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Questão de Direito Penal — Crimes contra a administração pública — CESPE / CEBRASPE 2025

Direito PenalCrimes contra a administração pública
Código
ce213015
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Aracaju - SE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Procurador Municipal
A partir dessa situação hipotética, julgue o item a seguir.A decretação da perda dos bens em valor excedente ao patrimônio lícito de Marcos independe de requerimento expresso do Ministério Público, bastando, para tanto, que seja constatada, no curso do processo, a incompatibilidade patrimonial.
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  2. EErrado
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Perda de bens excedentes ao patrimônio lícito (art. 91-A do CP)

ERRADO. A decretação da perda de bens ou valores correspondentes à diferença entre o patrimônio do condenado e o que seria compatível com seus rendimentos lícitos (confisco alargado, art. 91-A do CP) depende de requerimento expresso do Ministério Público, não sendo automática. Portanto, a afirmação de que independe de requerimento expresso é incorreta.

O art. 91-A, inserido pela Lei nº 13.964/2019 (Pacote Anticrime), estabelece regra especial aplicável aos crimes com pena superior a seis anos de reclusão – como o peculato (art. 312, CP), cuja pena máxima é de 12 anos. Diferentemente do confisco genérico do art. 91, II, que é efeito automático da condenação, a perda dos bens excedentes exige provocação do MP.

Conforme a doutrina:

"A perda dos bens deve ser requerida expressamente pelo Ministério Público na sentença, já com uma indicação da diferença apurada, ainda que se cuide de aferição preliminar (§ 3º)." E "a perda dos bens disciplinada no art. 91-A deve ser expressamente decretada na sentença, que há, também, de declarar o valor da diferença apurada e especificar os bens cuja perda for decretada (§ 4º)."

No caso concreto, a simples constatação de incompatibilidade patrimonial no curso do processo não basta: é indispensável que o Ministério Público formule pedido expresso na denúncia ou ao longo da instrução, e que o juiz declare a perda na sentença.

ERRADO.

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