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Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — CESPE / CEBRASPE 2025

MedicinaOrtopedia e Traumatologia
Código
ce211505
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Polícia Federal
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico Ortopedista
A respeito de diagnóstico, classificação e tratamento de fraturas da tíbia, julgue o seguinte item.A síndrome compartimental associada a uma fratura de planalto tibial dever ser tratada com descompressão do compartimento envolvido e tratamento normal da fratura.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome compartimental em fratura de planalto tibial

Gabarito: letra E (ERRADO). A síndrome compartimental associada a uma fratura de planalto tibial é uma urgência ortopédica que exige tratamento cirúrgico imediato com fasciotomia descompressiva de TODOS os compartimentos da perna, e o tratamento da fratura deve ser postergado (geralmente com fixação provisória, como fixador externo), pois a prioridade absoluta é a descompressão para evitar lesão neuromuscular irreversível. O item afirma que se deve fazer "descompressão do compartimento envolvido e tratamento normal da fratura", o que está errado em dois pontos: a descompressão deve ser de todos os compartimentos (não apenas o envolvido) e o tratamento da fratura não é o "normal" (definitivo), mas sim provisório, priorizando a urgência.

A síndrome compartimental é uma condição em que o aumento da pressão dentro de um compartimento osteofascial fechado compromete a perfusão capilar, levando à isquemia muscular e nervosa. Na perna, existem quatro compartimentos (anterior, lateral, posterior superficial e posterior profundo), e a descompressão deve ser feita em todos eles, pois a pressão elevada em um compartimento pode se propagar ou coexistir em outros. O diagnóstico é essencialmente clínico, com dor desproporcional ao trauma, dor à mobilização passiva dos dedos, endurecimento muscular e retardo do retorno venoso, podendo ser confirmado por medidas de pressão intracompartimental (método de Whitesides ou cateter eletrônico).

O tratamento da síndrome compartimental é a fasciotomia (abertura cirúrgica da fáscia) de todos os compartimentos, realizada em caráter de urgência. No contexto de uma fratura de planalto tibial, a fratura em si não é tratada de forma definitiva no mesmo momento, pois a prioridade é a descompressão. O tratamento da fratura é postergado, com estabilização provisória (geralmente fixador externo transarticular) até a melhora das condições de partes moles, o que pode levar de 2 a 4 semanas, conforme a literatura. O tratamento definitivo da fratura (redução anatômica da superfície articular, fixação rígida e mobilização precoce) só é realizado após a resolução da síndrome compartimental e a melhora do envelope de partes moles.

A banca explora a confusão entre o tratamento da fratura isolada e o tratamento da fratura complicada por síndrome compartimental. Na fratura isolada do planalto tibial com boas condições de partes moles, o tratamento definitivo precoce é indicado. Porém, quando há síndrome compartimental, a urgência muda completamente o manejo: a fasciotomia é o procedimento imediato e o tratamento da fratura é secundário e provisório. O erro do item está em afirmar que se faz "tratamento normal da fratura", quando na verdade o tratamento é postergado e a prioridade é a descompressão.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a conduta correta: em vez de fasciotomia de todos os compartimentos e tratamento postergado da fratura, o item sugere descompressão apenas do compartimento envolvido e tratamento normal da fratura. O candidato que sabe que a síndrome compartimental é urgência, mas não lembra que a descompressão deve ser ampla e o tratamento da fratura postergado, cai na armadilha.

Síndrome compartimental + fratura de planalto tibial
  • 1Urgência ortopédica
    • Fasciotomia descompressiva
      • Todos os compartimentos da perna
      • Anterior, lateral, posterior superficial e profundo
    • Tratamento da fratura
      • Postergado
      • Fixação provisória (fixador externo)
      • Definitivo só após melhora das partes moles
  • 2Diagnóstico
    • Clínico
      • Dor desproporcional
      • Dor à mobilização passiva
      • Endurecimento muscular
    • Confirmação
      • Pressão intracompartimental (Whitesides)
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Item — ❌ ERRADO

O item está errado por dois motivos principais:

  1. Descompressão do compartimento envolvido: A fasciotomia deve ser realizada em todos os compartimentos da perna (anterior, lateral, posterior superficial e posterior profundo), não apenas no compartimento "envolvido". A pressão elevada em um compartimento pode afetar os demais, e a descompressão incompleta pode deixar áreas de isquemia residual.

  1. Tratamento normal da fratura: O tratamento da fratura de planalto tibial associada à síndrome compartimental não é o tratamento normal (definitivo). A prioridade é a fasciotomia de urgência, e a fratura é tratada de forma provisória (geralmente com fixador externo transarticular) até a melhora das condições de partes moles, quando então se realiza a osteossíntese definitiva. O tratamento definitivo precoce, com redução anatômica e fixação rígida, só é indicado em fraturas com boas condições de partes moles, o que não é o caso quando há síndrome compartimental.

A conduta correta é: fasciotomia descompressiva de todos os compartimentos da perna, em caráter de urgência, e postergação do tratamento definitivo da fratura, com estabilização provisória.

Gabarito: letra E (ERRADO).

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