Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce211511
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- Polícia Federal
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Ortopedista
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (ERRADO). O cisto ósseo aneurismático (COA) é uma lesão benigna, porém agressiva e localmente destrutiva, não "latente" — e costuma ser assintomático ou pouco sintomático, ao contrário do que afirma o enunciado. A afirmativa erra ao classificá-lo como latente e ao dizer que causa destruição óssea limitada, quando na verdade o COA é uma lesão expansiva, de crescimento rápido, que pode causar destruição óssea significativa e, sim, apresentar-se com fratura patológica.
O cisto ósseo aneurismático é uma lesão tumoral benigna de etiologia incerta, caracterizada por espaços císticos cheios de sangue, septos e paredes fibrosas. Ele se apresenta mais comumente em crianças e adultos jovens, com predileção pela metáfise de ossos longos (fêmur distal, tíbia proximal) e pela coluna vertebral. Apesar de benigno, seu comportamento é localmente agressivo: cresce rapidamente, expande o osso, adelgaça o córtex e pode invadir tecidos adjacentes. Por isso, a classificação correta é de lesão benigna agressiva (ou "ativa"), e não "latente".
A classificação das lesões ósseas em latentes, ativas e agressivas é um conceito-chave em ortopedia oncológica. Lesões latentes são aquelas que permanecem quiescentes, com baixo potencial de crescimento e raramente causam sintomas (ex.: encondroma assintomático, fibroma não ossificante). Lesões ativas crescem de forma gradual e podem causar sintomas leves. Lesões agressivas, como o COA e o tumor de células gigantes, crescem rapidamente, destroem o osso de forma significativa e frequentemente causam dor e fratura patológica. O COA se enquadra claramente no grupo das lesões agressivas.
Na prática clínica, o COA pode ser assintomático ou causar dor leve a moderada, dependendo do tamanho e da localização. A destruição óssea é frequentemente extensa, com aparência de "bolhas de sabão" ou "favos de mel" na radiografia. A fratura patológica é uma complicação comum, presente em cerca de 10-30% dos casos, justamente pela fragilização do osso. Portanto, a afirmativa está correta apenas na última parte (fratura patológica), mas erra ao classificar a lesão como latente e ao afirmar que a destruição óssea é limitada.
A pegadinha da banca está em inverter as características: trocar "agressiva" por "latente" e "destruição extensa" por "destruição limitada". O candidato que conhece a classificação das lesões ósseas percebe o erro imediatamente. É importante diferenciar o COA de outras lesões císticas, como o cisto ósseo simples (ou unicameral), que este sim é uma lesão latente, geralmente assintomática, com destruição óssea limitada e que também pode causar fratura patológica. A banca pode ter tentado confundir o candidato misturando características do cisto ósseo simples com o aneurismático.
A afirmativa está errada por dois motivos principais:
Classificação incorreta: o COA é uma lesão benigna agressiva, não latente. Lesões latentes são quiescentes, de crescimento lento e baixa sintomatologia, como o cisto ósseo simples. O COA cresce rapidamente e é localmente destrutivo.
Destruição óssea: o COA causa destruição óssea extensa e expansiva, não limitada. A lesão adelgaça o córtex, expande o osso e pode invadir partes moles. A fratura patológica é uma complicação frequente, mas a destruição óssea não é limitada.
A única parte correta da afirmativa é que o COA pode apresentar-se com fratura patológica, mas isso não salva o item, pois os demais elementos estão incorretos.
A banca inverte as características do cisto ósseo aneurismático com as do cisto ósseo simples. O COA é agressivo e destrutivo; o cisto simples é latente e de destruição limitada. Fique atento a essa troca clássica.
Gabarito: letra E (ERRADO).
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