Questão de Medicina — Angiologia — CESPE / CEBRASPE 2025
Medicina›Angiologia
Código
ce213830
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Boa Vista - RR
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Cirurgião Vascular
Paciente de 50 anos de idade, atendida em ambulatório de cirurgia vascular, queixava-se principalmente de dores nas pernas, que, segundo ela, melhoravam à elevação dos membros inferiores. O exame físico revelou pulsos proximais e distais palpáveis nos dois membros inferiores, úlcera única em terço distal e face medial da perna direita, e edema na perna esquerda.Nessa situação hipotética, os achados relativos à perna direita e à perna esquerda da paciente, correspondem, respectivamente, conforme a classificação de insuficiência venosa crônica CEAP, a
AC3 e C6.
BC3 e C5.
CC6 e C1.
DC6 e C3.
EC6 e C5.
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GabaritoD — C6 e C3.
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Classificação CEAP na insuficiência venosa crônica
Gabarito: letra D. A perna direita apresenta úlcera em terço distal e face medial — o grau máximo de alteração trófica venosa, classificado como C6 — e a perna esquerda apresenta edema, classificado como C3. A classificação CEAP (Clínica, Etiologia, Anatomia, Fisiopatologia) é o sistema padronizado para estadiar a insuficiência venosa crônica, e a questão exige o correto enquadramento clínico de cada membro.
A classificação CEAP é dividida em quatro componentes: clínico (C0 a C6), etiológico (E), anatômico (A) e fisiopatológico (P). O componente clínico é o mais utilizado na prática e na avaliação de provas, pois descreve os sinais objetivos da doença venosa crônica, variando desde a ausência de sinais visíveis até a úlcera ativa. A compreensão de cada grau é essencial para o correto estadiamento e para a escolha terapêutica.
O componente clínico da classificação CEAP é o seguinte:
C0: sem sinais visíveis ou palpáveis de doença venosa.
C1: telangiectasias ou veias reticulares.
C2: veias varicosas.
C3: edema.
C4: alterações tróficas da pele (pigmentação, eczema, lipodermatoesclerose, atrofia branca).
C5: úlcera cicatrizada.
C6: úlcera ativa.
No caso apresentado, a paciente tem úlcera única em terço distal e face medial da perna direita. Essa localização é típica de úlcera venosa, que ocorre na região perimaleolar medial, e a presença de úlcera ativa a classifica como C6. Já a perna esquerda apresenta edema, que corresponde ao grau C3 da classificação. A dor que melhora com a elevação dos membros e a presença de pulsos palpáveis reforçam a etiologia venosa, afastando componente arterial significativo.
A banca explora a confusão entre os graus C5 e C6: ambos envolvem úlcera, mas C5 é a úlcera cicatrizada, enquanto C6 é a úlcera ativa. Como a paciente tem úlcera ativa, o correto é C6. Além disso, o edema é classificado como C3, e não como C1 (telangiectasias) ou C5 (úlcera cicatrizada).
1C0: sem sinais visíveis
2C1: telangiectasias
3C2: varizes
4C3: edema
5C4: alterações tróficas
6C5: úlcera cicatrizada
7C6: úlcera ativa
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Erra ao classificar a perna direita como C3 (edema) e a perna esquerda como C6 (úlcera ativa). Inverte os achados: a úlcera ativa está na perna direita (C6) e o edema na perna esquerda (C3).
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erra ao classificar a perna direita como C3 (edema) e a perna esquerda como C5 (úlcera cicatrizada). A perna direita tem úlcera ativa (C6), não edema; e a perna esquerda tem edema (C3), não úlcera cicatrizada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erra ao classificar a perna direita como C6 (úlcera ativa), o que está correto, mas classifica a perna esquerda como C1 (telangiectasias ou veias reticulares). O achado na perna esquerda é edema, que corresponde a C3, não C1.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Classifica corretamente a perna direita como C6 (úlcera ativa) e a perna esquerda como C3 (edema). A úlcera ativa em região perimaleolar medial é o grau máximo de alteração trófica venosa, e o edema é o sinal clínico do grau C3.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erra ao classificar a perna esquerda como C5 (úlcera cicatrizada). O achado na perna esquerda é edema, que corresponde a C3, não a uma úlcera cicatrizada.
A classificação CEAP é uma ferramenta fundamental na avaliação da insuficiência venosa crônica, e a correta distinção entre os graus clínicos é essencial para o manejo adequado. A úlcera ativa (C6) e a úlcera cicatrizada (C5) são frequentemente confundidas, mas a presença de lesão aberta define C6. O edema (C3) é um sinal precoce, enquanto as alterações tróficas (C4) e as úlceras (C5/C6) representam estágios mais avançados.