Questão de Medicina Legal — Genética forense — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce212021
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- Polícia Federal
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Perito Criminal Federal - Área 19: Genética Forense:
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: Errado. A afirmativa comete a falácia da condicional transposta (ou falácia do promotor), confundindo a probabilidade de se obter a coincidência dado que o suspeito é culpado [P(E|H1)] com a probabilidade de o suspeito ser culpado dada a coincidência [P(H1|E)]. O cálculo correto pelo Teorema de Bayes, considerando a chance a priori (1/300 ≈ 0,33%) e a taxa de falsos positivos (1%), mostra que a probabilidade pós-teste é de aproximadamente 25%, e não 100%.
A questão fornece:
Probabilidade a priori de o suspeito ser culpado:
Probabilidade de coincidência se culpado:
Probabilidade de coincidência se inocente:
Queremos , que é a probabilidade de o suspeito ser culpado após a coincidência. Pelo Teorema de Bayes:
Substituindo:
Portanto, mesmo com a coincidência, a chance de o suspeito ser o autor é de apenas 25%, não 100%. A afirmativa ignora a probabilidade a priori e a possibilidade de falso positivo, além de cometer o erro lógico de inverter a condicional.
A banca explora a falácia da condicional transposta, muito comum em provas de genética forense. O candidato pode ser induzido a pensar que uma coincidência genética (match) é prova definitiva, mas é necessário aplicar o Teorema de Bayes para calibrar a força da evidência. A confusão entre e é a essência da "falácia do promotor".
Lembre-se: a razão de verossimilhança (LR) não é a probabilidade de o suspeito ser culpado. Para calcular , é preciso usar o Teorema de Bayes com a probabilidade a priori. Em provas, distinga sempre de . Treine com exercícios que forneçam odds a priori e taxa de falso positivo.
Conclusão: ❌ ERRADO. A afirmativa é falsa, conforme demonstrado pelo cálculo bayesiano e pela correta interpretação da evidência genética.
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