Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce211523
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- Polícia Federal
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Ortopedista
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (ERRADO). A fratura distal do rádio por queda da própria altura, com dor e deformidade, corresponde ao tipo 3 (compressão) na classificação de Fernandez, e não ao tipo 1 (cisalhamento). O tipo 1 de Fernandez é a fratura por angulação dorsal ou palmar (extra-articular, como Colles e Smith), enquanto o tipo 2 é o cisalhamento (fratura de Barton). A banca trocou o mecanismo de cisalhamento pelo tipo 1, quando na verdade o cisalhamento é o tipo 2.
A classificação de Fernandez, proposta em 1993, é uma das mais utilizadas para fraturas do terço distal do rádio, pois relaciona o padrão da fratura ao mecanismo de trauma que a causou. Isso é fundamental porque o mecanismo orienta a conduta terapêutica. São cinco tipos, cada um com um mecanismo biomecânico distinto:
Tipo 1 — Angulação dorsal ou palmar: fraturas extra-articulares, resultantes de forças de flexão ou extensão. Exemplos clássicos são as fraturas de Colles (desvio dorsal) e de Smith (desvio volar). O mecanismo típico é a queda sobre a mão estendida.
Tipo 2 — Cisalhamento: fraturas intra-articulares parciais, causadas pela ação de cisalhamento do carpo sobre a superfície articular do rádio. O exemplo clássico é a fratura de Barton, que pode ter desvio dorsal ou volar. O mecanismo é a queda sobre o punho dorsifletido com o antebraço fixo em pronação.
Tipo 3 — Compressão: fraturas que envolvem a articulação e a metáfise, com impacção do osso subcondral e metafisário. São as mais comuns. O exemplo típico é a fratura do tipo "die-punch", causada pela compressão do semilunar contra a superfície articular do rádio.
Tipo 4 — Avulsão: fraturas com pequenos fragmentos avulsionados pelos ligamentos da região, como a fratura da estilóide ulnar (Chauffer ou Hutchinson).
Tipo 5 — Combinadas: fraturas em que há mais de um mecanismo envolvido, geralmente em traumas de alta energia.
No caso do enunciado, o paciente sofreu uma queda da própria altura — um trauma de baixa energia. Esse mecanismo, com o punho em extensão e a mão espalmada, gera tipicamente uma fratura por compressão (tipo 3), que é a mais comum. A fratura por cisalhamento (tipo 2) é menos frequente e está associada a um mecanismo específico de impacto do carpo contra a superfície articular, como na fratura de Barton.
A pegadinha da questão está em associar o tipo 1 ao cisalhamento. O tipo 1 é a fratura por angulação (extra-articular), e o cisalhamento é o tipo 2. O candidato que decora os números sem entender o mecanismo pode cair facilmente nessa inversão.
A banca inverte a numeração da classificação de Fernandez. O tipo 1 é a fratura por angulação (extra-articular, Colles/Smith), e o tipo 2 é o cisalhamento (intra-articular parcial, Barton). O tipo 3 é a compressão (die-punch), que é o mecanismo mais comum e o que melhor se encaixa na queda da própria altura. Memorize o mecanismo de cada tipo, não apenas o número.
A afirmação diz que a fratura corresponde ao tipo 1 de cisalhamento. Há dois erros: (1) o tipo 1 de Fernandez é a fratura por angulação dorsal ou palmar, não por cisalhamento; (2) o cisalhamento é o tipo 2 da classificação. A fratura por queda da própria altura, com o mecanismo de compressão, seria mais bem classificada como tipo 3 (compressão), que é o mais comum. Portanto, a assertiva está incorreta.
Gabarito: letra E (ERRADO).
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