Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce211526
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- Polícia Federal
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Ortopedista
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (ERRADO). A afirmativa está incorreta porque, em pacientes idosos, pequenos graus de consolidação viciosa são geralmente bem tolerados, ao contrário do que ocorre em pacientes jovens e de alta demanda funcional. O texto de apoio é claro ao afirmar que "é possível um bom resultado subjetivo mesmo sem a restauração da anatomia radiográfica normal, especialmente em pacientes idosos com baixa demanda das mãos".
A consolidação viciosa é a complicação mais comum e importante das fraturas do terço distal do rádio, correspondendo à consolidação em posição anormal, com perda dos parâmetros radiográficos normais (inclinação radial, inclinação volar, comprimento do rádio). Ela pode levar a dor, deformidade, perda da força de preensão e limitação da pronossupinação, especialmente quando há encurtamento do rádio e impacto ulnocarpal. No entanto, a tolerância funcional a essa deformidade depende diretamente da demanda funcional do paciente.
Em pacientes jovens e ativos, a restauração anatômica é fundamental, pois pequenos desvios podem comprometer significativamente a função da mão e do punho, que são essenciais para atividades laborais e esportivas. Já em pacientes idosos, com menor demanda funcional e frequentemente com baixa exigência sobre as mãos, pequenos graus de deformidade residual são bem tolerados, e o resultado funcional pode ser satisfatório mesmo com alterações radiográficas significativas. Essa é uma distinção crucial que a banca explora: a afirmativa inverte a lógica, atribuindo ao idoso uma intolerância que é característica do paciente jovem.
A literatura ortopédica é consistente nesse ponto: a correlação entre resultado radiográfico e resultado funcional é mais forte em pacientes jovens e de alta demanda, enquanto em idosos a função pode ser preservada mesmo com consolidação viciosa moderada. O tratamento, portanto, deve ser individualizado, considerando a idade, a demanda funcional, a qualidade óssea e as comorbidades, e não apenas os parâmetros radiográficos.
A pegadinha da questão está em inverter a relação entre idade e tolerância à deformidade. O candidato que memoriza que "consolidação viciosa é ruim" pode marcar "certo", mas a banca quer que o aluno saiba que essa regra tem exceção importante: no idoso, a tolerância é maior. Guarde essa fronteira: jovem = intolerância a pequenos desvios; idoso = tolerância a pequenos desvios.
A afirmativa diz que "em pacientes como o mencionado, dada a idade, pequenos graus de consolidação viciosa não são bem tolerados e resultam em incapacidade moderada a máxima". Isso está errado porque inverte a realidade clínica. O texto de apoio afirma expressamente que "é possível um bom resultado subjetivo mesmo sem a restauração da anatomia radiográfica normal, especialmente em pacientes idosos com baixa demanda das mãos". Ou seja, no idoso, pequenos graus de consolidação viciosa são bem tolerados e raramente resultam em incapacidade moderada a máxima. A intolerância a pequenos desvios é característica de pacientes jovens e de alta demanda funcional, não do paciente idoso descrito no enunciado.
Gabarito: letra E (ERRADO).
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