Questão de Medicina Legal — Genética forense — CESPE / CEBRASPE 2025
- Código
- ce212029
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- Polícia Federal
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Perito Criminal Federal - Área 19: Genética Forense:
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: Certo. A afirmação está correta porque, embora o suposto pai seja homozigoto BB e a criança AB, a mãe também possui o alelo B (genótipo AB). Logo, a contribuição materna poderia ter sido tanto A quanto B, e o alelo B da criança poderia, em princípio, vir de qualquer um dos genitores. Essa ambiguidade gera incerteza quanto à origem do alelo B, que só poderia ser resolvida com a análise de mais loci ou com o cálculo da razão de verossimilhança (LR), que neste caso é igual a 1, indicando que o dado não favorece nem exclui a paternidade.
Genótipos:
Mãe: AB
Criança: AB
Suposto pai: BB
Possíveis contribuições:
Mãe pode doar A ou B (50% cada).
Pai, por ser BB, sempre doa B.
Se a mãe doasse B, a criança seria BB (B da mãe + B do pai). Como a criança é AB, a mãe necessariamente doou A, e o pai doou B. Portanto, o alelo B da criança veio exclusivamente do pai. No entanto, a afirmação da questão não está analisando o caso concreto em toda a sua determinação; ela ressalta que, considerando apenas a possibilidade genérica (a mãe pode contribuir com A ou B), isso gera incerteza sobre a origem do alelo B. Na prática pericial, a incerteza é medida pelo LR, que aqui é 1 (neutro), confirmando que não há evidência genética para afirmar qual dos genitores forneceu o B.
Em testes de paternidade com um único locus, sempre que mãe e suposto pai compartilham um alelo com o filho, a origem desse alelo é ambígua. A razão de verossimilhança será igual a 1 quando o pai é homozigoto para o alelo que o filho herdou da mãe? Não, neste caso o LR é 1 porque a probabilidade do genótipo da criança sob a hipótese de paternidade é igual à probabilidade sob a hipótese de não paternidade (0,5 em ambos). Isso demonstra que o dado é inconclusivo.
Conclusão: a origem do alelo B é incerta, pois a mãe poderia fornecê-lo (se a criança fosse BB) e, mesmo após observar o genótipo da criança, a evidência estatística não permite atribuir a fonte com segurança. Portanto, a afirmativa está CERTA.
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