Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce211544
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- Polícia Federal
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Ortopedista
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: letra C (CERTO). A afirmativa está correta porque, na categorização do pé pediátrico, o termo "normal" é de fato enganoso: a postura de pé plano é um achado fisiológico e esperado em determinadas faixas etárias, e a postura do pé da criança em desenvolvimento varia conforme a idade. Essa é uma compreensão consolidada na ortopedia pediátrica, baseada no desenvolvimento natural do arco plantar.
O pé plano, também chamado de "pé chato", é uma das preocupações mais comuns que levam pais a procurarem o ortopedista pediátrico, muitas vezes de forma desnecessária. A chave para o manejo correto está em entender que a queda do arco longitudinal medial é uma característica fisiológica nas crianças pequenas, especialmente quando estão iniciando a marcha. O arco plantar não está presente ao nascimento; ele se desenvolve progressivamente durante a primeira década de vida. Estima-se que cerca de 70% das crianças desenvolvam o arco até por volta dos 4 anos de idade, mas a persistência do pé plano até a vida adulta também pode ocorrer. Além disso, um fator que contribui para a aparência de pé plano em crianças pequenas é a presença de um coxim gorduroso plantar, que preenche a região do arco e costuma desaparecer entre 3 e 4 anos de idade, dando a impressão de um pé plano fisiológico.
A avaliação ortopédica, portanto, deve ser dependente da idade. Em crianças pequenas, o pé plano é a regra, não a exceção. A preocupação clínica surge quando o pé plano persiste após os 5 anos de idade, quando se deve realizar uma avaliação mais cuidadosa para diferenciar o pé plano flexível (a forma mais comum, geralmente benigna e assintomática) do pé plano rígido (que pode estar associado a condições como coalizão tarsal, tálus vertical ou doenças neuromusculares, como a paralisia cerebral). O teste de Jack, que consiste na dorsiflexão do hálux, é um exame simples que ajuda nessa distinção: se o arco se forma com essa manobra, o pé plano é flexível.
A afirmativa da questão toca exatamente nesse ponto: usar o termo "normal" de forma absoluta para descrever a postura do pé é enganoso, pois o que é normal em uma idade (pé plano aos 2 anos) pode não ser em outra (pé plano aos 10 anos). A postura do pé da criança em desenvolvimento é um espectro que muda com o tempo, e o ortopedista deve interpretar cada caso à luz da faixa etária. A banca explora a compreensão de que o desenvolvimento do arco plantar é um processo dinâmico, e não um estado fixo.
A banca testa se o candidato entende que "normal" não é um conceito absoluto na ortopedia pediátrica. O erro comum seria pensar que o pé plano é sempre uma anormalidade que precisa de tratamento. Na verdade, o pé plano é um achado normal em crianças pequenas, e o termo "normal" aplicado de forma genérica à postura do pé é enganoso justamente porque a normalidade depende da idade. A questão inverte a lógica do senso comum: o que parece ser uma deformidade (pé plano) é, na verdade, parte do desenvolvimento fisiológico em determinadas fases.
✅ CERTO. A afirmativa está correta ao afirmar que o termo "normal" é enganoso na categorização do pé pediátrico, pois o pé plano é um achado normal em idades específicas e a postura do pé da criança em desenvolvimento é dependente da idade. Essa é a compreensão atual da ortopedia pediátrica, que orienta a conduta expectante na maioria dos casos de pé plano infantil.
Gabarito: letra C (CERTO).
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