Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce211520
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- Polícia Federal
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Ortopedista
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
❌ ERRADO. O tratamento conservador da osteonecrose do joelho é indicado para pacientes assintomáticos ou oligossintomáticos e em estágios iniciais da lesão, não para pacientes sintomáticos em estágios avançados. A afirmativa inverte a lógica terapêutica: quanto mais avançada a lesão e mais sintomático o paciente, maior a indicação de tratamento cirúrgico. Essa é a regra geral da osteonecrose, aplicável também ao joelho, e está alinhada com o manejo descrito para a necrose avascular em outras articulações.
A osteonecrose, também chamada de necrose avascular, é a morte do tecido ósseo por interrupção do suprimento sanguíneo. No joelho, pode ser espontânea (primária, mais comum em idosos, afetando o côndilo femoral medial) ou secundária (associada a fatores como uso de corticosteroides, etilismo, anemia falciforme, lúpus, entre outros). A doença evolui em estágios: inicialmente há edema e dor, mas a radiografia pode ser normal; com a progressão, ocorre colapso subcondral e destruição articular, levando à artrose secundária.
O tratamento é estadiamento-dependente. Em estágios iniciais (antes do colapso subcondral), o tratamento conservador — repouso relativo, analgesia, anti-inflamatórios, fisioterapia, descarga de peso — pode ser suficiente, especialmente em pacientes pouco sintomáticos. Já em estágios avançados, com colapso subcondral e deformidade articular, o tratamento conservador é insuficiente: a progressão para artrose é inevitável, e a cirurgia (descompressão, enxerto, osteotomia ou artroplastia) torna-se a opção para alívio da dor e recuperação funcional. O próprio material de apoio, ao tratar da osteonecrose em PVHIV, afirma que "não há tratamento eficaz para reverter a progressão do colapso subcondral e da destruição óssea, sendo frequentemente indicada a cirurgia" e que "o tratamento varia segundo o estágio da doença".
A pegadinha da banca está em inverter a relação entre sintomas/estágio e a modalidade terapêutica: o candidato pode pensar que "conservador" é sempre a primeira opção, mas na osteonecrose avançada o conservador não resolve, pois não reverte o colapso ósseo. O critério decisivo é: estágio inicial + pouco sintomático → conservador; estágio avançado + sintomático → cirúrgico.
A afirmativa diz que o tratamento conservador é "bem indicado para pacientes sintomáticos e em estágios avançados da lesão". Isso está invertido. O tratamento conservador é indicado para pacientes assintomáticos ou oligossintomáticos e em estágios iniciais, quando ainda não há colapso subcondral. Em estágios avançados, com colapso e sintomas, a indicação é cirúrgica (artroplastia, por exemplo). O erro é duplo: troca o perfil de paciente (sintomático por assintomático) e o estágio (avançado por inicial).
A banca inverte a lógica terapêutica da osteonecrose: apresenta o tratamento conservador como indicado para os casos mais graves (sintomáticos e avançados), quando na verdade ele é reservado aos casos iniciais e pouco sintomáticos. O candidato que não domina o estadiamento cai na armadilha de achar que "conservador" é sempre a primeira escolha, independentemente do estágio. Lembre-se: estágio avançado + sintomático = cirurgia.
Gabarito: letra E (ERRADO).
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