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Questão de Medicina — Angiologia — CESPE / CEBRASPE 2025

MedicinaAngiologia
Código
ce213831
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Boa Vista - RR
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Cirurgião Vascular
Paciente do sexo masculino, de 68 anos de idade, coronariopata, hipertenso há 15 anos, faz uso de quatro anti-hipertensivos (incluídos diurético tiazídico, IECA e bloqueador de canal de cálcio). Nas últimas oito semanas, teve dois episódios de edema agudo de pulmão, necessitando de internação. A creatinina subiu de 1,2 mg/dL para 1,8 mg/dL em seis meses. No consultório, apresenta pressão arterial de 168 mmHg × 94 mmHg e sopros abdominais audíveis em flanco direito.Diante da suspeita de hipertensão renovascular, a conduta mais alinhada às recomendações atuais consiste em
  1. Apriorizar investigação de hiperaldosteronismo primário com amostragem venosa adrenal, pois é a causa mais provável dos descompassos clínicos.
  2. Bsolicitar angiotomografia computadorizada de artérias renais como rastreamento em todos os pacientes hipertensos com aterosclerose difusa, independentemente de suspeita clínica.
  3. Cmanter tratamento clínico sem mudanças e reavaliar o quadro em doze meses, já que revascularização de artéria renal não demonstrou benefício nos ensaios clínicos.
  4. Dencaminhar o paciente para avaliação de revascularização percutânea da artéria renal (angioplastia com/sem stent), após confirmação anatômica por exame apropriado, no caso de hipertensão resistente, piora de função renal e episódios de edema agudo de pulmão.
  5. Eindicar angioplastia renal sem stent quando se tratar de quadro típico de displasia fibromuscular, como no caso clínico apresentado.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — encaminhar o paciente para avaliação de revascularização percutânea da artéria renal (angioplastia com/sem stent), após confirmação anatômica por exame apropriado, no caso de hipertensão resistente, piora de função renal e episódios de edema agudo de pulmão.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipertensão renovascular: quando revascularizar

Gabarito: letra D. O paciente apresenta o cenário clássico em que a revascularização renal é recomendada: hipertensão resistente (4 anti-hipertensivos), piora da função renal (creatinina de 1,2 → 1,8 mg/dL) e episódios recorrentes de edema agudo de pulmão (EAP), com sopro abdominal sugerindo estenose de artéria renal. A conduta é encaminhar para avaliação de angioplastia renal com/sem stent, após confirmação anatômica por exame de imagem apropriado — exatamente o que a alternativa D descreve. As diretrizes atuais (Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2020/2025 e diretrizes europeias) indicam revascularização nesses cenários específicos, não como rastreamento geral.

A hipertensão renovascular é uma causa secundária de hipertensão arterial, presente em menos de 2% dos hipertensos na prática geral, mas em até 30% daqueles com hipertensão refratária. As duas principais causas são a aterosclerose (cerca de 85% dos casos, típica em idosos com doença aterosclerótica difusa) e a displasia fibromuscular (cerca de 15%, típica em mulheres jovens entre 15 e 50 anos). O caso clínico descreve um homem de 68 anos, coronariopata, com sopro abdominal — o que aponta fortemente para estenose aterosclerótica, não displasia fibromuscular.

A suspeita clínica de estenose de artéria renal se baseia em achados como: hipertensão grave de início recente em pacientes > 55 anos, sopro abdominal, piora da função renal (especialmente aumento ≥ 50% da creatinina após uso de IECA ou BRA), hipertensão resistente/refratária e edema pulmonar recorrente — todos presentes no caso. O rastreamento não é indicado para todos os hipertensos com aterosclerose difusa, apenas para aqueles com suspeita clínica fundamentada.

A revascularização renal (angioplastia com ou sem stent) é recomendada em situações específicas, conforme as diretrizes: hipertensão resistente, deterioração da função renal e episódios de EAP (flash pulmonary edema). Os ensaios clínicos randomizados (como ASTRAL e CORAL) não demonstraram benefício da revascularização na maioria dos pacientes com estenose aterosclerótica, mas há consenso de que subgrupos específicos — justamente os que apresentam EAP recorrente, hipertensão resistente ou piora renal — podem se beneficiar. A alternativa C erra ao afirmar que a revascularização "não demonstrou benefício" de forma absoluta, ignorando essas indicações precisas.

A alternativa E também está incorreta: a angioplastia sem stent é indicada para displasia fibromuscular, mas o caso clínico é de aterosclerose (homem idoso, coronariopata), não de displasia fibromuscular. A alternativa A erra ao priorizar hiperaldosteronismo primário, que é a causa mais comum de hipertensão secundária em geral, mas o quadro clínico (sopro abdominal, piora renal, EAP) aponta diretamente para doença renovascular. A alternativa B erra ao sugerir rastreamento universal com angiotomografia em todos os hipertensos com aterosclerose difusa, sem suspeita clínica — isso não é custo-efetivo e não é recomendado.

Guarde o critério decisivo: a revascularização renal é indicada em três cenários — hipertensão resistente, piora da função renal e EAP recorrente — sempre após confirmação anatômica por exame de imagem (angiotomografia, angio-RM ou arteriografia). É exatamente nesses três pontos que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Prioriza a investigação de hiperaldosteronismo primário com amostragem venosa adrenal. Embora o hiperaldosteronismo primário seja a causa mais comum de hipertensão secundária na população geral, o quadro clínico deste paciente — sopro abdominal, piora da função renal e EAP recorrente — aponta diretamente para doença renovascular. A amostragem venosa adrenal seria indicada se houvesse suspeita de aldosteronismo (hipocalemia, adenoma adrenal), o que não é o caso. A alternativa troca a causa mais provável para este paciente específico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Sugere angiotomografia de artérias renais como rastreamento em todos os hipertensos com aterosclerose difusa, independentemente de suspeita clínica. Isso contraria as recomendações: o rastreamento de estenose de artéria renal só é indicado quando há suspeita clínica fundamentada (hipertensão resistente, piora renal, EAP, sopro abdominal). Rastreamento universal não é custo-efetivo e expõe pacientes a contraste e radiação desnecessários. A alternativa generaliza indevidamente a indicação do exame.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a revascularização renal não demonstrou benefício nos ensaios clínicos e que se deve manter tratamento clínico sem mudanças por 12 meses. Embora os ensaios ASTRAL e CORAL não tenham mostrado benefício global, há subgrupos claramente beneficiados: hipertensão resistente, piora da função renal e EAP recorrente — todos presentes no caso. A alternativa ignora essas indicações específicas e propõe conduta passiva diante de um quadro de risco (EAP recorrente). A revascularização é recomendada exatamente nesses cenários.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Encaminhar para avaliação de revascularização percutânea (angioplastia com/sem stent) após confirmação anatômica por exame apropriado, no caso de hipertensão resistente, piora de função renal e episódios de EAP. Esta é a conduta alinhada às diretrizes atuais: o paciente preenche os três critérios de indicação de revascularização. A confirmação anatômica (angiotomografia, angio-RM ou arteriografia) é passo obrigatório antes da intervenção. A alternativa espelha corretamente a recomendação das diretrizes brasileiras e europeias.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Indica angioplastia renal sem stent para displasia fibromuscular, afirmando que o caso clínico é típico dessa condição. Há dois erros: (1) o caso é de aterosclerose (homem de 68 anos, coronariopata, sopro abdominal), não de displasia fibromuscular, que é típica de mulheres jovens; (2) a angioplastia sem stent é a abordagem para displasia fibromuscular, mas não se aplica a este paciente. A alternativa confunde as duas etiologias da estenose de artéria renal e suas respectivas abordagens.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as duas etiologias da estenose de artéria renal. A displasia fibromuscular (DFM) é típica de mulheres jovens (15–50 anos) e tratada com angioplastia sem stent; a aterosclerose é típica de idosos com doença aterosclerótica difusa e tratada com stent. O caso descreve um homem de 68 anos, coronariopata — claramente aterosclerose. A alternativa E tenta fazer você aplicar o tratamento da DFM ao caso errado. Fique atento à idade e ao perfil do paciente para identificar a etiologia.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de hipertensão renovascular, memorize a tríade de indicação de revascularização: hipertensão resistente, piora da função renal e edema agudo de pulmão recorrente. Se a alternativa mencionar revascularização, verifique se o caso preenche pelo menos um desses critérios. E lembre: rastreamento de estenose renal só com suspeita clínica, nunca universal.

Gabarito: letra D

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