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Questão de Medicina — Angiologia — CESPE / CEBRASPE 2025

MedicinaAngiologia
Código
ce213835
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Boa Vista - RR
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Cirurgião Vascular
Paciente do sexo masculino, de 72 anos de idade, diabético, com insuficiência renal crônica no estágio 4, apresenta úlcera isquêmica infectada no hálux direito há 6 semanas, associada a dor em repouso. Exame físico indica ausência de pulsos distais e presença de frêmito femoral.Segundo a diretriz de 2024 para insuficiência arterial crônica de membros inferiores, a conduta prioritária nesse caso deve ser
  1. Auso isolado de cilostazol e programa de exercício supervisionado para melhora da claudicação.
  2. Bamputação primária imediata, haja vista o alto risco cirúrgico e a insuficiência renal avançada.
  3. Cmanutenção de antibiótico e curativos, sem revascularização, por ausência de pulsos palpáveis.
  4. Drevascularização (endovascular, cirúrgica ou híbrida), para salvamento do membro, preferencialmente com fluxo direto para o território da úlcera (angiossoma).
  5. Eapenas analgesia e cuidados paliativos, pois dor em repouso já indica irreversibilidade da isquemia.
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GabaritoD — revascularização (endovascular, cirúrgica ou híbrida), para salvamento do membro, preferencialmente com fluxo direto para o território da úlcera (angiossoma).

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Isquemia crítica de membro inferior: revascularização como conduta prioritária

Gabarito: letra D. O paciente apresenta isquemia crítica do membro (dor em repouso + úlcera isquêmica infectada), condição em que a revascularização — endovascular, cirúrgica ou híbrida — é a conduta prioritária para salvamento do membro, preferencialmente com fluxo direto para o território da úlcera (conceito de angiossoma). As diretrizes de 2024 para insuficiência arterial crônica de membros inferiores reforçam que, na isquemia crítica, a revascularização é mandatória sempre que viável, independentemente da idade ou comorbidades, pois o risco de amputação maior sem revascularização é altíssimo.

A isquemia crítica do membro (ICM) é o estágio mais grave da doença arterial obstrutiva periférica (DAOP), definida pela presença de dor isquêmica em repouso há mais de 2 semanas, úlcera ou gangrena atribuíveis à doença arterial oclusiva. No paciente diabético, a apresentação é frequentemente mascarada pela neuropatia, mas a presença de dor em repouso e a ausência de pulsos distais confirmam o componente isquêmico grave. O frêmito femoral indica estenose significativa no segmento ilíaco/femoral, corroborando a doença oclusiva proximal.

A diretriz de 2024 (que atualiza o consenso sobre DAOP) estabelece que, na ICM, a revascularização é a pedra angular do tratamento, com o objetivo de restaurar o fluxo arterial direto para o pé. O conceito de angiossoma — território vascular que nutre uma região anatômica específica do pé — orienta a escolha da artéria-alvo: a revascularização deve priorizar o vaso que perfunde diretamente a área da úlcera, otimizando a cicatrização. As opções incluem técnicas endovasculares (angioplastia com stent), cirúrgicas (bypass) ou híbridas, sendo a escolha individualizada conforme anatomia, disponibilidade e risco cirúrgico.

A alternativa A (cilostazol + exercício) é o tratamento da claudicação intermitente, não da isquemia crítica. A alternativa B (amputação primária) é derrotista e contraria a diretriz, que preconiza tentativa de salvamento do membro sempre que houver leito distal viável. A alternativa C (apenas antibiótico e curativos) negligencia a causa da não cicatrização — a isquemia — e a alternativa E (cuidados paliativos) é inadequada, pois dor em repouso não indica irreversibilidade; pelo contrário, é exatamente o cenário em que a revascularização é mais benéfica.

A pegadinha central é o paciente idoso, diabético e com IRC estágio 4: o candidato pode ser tentado a optar por conduta conservadora ou amputação, mas a diretriz é clara — a revascularização é prioritária mesmo em pacientes de alto risco, pois o benefício de salvar o membro supera o risco cirúrgico, e a IRC não contraindica o procedimento (apenas exige cautela com contraste).

Alternativa A — ❌ Incorreta

O cilostazol e o exercício supervisionado são indicados para claudicação intermitente, não para isquemia crítica. Na ICM, o tratamento farmacológico isolado é insuficiente — a revascularização é mandatória. A alternativa confunde o estágio da doença: claudicação (tratamento clínico) versus isquemia crítica (tratamento intervencionista).

Alternativa B — ❌ Incorreta

A amputação primária imediata é uma conduta derrotista e não é a primeira opção na isquemia crítica, mesmo em paciente de alto risco. A diretriz preconiza tentativa de revascularização para salvamento do membro sempre que houver leito distal viável. A IRC avançada e o risco cirúrgico elevado não contraindicam a revascularização — apenas orientam a escolha da técnica (endovascular, menos invasiva, pode ser preferida).

Alternativa C — ❌ Incorreta

Manter apenas antibiótico e curativos sem revascularização é insuficiente: a úlcera isquêmica não cicatriza sem fluxo arterial adequado. A ausência de pulsos palpáveis indica doença oclusiva grave, mas não contraindica a revascularização — pelo contrário, é a principal indicação. O tratamento da infecção é adjuvante, mas a causa da não cicatrização (isquemia) precisa ser tratada.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A revascularização (endovascular, cirúrgica ou híbrida) é a conduta prioritária na isquemia crítica, com o objetivo de salvar o membro. A diretriz de 2024 reforça a preferência por fluxo direto para o território da úlcera (conceito de angiossoma), otimizando a cicatrização. Esta alternativa espelha exatamente a recomendação da diretriz para o caso apresentado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Dor em repouso não indica irreversibilidade da isquemia — é justamente o critério que define isquemia crítica e indica revascularização urgente. Cuidados paliativos seriam reservados para casos de não viabilidade do membro (necrose extensa irreversível) ou recusa do paciente, o que não é o caso. A alternativa confunde dor em repouso com falência terapêutica.

Gabarito: letra D — na isquemia crítica, a revascularização é sempre a conduta prioritária, preferencialmente com fluxo direto para o território da úlcera (angiossoma).

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