Questão de Medicina — Angiologia — CESPE / CEBRASPE 2025
Medicina›Angiologia
Código
ce213833
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Boa Vista - RR
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Cirurgião Vascular
Paciente do sexo masculino, de 63 anos de idade, tabagista, hipertenso e diabético, apresenta claudicação intermitente leve (ITB 0,72), sem sinais de isquemia crítica. Está em acompanhamento ambulatorial em programa de tratamento clínico otimizado.Considerando a fisiopatologia da aterosclerose e o papel das terapias clínicas, assinale a opção correta.
AO exercício supervisionado melhora condicionamento físico, mas não influencia, de forma significativa, a função endotelial ou a circulação colateral.
BO controle rigoroso da pressão arterial não diminui o estresse hemodinâmico sobre a íntima, logo pouco contribui para reduzir a progressão da lesão aterosclerótica.
CA cessação do tabagismo não está associada à melhora da função endotelial nem à redução de estresse oxidativo e de inflamação vascular.
DAs estatinas reduzem o LDL e estabilizam a capa fibrosa da placa aterosclerótica, diminuindo o risco de ruptura.
EO antiagregante plaquetário reduz o risco de eventos aterotrombóticos ao atuar na ativação plaquetária sobre superfícies endoteliais lesadas, porém não está indicado, pelo risco proibitivo de sangramento.
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GabaritoD — As estatinas reduzem o LDL e estabilizam a capa fibrosa da placa aterosclerótica, diminuindo o risco de ruptura.
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Gabarito: letra D. As estatinas reduzem o LDL e estabilizam a capa fibrosa da placa aterosclerótica, diminuindo o risco de ruptura — este é o papel central da terapia com estatina na doença arterial periférica (DAP), conforme o manejo clínico otimizado. As demais alternativas invertem ou negam efeitos comprovados das terapias clínicas (exercício, controle pressórico, cessação do tabagismo e antiagregação).
A doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) é a manifestação da aterosclerose nas artérias dos membros, caracterizada por estreitamento luminal progressivo que reduz o fluxo sanguíneo. O paciente do enunciado — homem, 63 anos, tabagista, hipertenso e diabético, com claudicação intermitente leve (ITB 0,72) — reúne os principais fatores de risco e está em estágio não crítico, o que torna o tratamento clínico otimizado a conduta central. A fisiopatologia envolve disfunção endotelial, acúmulo de lipoproteínas oxidadas na íntima, inflamação vascular e formação da placa com núcleo lipídico e capa fibrosa.
O tratamento clínico otimizado da DAP atua em múltiplas frentes, todas com evidência robusta: (1) exercício supervisionado, que melhora a capacidade funcional e a distância de marcha; (2) controle rigoroso da pressão arterial, que reduz o estresse hemodinâmico sobre a íntima; (3) cessação do tabagismo, que melhora a função endotelial e reduz estresse oxidativo e inflamação; (4) estatinas, que reduzem LDL e estabilizam a placa; e (5) antiagregantes plaquetários, que previnem eventos aterotrombóticos. Cada alternativa errada nega um desses efeitos comprovados.
A pegadinha central da questão é a inversão de evidências consolidadas: a banca apresenta como ineficazes ou não indicadas terapias que são pilares do tratamento. O candidato que conhece os benefícios de cada intervenção identifica rapidamente a única alternativa que afirma um efeito correto — as estatinas.
Tratamento clínico otimizado da DAP: Exercício supervisionado (Melhora função endotelial, Estimula circulação colateral); Controle pressórico (Reduz estresse hemodinâmico na íntima); Cessação do tabagismo (Melhora função endotelial, Reduz estresse oxidativo e inflamação); Estatinas (Reduzem LDL, Estabilizam capa fibrosa da placa); Antiagregante plaquetário (Previne eventos aterotrombóticos)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o exercício supervisionado não influencia a função endotelial nem a circulação colateral. É o oposto do que a literatura demonstra: o exercício supervisionado melhora a capacidade funcional, aumenta a distância total percorrida e o tempo livre de claudicação, além de promover adaptações endoteliais e estimular a circulação colateral. O erro está em negar benefícios vasculares comprovados do treinamento físico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o controle rigoroso da pressão arterial não diminui o estresse hemodinâmico sobre a íntima. É falso: a hipertensão arterial aumenta o estresse de cisalhamento e a tensão sobre a parede arterial, contribuindo para a disfunção endotelial e a progressão da lesão aterosclerótica. O controle pressórico é recomendado justamente para reduzir esse estresse e retardar a progressão da doença.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a cessação do tabagismo não está associada à melhora da função endotelial nem à redução de estresse oxidativo e inflamação vascular. É o contrário: o tabaco provoca vasospasmo e acelera a aterogênese, e a cessação melhora a função endotelial, reduz o estresse oxidativo e a inflamação vascular. A orientação para cessação do tabagismo é recomendação de classe I no manejo da DAP.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
As estatinas reduzem o LDL circulante e estabilizam a capa fibrosa da placa aterosclerótica, diminuindo o risco de ruptura e eventos cardiovasculares. Para todos os pacientes com doença arterial periférica, recomenda-se a prescrição de estatina, independentemente dos níveis basais de LDL, pois o benefício é consistente na redução de eventos aterotrombóticos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o antiagregante plaquetário não está indicado pelo risco proibitivo de sangramento. É falso: o ácido acetilsalicílico está indicado em doses de 100 a 200 mg/dia para prevenção de eventos cardiovasculares em pacientes com DAP, com redução de mortalidade. Embora não melhore os sintomas de claudicação, o benefício na prevenção de eventos aterotrombóticos supera o risco de sangramento nessa população.