Questão de Medicina — Angiologia — CESPE / CEBRASPE 2025
Medicina›Angiologia
Código
ce213822
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Boa Vista - RR
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Cirurgião Vascular
Assinale a opção em que são corretamente citadas medicações flebotônicas utilizadas comumente em tratamento de insuficiência venosa crônica (IVC).
Adiosmina e hesperidina
Brivaroxabana e dobesilato de cálcio
Cdexametasona e Fondaparinux®
Dácido acetilsalicílico e estreptoquinase
Ewarfarina e diosmina
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GabaritoA — diosmina e hesperidina
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Flebotônicos na Insuficiência Venosa Crônica (IVC)
Gabarito: letra A. As medicações flebotônicas (ou venoativas) mais comumente citadas no tratamento da insuficiência venosa crônica são a diosmina e a hesperidina, flavonoides que atuam aumentando o tônus venoso e melhorando o retorno venoso. As demais alternativas trazem fármacos de outras classes terapêuticas, como anticoagulantes, antiagregantes, anti-inflamatórios e trombolíticos, que não são classificados como flebotônicos.
A insuficiência venosa crônica (IVC) é uma síndrome caracterizada pela incapacidade do sistema venoso de promover o retorno adequado do sangue ao coração, geralmente por refluxo ou obstrução venosa. Isso leva a um acúmulo de sangue nos membros inferiores, com consequente hipertensão venosa, edema, alterações cutâneas e, em casos avançados, úlceras. A classificação CEAP (Clínica, Etiológica, Anatômica e Fisiopatológica) é o sistema mais utilizado para graduar a gravidade da doença, variando de C0 (sem sinais visíveis) a C6 (úlcera ativa).
O tratamento da IVC é multimodal e depende da gravidade, do tempo de evolução e da etiologia. A terapia de compressão venosa (meias elásticas de 20-30 mmHg) é considerada o manejo conservador padrão para pacientes sintomáticos (CEAP C3-C6). A compressão é eficaz para aliviar os sintomas, mas não corrige a causa do refluxo, sendo o tratamento cirúrgico definitivo indicado para pacientes com refluxo comprovado, exceto se houver contraindicação ou recusa.
Os medicamentos flebotônicos (ou venoativos) são uma classe de fármacos que atuam sobre a parede venosa, aumentando o tônus, reduzindo a permeabilidade capilar e melhorando o retorno venoso. A diosmina e a hesperidina são os representantes mais conhecidos e utilizados, sendo flavonoides derivados da rutina. Apesar de serem amplamente prescritos, as diretrizes atuais recomendam cautela: não se recomenda a prescrição rotineira de medicamentos venoativos para IVC, pois há informação limitada sobre seu uso. Possivelmente, existe leve benefício na prescrição de fármacos venoativos, como diosmina e hesperidina, quando associados à compressão elástica.
A banca explora a confusão entre as classes terapêuticas: o candidato que não domina a farmacologia vascular pode confundir flebotônicos com anticoagulantes, antiagregantes ou trombolíticos, que são usados em outras condições vasculares, como trombose venosa profunda (TVP) e embolia pulmonar. A distinção é essencial: enquanto os flebotônicos atuam na parede venosa e no tônus, os anticoagulantes (como rivaroxabana e warfarina) inibem a cascata de coagulação, os antiagregantes (como AAS) inibem a agregação plaquetária, e os trombolíticos (como estreptoquinase) dissolvem trombos já formados.
Guarde a fronteira entre as classes: flebotônicos (diosmina, hesperidina, dobesilato de cálcio) × anticoagulantes (rivaroxabana, warfarina) × antiagregantes (AAS) × trombolíticos (estreptoquinase) × anti-inflamatórios (dexametasona). É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
Classe Terapêutica
Exemplos
Mecanismo de Ação
Flebotônicos (venoativos)
Diosmina, hesperidina, dobesilato de cálcio
Aumentam o tônus venoso, reduzem a permeabilidade capilar e melhoram o retorno venoso
Anticoagulantes
Rivaroxabana, warfarina, fondaparinux
Inibem a cascata de coagulação (fator Xa ou vitamina K)
Antiagregantes plaquetários
Ácido acetilsalicílico (AAS)
Inibem a agregação plaquetária
Trombolíticos (fibrinolíticos)
Estreptoquinase
Dissolvem trombos já formados
Corticosteroides (anti-inflamatórios)
Dexametasona
Ação anti-inflamatória e imunossupressora
Flebotônicos (venoativos)
1Diosmina
2Hesperidina
3Dobesilato de cálcio
4Outras classes vasculares
Anticoagulantes
Rivaroxabana
Warfarina
Fondaparinux
Antiagregantes
AAS
Trombolíticos
Estreptoquinase
Corticosteroides
Dexametasona
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A diosmina e a hesperidina são, de fato, os flebotônicos mais comumente utilizados no tratamento da insuficiência venosa crônica. São flavonoides que atuam aumentando o tônus venoso, melhorando o retorno venoso e reduzindo a permeabilidade capilar. O próprio material de apoio menciona que "possivelmente, existe leve benefício na prescrição de fármacos venoativos, como diosmina e hesperidina, quando associados à compressão elástica".
Alternativa B — ❌ Incorreta
A rivaroxabana é um anticoagulante oral direto (inibidor do fator Xa), utilizado na prevenção e tratamento de trombose venosa profunda e embolia pulmonar, não sendo um flebotônico. O dobesilato de cálcio, por sua vez, é um flebotônico, mas a combinação com rivaroxabana torna a alternativa incorreta, pois a rivaroxabana não pertence à classe dos flebotônicos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A dexametasona é um corticosteroide com potente ação anti-inflamatória e imunossupressora, utilizada em diversas condições, mas não é um flebotônico. O Fondaparinux® (fondaparinux sódico) é um anticoagulante (inibidor seletivo do fator Xa), utilizado na profilaxia e tratamento de eventos tromboembólicos. Nenhum dos dois é classificado como flebotônico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O ácido acetilsalicílico (AAS) é um antiagregante plaquetário e anti-inflamatório não esteroidal, utilizado na prevenção de eventos cardiovasculares e cerebrovasculares. A estreptoquinase é um trombolítico (fibrinolítico), utilizado na dissolução de trombos em situações agudas como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral isquêmico. Nenhum dos dois é flebotônico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A warfarina é um anticoagulante oral (antagonista da vitamina K), amplamente utilizada na prevenção e tratamento de eventos tromboembólicos, como TVP e fibrilação atrial. A diosmina é um flebotônico, mas a combinação com warfarina torna a alternativa incorreta, pois a warfarina não pertence à classe dos flebotônicos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura classes terapêuticas diferentes para confundir o candidato. O erro mais comum é associar qualquer medicamento vascular a flebotônico. Lembre-se: flebotônicos atuam na parede venosa (diosmina, hesperidina, dobesilato de cálcio); anticoagulantes inibem a coagulação (rivaroxabana, warfarina, fondaparinux); antiagregantes inibem plaquetas (AAS); trombolíticos dissolvem trombos (estreptoquinase); e corticosteroides têm ação anti-inflamatória (dexametasona). Com treino, você identifica essas trocas de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar os flebotônicos, associe-os à "família dos flavonoides": diosmina, hesperidina e dobesilato de cálcio. Eles são os únicos que atuam diretamente no tônus venoso. Na dúvida, pergunte-se: "esse medicamento melhora o retorno venoso?" Se a resposta for não, não é flebotônico.