológica ocorre com manutenção da perfusão distal. Quando o pulso some, o quadro já é grave.
Para fixar, decore a ordem de aparecimento dos sinais: dor à extensão passiva → parestesia → paresia → ausência de pulso. Na prova, se a alternativa citar "ausência de pulso" como sinal principal ou precoce, marque errado. O diagnóstico é clínico e a fasciotomia não deve esperar a perda do pulso.
Gabarito: letra E (ERRADO).
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