Questão de Medicina — Angiologia — CESPE / CEBRASPE 2025
Medicina›Angiologia
Código
ce213837
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Boa Vista - RR
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Cirurgião Vascular
Paciente do sexo masculino, de 78 anos de idade, com fibrilação atrial crônica, em uso irregular de anticoagulante, apresenta dor abdominal súbita e intensa, desproporcional ao exame físico. Tomografia computadorizada com contraste mostra oclusão proximal da artéria mesentérica superior, sem sinais de pneumoperitônio ou necrose intestinal. O paciente está hemodinamicamente instável, mas sem peritonite franca.Nesse caso clínico, a conduta padrão consiste em
Apostergar qualquer intervenção e repetir o exame de imagem em 12 horas, para avaliar a progressão do quadro, já que não há sinais radiológicos de necrose.
Bpriorizar a revascularização imediata (endovascular ou aberta), para restaurar o fluxo mesentérico, associada a anticoagulação e antibioticoterapia, realizando-se ressecção intestinal apenas se houver áreas de necrose.
Coptar por tratamento clínico intensivo com antibióticos e fluidos, pois a ausência de peritonite indica viabilidade intestinal.
Drealizar laparotomia exploradora imediata, com ressecção intestinal em extensão, sem tentativa de revascularização.
Eindicar trombólise sistêmica, que é o procedimento menos invasivo e pode restaurar o fluxo de forma difusa.
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GabaritoB — priorizar a revascularização imediata (endovascular ou aberta), para restaurar o fluxo mesentérico, associada a anticoagulação e antibioticoterapia, realizando-se ressecção intestinal apenas se houver áreas de necrose.
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Isquemia mesentérica aguda: conduta na emergência
Gabarito: letra B. Em paciente com oclusão proximal da artéria mesentérica superior, a conduta padrão é a revascularização imediata (endovascular ou aberta) para restaurar o fluxo, associada a anticoagulação e antibioticoterapia, com ressecção intestinal apenas se houver necrose — mesmo na ausência de sinais radiológicos de necrose ou peritonite franca. A instabilidade hemodinâmica, a dor desproporcional ao exame e a oclusão proximal são indicadores de gravidade que impõem intervenção urgente, não observação.
A isquemia mesentérica aguda é uma emergência vascular abdominal de alta letalidade, caracterizada pela interrupção súbita do fluxo sanguíneo intestinal, mais comumente por embolia ou trombose da artéria mesentérica superior. O quadro clássico é a dor abdominal intensa e desproporcional ao exame físico — o paciente refere dor excruciante, mas o abdome ainda está macio, sem sinais de peritonite. Essa dissociação é a marca registrada da fase inicial, antes do infarto intestinal. A fibrilação atrial, como no caso, é o principal fator de risco para embolia mesentérica, pois o trombo formado no átrio esquerdo pode se desprender e ocluir a artéria.
A fisiopatologia explica a urgência: a mucosa intestinal é extremamente sensível à hipóxia, e a viabilidade do intestino se perde em poucas horas. O tempo é tecido — cada hora de isquemia aumenta exponencialmente a chance de necrose transmural, perfuração e sepse. Por isso, a conduta não pode ser expectante. A revascularização precoce, seja por via endovascular (trombectomia aspirativa, angioplastia com stent) ou aberta (embolectomia, bypass), é o pilar do tratamento, pois restaura o fluxo antes que a necrose se estabeleça. A anticoagulação plena é iniciada para prevenir nova trombose, e a antibioticoterapia cobre a translocação bacteriana que já ocorre com a lesão de mucosa. A ressecção intestinal fica reservada para as áreas francamente necróticas, identificadas durante a laparotomia ou por achados inequívocos de imagem — não se resseca intestino viável de forma extensa profilaticamente.
A ausência de pneumoperitônio e de sinais radiológicos de necrose na tomografia não autoriza adiar a intervenção. Esses achados indicam que ainda não houve perfuração, mas a oclusão proximal da artéria mesentérica superior, com instabilidade hemodinâmica, já configura um abdome agudo vascular de alta gravidade. A peritonite franca, quando presente, é sinal de necrose avançada e pior prognóstico, mas sua ausência não exclui isquemia grave em evolução. O fluxograma de dor abdominal aguda classifica a isquemia mesentérica como condição que exige cirurgia de emergência e tratamento endovascular, com anticoagulação — exatamente o que a alternativa B descreve.
A pegadinha central desta questão é a tentação de tratar o paciente como se a ausência de peritonite e de necrose radiológica indicasse viabilidade intestinal e segurança na observação. Na isquemia mesentérica, o exame físico é notoriamente enganador nas fases iniciais, e a tomografia sem sinais de necrose não garante que o intestino esteja viável — apenas que a necrose ainda não se manifestou. O critério decisivo é a tríade: dor desproporcional + oclusão proximal + instabilidade hemodinâmica, que juntos impõem revascularização imediata. Guarde essa fronteira: na isquemia mesentérica aguda, a ausência de peritonite é a regra na fase precoce, não um sinal de segurança.
1Suspeita clínica (dor desproporcional + FA)
2Angio-TC confirma oclusão
3Revascularização imediata (endovascular/aberta)
4Anticoagulação + antibióticos
5Ressecção apenas se necrose
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Postergar a intervenção e repetir a imagem em 12 horas é conduta expectante, absolutamente contraindicada na oclusão proximal da artéria mesentérica superior com instabilidade hemodinâmica. A ausência de sinais radiológicos de necrose não indica segurança — a isquemia progride rapidamente para infarto intestinal, e 12 horas de atraso podem ser fatais. O tempo é tecido: a revascularização deve ser imediata, não adiada.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa espelha exatamente a conduta padrão: priorizar a revascularização imediata (endovascular ou aberta) para restaurar o fluxo mesentérico, associada a anticoagulação e antibioticoterapia, com ressecção intestinal apenas se houver áreas de necrose. Cada elemento é essencial: a revascularização trata a causa (oclusão), a anticoagulação previne recorrência, a antibioticoterapia combate a translocação bacteriana, e a ressecção é reservada para o intestino inviável. É a abordagem que maximiza a chance de salvar o intestino e o paciente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Optar por tratamento clínico intensivo com antibióticos e fluidos, justificando pela ausência de peritonite, é um erro grave. A ausência de peritonite não indica viabilidade intestinal na isquemia mesentérica aguda — na fase inicial, o abdome está macio justamente porque a necrose ainda não atingiu a serosa. O tratamento clínico isolado não remove a oclusão arterial e deixa a isquemia progredir. Antibióticos e fluidos são adjuvantes importantes, mas nunca substituem a revascularização.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Realizar laparotomia exploradora imediata com ressecção intestinal em extensão, sem tentativa de revascularização, é conduta mutilante e inadequada. O princípio moderno é revascularizar primeiro para salvar o intestino; ressecar extensamente sem restaurar o fluxo condena o paciente a síndrome do intestino curto e alta mortalidade. A ressecção deve ser limitada às áreas francamente necróticas, após a revascularização, quando a viabilidade pode ser melhor avaliada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Indicar trombólise sistêmica como procedimento menos invasivo é inadequado neste cenário. A trombólise sistêmica tem papel limitado e controverso na isquemia mesentérica aguda, especialmente com instabilidade hemodinâmica, pois o risco de sangramento é alto e a eficácia na oclusão proximal é incerta. A abordagem preferencial é a revascularização mecânica (endovascular ou aberta), que restaura o fluxo de forma mais rápida e controlada. Além disso, o paciente já está anticoagulado de forma irregular, o que aumenta o risco hemorrágico da trombólise.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a falsa sensação de segurança da ausência de peritonite e de necrose radiológica. Na isquemia mesentérica, o exame físico é enganador na fase precoce — a dor é desproporcional ao exame justamente porque a necrose ainda não atingiu a serosa. Não caia na armadilha de tratar a ausência de peritonite como sinal de viabilidade: a tríade dor desproporcional + oclusão proximal + instabilidade impõe revascularização imediata, sem esperar sinais de necrose avançada.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, memorize o manejo da isquemia mesentérica aguda como um fluxo: suspeita clínica (dor desproporcional + FA) → angio-TC confirma oclusão → revascularização imediata (endovascular ou aberta) + anticoagulação + antibióticos → ressecção apenas se necrose. A ausência de peritonite é a regra na fase inicial, nunca um motivo para adiar. Compare com o aneurisma roto de aorta: ambos são abdome agudo vascular com instabilidade que exigem intervenção imediata, não observação.