Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce211508
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- Polícia Federal
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Ortopedista
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: letra C (CERTO). É universalmente aceito que a administração intravenosa de antibióticos deve ser realizada o mais precocemente possível em fraturas expostas, pois é a intervenção que mais diminui o risco de infecção (RRR = 0,57). Essa conduta é preconizada pelo ATLS e pelas diretrizes de tratamento de fraturas expostas, como o protocolo do IOT-HCFMUSP, que orienta iniciar a antibioticoprofilaxia intravenosa o mais breve possível, preferencialmente até 3 horas do trauma.
A fratura exposta é uma emergência ortopédica que ocorre quando há comunicação entre o foco de fratura e o meio externo, através de uma lesão de partes moles. O caso descrito apresenta uma fratura exposta da diáfise femoral direita com laceração > 10 cm, cobertura óssea adequada (o que a classifica como Gustilo-Anderson IIIA), perfusão preservada e lesão completa do nervo femoral. A classificação de Gustilo-Anderson é a mais utilizada e leva em consideração a energia do trauma, o grau de lesão de partes moles e o grau de contaminação, tendo implicação prognóstica e definindo o tratamento.
A antibioticoprofilaxia intravenosa precoce é um dos pilares do tratamento das fraturas expostas, juntamente com o desbridamento cirúrgico e a estabilização da fratura. O objetivo é reduzir a incidência de infecção, que é a complicação mais frequente dessas lesões. O antibiótico deve ser administrado o mais rápido possível após o trauma, idealmente na sala de emergência, antes mesmo do desbridamento cirúrgico. A escolha do antibiótico depende do tipo de fratura exposta: para fraturas tipo I, usa-se cefazolina; para tipos II e III, associa-se clindamicina e gentamicina (ou ceftriaxona em idosos ou com disfunção renal).
A importância da precocidade da antibioticoprofilaxia reside no fato de que a contaminação bacteriana da ferida ocorre no momento do trauma, e a multiplicação bacteriana é exponencial. Quanto mais tempo o paciente fica sem antibiótico, maior a carga bacteriana e maior o risco de infecção. Estudos demonstram que a administração precoce de antibióticos reduz significativamente a taxa de infecção em fraturas expostas, sendo uma medida de baixo custo e alto benefício.
A pegadinha desta questão está na palavra "universalmente aceito". O candidato pode pensar que, por haver controvérsias sobre a duração da antibioticoterapia (1, 3, 5 ou 14 dias), a precocidade também seria controversa. No entanto, a precocidade da administração é um consenso absoluto na literatura ortopédica, sendo uma recomendação universal. A controvérsia existe apenas sobre a duração do tratamento, não sobre o início precoce.
A banca explora a confusão entre a precocidade da antibioticoprofilaxia (consenso universal) e a duração da antibioticoterapia (tema de polêmica). O candidato que conhece a controvérsia sobre a duração pode erroneamente marcar "errado", mas a questão trata apenas do início precoce, que é unanimidade.
A afirmativa está correta. A administração intravenosa de antibióticos deve ser realizada o mais precocemente possível em fraturas expostas, sendo esta uma recomendação universalmente aceita. O próprio material de apoio afirma que "a administração de antibioticoprofilaxia intravenosa deve ser iniciada o mais breve possível (preferencialmente até 3 horas do trauma), pois é a intervenção que mais diminui o risco de infecção (RRR = 0,57)". Essa conduta é um dos pilares do tratamento, juntamente com o desbridamento cirúrgico e a estabilização da fratura.
A precocidade da antibioticoprofilaxia é consenso na literatura ortopédica mundial, independentemente do grau da fratura exposta (Gustilo-Anderson I, II ou III). No caso apresentado, trata-se de uma fratura tipo IIIA (laceração > 10 cm, cobertura óssea adequada), que tem alto risco de infecção, tornando a antibioticoprofilaxia precoce ainda mais crítica. A controvérsia que existe na literatura diz respeito à duração da antibioticoterapia (1, 3, 5 ou 14 dias), não ao início precoce, que é unanimidade.
Gabarito: letra C (CERTO).
Link permanente: /questoes/ce211508