Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce211532
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- Polícia Federal
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Ortopedista
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: letra C (CERTO). A definição apresentada está correta: uma fratura estável é aquela que não se desvia visivelmente sob carga fisiológica, ou seja, mantém o alinhamento quando submetida às forças normais do dia a dia. Esse conceito é fundamental na ortopedia, pois orienta a escolha entre tratamento conservador e cirúrgico, e está diretamente ligado aos princípios de estabilidade absoluta e relativa das osteossínteses.
Para entender bem essa questão, é preciso diferenciar dois conceitos que a banca costuma explorar: estabilidade da fratura e estabilidade da fixação. A estabilidade da fratura é uma propriedade intrínseca do padrão de fratura — depende do traço, do número de fragmentos, do desvio inicial e das forças musculares que atuam sobre ela. Já a estabilidade da fixação é o que o cirurgião consegue obter com o implante (placa, haste, parafuso), podendo ser absoluta (sem mobilidade no foco) ou relativa (permite micromovimentos controlados). Uma fratura pode ser estável por natureza (ex.: fratura impactada do colo do fêmur) ou tornar-se estável após uma osteossíntese adequada.
A definição do enunciado — "não se desvia visivelmente sob carga fisiológica" — é a definição clássica de fratura estável. O termo "visivelmente" é importante: significa que, sob as cargas normais (peso corporal, contração muscular, atividades cotidianas), a fratura não perde o alinhamento. Isso não quer dizer que não haja nenhum movimento microscópico — na verdade, toda fratura em consolidação apresenta algum grau de micromovimento, que é até desejável na consolidação secundária (calo ósseo). O que define a estabilidade é a ausência de desvio clinicamente ou radiograficamente perceptível.
Um exemplo prático: uma fratura transversa simples do terço médio da tíbia, sem desvio, tratada com gesso, é considerada estável porque o padrão de traço e a imobilização impedem o desvio sob carga. Já uma fratura cominutiva (múltiplos fragmentos) é instável por natureza, pois os fragmentos tendem a colapsar sob carga — por isso exige fixação cirúrgica com estabilidade relativa (haste intramedular ou placa em ponte).
A banca explora aqui a confusão entre fratura estável e fratura sem desvio. Uma fratura pode estar sem desvio no momento do diagnóstico, mas ser instável (ex.: fratura oblíqua longa, que tende a encurtar sob carga). A estabilidade é um conceito dinâmico, relacionado ao comportamento sob carga, não apenas à posição inicial dos fragmentos.
Guarde o critério decisivo: estabilidade = capacidade de manter o alinhamento sob carga fisiológica. É exatamente isso que a assertiva afirma, e é isso que separa o certo do errado nesta questão.
A afirmativa está correta. A definição de fratura estável como aquela que "não se desvia visivelmente sob carga fisiológica" é a definição consagrada na literatura ortopédica. Ela está alinhada com o princípio de fixação estável descrito nos princípios de osteossíntese: a estabilização deve ser suficiente para suportar as demandas biomecânicas locais, permitindo a consolidação sem perda de redução.
O termo "visivelmente" é a chave: exclui os micromovimentos que ocorrem em qualquer fratura, mas que não comprometem o alinhamento. Uma fratura estável pode até apresentar pequenos movimentos no foco, mas eles não são suficientes para causar desvio perceptível. Isso contrasta com a fratura instável, que se desvia sob carga, exigindo fixação cirúrgica para restaurar a estabilidade.
Portanto, a assertiva está correta e o gabarito é a letra C.
Gabarito: letra C (CERTO).
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