Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce211502
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- Polícia Federal
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Ortopedista
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (ERRADO). A artroscopia é excelente para avaliar meniscos e ligamentos, mas a afirmação de que ela está associada a menor risco de síndrome compartimental em relação aos demais métodos de avaliação é incorreta: a síndrome compartimental é uma complicação do trauma e do tratamento cirúrgico, não um risco que varia conforme o método de avaliação diagnóstica. O risco está ligado à energia do trauma, ao dano de partes moles e à técnica cirúrgica, não à artroscopia em si.
A síndrome compartimental é uma condição em que o aumento da pressão dentro de um compartimento osteofascial (espaço fechado que contém músculos, nervos e vasos) compromete a perfusão tecidual, podendo levar a isquemia e necrose. No contexto das fraturas da tíbia, ela é uma complicação temida justamente porque a tíbia é subcutânea e o trauma de alta energia causa grande dano de partes moles, com edema e sangramento que elevam a pressão intracompartimental. O diagnóstico é essencialmente clínico — dor desproporcional, endurecimento muscular, dor à mobilização passiva — e pode ser confirmado por medidas de pressão intracompartimental (método de Whitesides ou cateter eletrônico).
A artroscopia, por sua vez, é um método de avaliação e tratamento minimamente invasivo que permite visualizar diretamente as estruturas intra-articulares, como meniscos e ligamentos. No joelho, é o padrão-ouro para diagnosticar lesões meniscais e ligamentares. No entanto, a artroscopia é um procedimento cirúrgico que envolve a introdução de instrumentos na articulação, com uso de solução de irrigação sob pressão. Em fraturas intra-articulares, a artroscopia pode até ser utilizada como auxiliar no tratamento, mas não há evidência de que ela reduza o risco de síndrome compartimental. Pelo contrário, a artroscopia pode, teoricamente, aumentar a pressão intra-articular e, em casos de fratura, o extravasamento de líquido pode contribuir para o aumento da pressão nos compartimentos. Portanto, a afirmação de que a artroscopia está associada a menor risco de síndrome compartimental é falsa.
A pegadinha da banca está em associar a artroscopia a um benefício que ela não possui. O candidato pode ser levado a pensar que, por ser minimamente invasiva, a artroscopia reduziria complicações como a síndrome compartimental. No entanto, a síndrome compartimental não é uma complicação do método de avaliação, mas sim do trauma e do tratamento. O risco é determinado pela energia do trauma, pela extensão do dano de partes moles e pela técnica cirúrgica utilizada (por exemplo, redução aberta com grande dissecção). A artroscopia não altera esse risco de forma favorável.
Para a prova, lembre-se: a artroscopia é uma ferramenta diagnóstica e terapêutica valiosa para lesões intra-articulares, mas não é um fator que modifique o risco de síndrome compartimental. O que reduz o risco é o reconhecimento precoce e a fasciotomia quando indicada.
A afirmação está incorreta porque estabelece uma relação causal inexistente entre o método de avaliação (artroscopia) e o risco de síndrome compartimental. A síndrome compartimental é uma complicação do trauma e do tratamento, não do método diagnóstico. A artroscopia permite boa avaliação de meniscos e ligamentos, mas não está associada a menor risco de síndrome compartimental. Na verdade, em fraturas, a artroscopia pode até aumentar o risco devido ao extravasamento de líquido sob pressão. O risco de síndrome compartimental está relacionado à energia do trauma, ao dano de partes moles e à técnica cirúrgica, não ao método de avaliação.
Gabarito: letra E (ERRADO).
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