Questão de Medicina — Angiologia — CESPE / CEBRASPE 2025
Medicina›Angiologia
Código
ce213832
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Boa Vista - RR
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Cirurgião Vascular
Paciente de 65 anos de idade, assintomático, com doença coronariana estável, está em acompanhamento anual de estenose carotídea unilateral. O último doppler realizado anteriormente demonstrava estenose de 65%. No novo exame, observa-se progressão para 75%-80%.Considerando a necessidade de confirmar o grau de estenose para decisão cirúrgica no caso apresentado, assinale a opção que indica o exame mais apropriado a ser realizado.
Aradiografia simples de pescoço para avaliação da calcificação vascular
Barteriografia como primeira escolha
Cressonância magnética de carótidas sem contraste
Dangiotomografia computadorizada de carótidas
Eecocardiograma transesofágico para avaliação do fluxo carotídeo
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GabaritoD — angiotomografia computadorizada de carótidas
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Estenose carotídea: confirmação do grau para decisão cirúrgica
Gabarito: letra D. Para confirmar o grau de estenose carotídea (75%-80%) e embasar a decisão cirúrgica, o exame mais apropriado é a angiotomografia computadorizada de carótidas, método não invasivo, de alta acurácia e que permite avaliar a anatomia vascular e a morfologia da placa, sendo preferível à arteriografia (invasiva) como primeira escolha. A decisão se baseia na necessidade de um exame confirmatório de alta resolução, não invasivo, para quantificar a estenose e planejar a intervenção.
A estenose carotídea é a principal causa evitável de acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico. O grau de estenose, medido pelo Doppler, é um dos principais fatores para indicar a revascularização (endarterectomia ou angioplastia com stent). No paciente assintomático, a indicação cirúrgica é considerada quando a estenose é > 70%, como no caso (75%-80%). No entanto, o Doppler é um exame de triagem e, quando há progressão ou discordância com a clínica, é necessário um exame confirmatório de maior acurácia para quantificar com precisão o grau de obstrução e avaliar a morfologia da placa (úlcera, trombo, hemorragia intraplaca), fatores que influenciam a decisão.
A angiotomografia computadorizada (angioTC) é um método não invasivo, rápido e de alta resolução espacial, que permite reconstruções tridimensionais e avaliação detalhada da placa aterosclerótica. É considerada uma excelente alternativa à arteriografia para o planejamento cirúrgico, com alta sensibilidade e especificidade para estenoses significativas. A arteriografia (angiografia por subtração digital) é o padrão-ouro, mas é invasiva, com risco de complicações (AVC, dissecção, hematoma), sendo reservada para casos em que há dúvida diagnóstica ou quando se planeja intervenção percutânea (angioplastia/stent). A ressonância magnética (RM) também é não invasiva e pode avaliar a placa, mas tem menor disponibilidade, maior custo e é mais suscetível a artefatos de movimento e calcificação. A radiografia simples não avalia o lúmen vascular. O ecocardiograma transesofágico avalia o coração e a aorta torácica, não as carótidas.
A escolha do exame confirmatório deve considerar a acurácia, a invasividade, o custo e a disponibilidade. No contexto de decisão cirúrgica, a angioTC é a opção mais equilibrada, pois é não invasiva, precisa e amplamente disponível. A arteriografia fica reservada para casos selecionados, como quando há necessidade de intervenção percutânea simultânea ou quando os métodos não invasivos são inconclusivos.
A pegadinha da questão está em considerar a arteriografia como primeira escolha, quando na prática clínica atual os métodos não invasivos (angioTC ou RM) são preferidos para confirmação diagnóstica, reservando a arteriografia para situações específicas. A banca explora a confusão entre o padrão-ouro e a primeira escolha na prática.
A radiografia simples de pescoço pode mostrar calcificações vasculares, mas não avalia o grau de estenose do lúmen. É um método sem utilidade para quantificar a obstrução carotídea e não é indicado para essa finalidade.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A arteriografia é o padrão-ouro para avaliar estenose carotídea, mas é um método invasivo, com risco de complicações (AVC, dissecção, hematoma no sítio de punção). Na prática atual, não é a primeira escolha para confirmação diagnóstica; métodos não invasivos como a angioTC são preferidos. A arteriografia é reservada para casos em que há dúvida diagnóstica ou quando se planeja intervenção percutânea.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A ressonância magnética de carótidas sem contraste pode avaliar a parede do vaso e a placa, mas tem menor acurácia para quantificar o grau de estenose quando comparada à angioTC, além de ser mais cara, menos disponível e mais suscetível a artefatos. A angioTC é superior para essa finalidade.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A angiotomografia computadorizada de carótidas é o exame mais apropriado para confirmar o grau de estenose (75%-80%) e embasar a decisão cirúrgica. É um método não invasivo, rápido, de alta resolução, que permite quantificar com precisão a estenose e avaliar a morfologia da placa (úlcera, trombo, hemorragia intraplaca), fatores que influenciam a indicação cirúrgica. É a alternativa preferida à arteriografia na prática clínica atual.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O ecocardiograma transesofágico avalia o coração e a aorta torácica, não as carótidas. Não é um exame indicado para avaliar o fluxo carotídeo ou o grau de estenose carotídea.