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Questão de Medicina — Angiologia — CESPE / CEBRASPE 2025

MedicinaAngiologia
Código
ce213839
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Boa Vista - RR
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Cirurgião Vascular
Paciente do sexo masculino, de 67 anos de idade, diabético de longa data, neuropata, apresenta úlcera plantar sobre cabeça do 2.º metatarso, com bordas calosas e fundo limpo, sem sinais de infecção ativa. Exame demonstra perda de sensibilidade protetora ao monofilamento.A partir desse caso clínico, assinale a opção correta acerca do mecanismo fisiopatológico predominante na formação do mal perfurante plantar e de sua implicação prática para a conduta cirúrgica ou clínica.
  1. AO fator determinante é hipercoagulabilidade microvascular sistêmica, o que justifica o uso de anticoagulação plena como prevenção da recorrência.
  2. BO mal perfurante plantar decorre de isquemia macrovascular isolada, sendo a conduta prioritária a revascularização arterial.
  3. CO mecanismo central é o trauma repetitivo não percebido devido à neuropatia sensitiva, associado a sobrecarga mecânica por deformidade, sendo a conduta fundamental indicada a descompressão plantar rigorosa (uso de calçados ortopédicos, palmilhas).
  4. DA fisiopatologia no caso está relacionada à infecção bacteriana inicial da derme plantar, de modo que o tratamento antibiótico precoce é suficiente para cicatrização.
  5. EA principal causa é disfunção autonômica com anidrose, que leva a fissuras e ulceração espontânea, sendo suficiente o tratamento tópico com emolientes.
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GabaritoC — O mecanismo central é o trauma repetitivo não percebido devido à neuropatia sensitiva, associado a sobrecarga mecânica por deformidade, sendo a conduta fundamental indicada a descompressão plantar rigorosa (uso de calçados ortopédicos, palmilhas).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pé diabético: mal perfurante plantar e neuropatia sensitiva

Gabarito: letra C. O mal perfurante plantar no paciente diabético neuropata decorre do trauma repetitivo não percebido — a perda da sensibilidade protetora (confirmada pelo monofilamento) faz com que a sobrecarga mecânica sobre a cabeça do metatarso, associada à deformidade, gere ulceração sem que o paciente sinta dor. A conduta fundamental é a descompressão plantar rigorosa (calçados ortopédicos, palmilhas, órteses), pois remove o agente causal. As demais alternativas trocam o mecanismo central por causas secundárias ou inexistentes.

O pé diabético é uma das complicações mais graves do diabetes mellitus, responsável por mais de 60% das amputações não traumáticas. A úlcera de pé diabético — também chamada de mal perfurante plantar — é a lesão mais importante nesse contexto. Para entender a fisiopatologia, é preciso separar os três mecanismos que podem estar envolvidos, isoladamente ou em combinação: neuropatia, doença vascular periférica e infecção. No caso clínico apresentado, o paciente é neuropata (perda de sensibilidade protetora ao monofilamento), tem úlcera plantar sobre a cabeça do 2º metatarso, com bordas calosas e fundo limpo, sem sinais de infecção ativa. Esses dados apontam claramente para o mecanismo neuropático como predominante.

A neuropatia sensitiva distal é a forma mais comum de neuropatia diabética. A perda progressiva da sensibilidade — tátil, dolorosa e proprioceptiva — faz com que o paciente não perceba o trauma repetido causado pela pressão anormal durante a marcha. No pé, a cabeça do metatarso é um ponto clássico de sobrecarga, especialmente quando há deformidades (dedos em garra, pé cavo, artropatia de Charcot). O trauma repetido, somado à atrofia dos tecidos moles e à calosidade que se forma como resposta à pressão, culmina na ulceração. A borda calosa é a marca registrada da úlcera neuropática: ela se forma porque o paciente continua apoiando o pé, sem sentir dor. O fundo limpo e a ausência de sinais infecciosos confirmam que, neste momento, o problema é mecânico, não infeccioso.

A conduta, portanto, não é tratar a infecção (que não existe ativamente) nem revascularizar (não há isquemia macrovascular descrita), mas sim descomprimir a área de pressão. O uso de calçados ortopédicos, palmilhas de descarga, órteses e, em alguns casos, gesso de contato total, permite que a úlcera cicatrize ao remover o estímulo traumático repetido. O controle glicêmico rigoroso também é essencial, pois a hiperglicemia crônica é a causa base da neuropatia. A prevenção de recorrência depende da manutenção da descompressão e do cuidado regular com os pés.

A pegadinha central desta questão é a confusão entre os três mecanismos do pé diabético. O candidato que lê "úlcera" e pensa em infecção, ou que associa diabetes a doença vascular e pensa em revascularização, erra. O enunciado foi construído para deixar claro o mecanismo neuropático: perda de sensibilidade protetora, bordas calosas, fundo limpo, sem infecção. A banca explora exatamente a dificuldade de diferenciar o pé neuropático do pé isquêmico e do pé infectado. Guarde o critério: úlcera neuropática = bordas calosas, fundo limpo, localizada em área de pressão, pulso presente; úlcera isquêmica = bordas pálidas, fundo com tecido necrótico, dor, pulso ausente; úlcera infectada = sinais flogísticos, exsudato, odor.

Critério

Úlcera Neuropática (caso)

Úlcera Isquêmica

Úlcera Infectada

Mecanismo predominante

Trauma repetido + neuropatia sensitiva

Isquemia macrovascular

Infecção bacteriana

Aspecto da borda

Calosa

Pálida

Sinais flogísticos (eritema, edema)

Aspecto do fundo

Limpo

Tecido necrótico

Exsudato, odor

Sensibilidade

Perdida (monofilamento)

Dor presente

Variável

Conduta fundamental

Descompressão plantar (calçados, palmilhas)

Revascularização arterial

Antibioticoterapia + desbridamento

Pé diabético
  • 1Mecanismos
    • Neuropatia sensitiva
      • trauma repetido não percebido
      • sobrecarga mecânica
    • Isquemia macrovascular
      • revascularização
    • Infecção
      • complicação secundária
  • 2Úlcera neuropática
    • bordas calosas
    • fundo limpo
    • área de pressão
  • 3Úlcera isquêmica
    • bordas pálidas
    • tecido necrótico
    • pulso ausente
  • 4Conduta
    • descompressão plantar
    • calçados ortopédicos
    • palmilhas
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A hipercoagulabilidade microvascular sistêmica não é o mecanismo predominante na formação do mal perfurante plantar. Embora o diabetes confira um estado protrombótico, isso não explica a úlcera plantar neuropática, e a anticoagulação plena não é indicada para prevenção de recorrência de úlcera neuropática. A alternativa confunde complicações microvasculares (retinopatia, nefropatia) com o mecanismo da úlcera, que é neuropático e mecânico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A isquemia macrovascular isolada não é o mecanismo central no caso. O paciente não apresenta sinais de doença arterial obstrutiva periférica (ausência de dor, palidez, frialdade, pulsos diminuídos). A revascularização arterial seria a conduta prioritária apenas se houvesse isquemia crítica associada. A alternativa troca o mecanismo neuropático pelo isquêmico, que é uma das causas do pé diabético, mas não a predominante neste caso.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa descreve com precisão o mecanismo fisiopatológico: trauma repetitivo não percebido devido à neuropatia sensitiva, associado a sobrecarga mecânica por deformidade. A perda da sensibilidade protetora (confirmada pelo monofilamento) impede a percepção da dor, e a pressão anormal sobre a cabeça do metatarso gera a úlcera. A conduta fundamental é a descompressão plantar rigorosa, com calçados ortopédicos e palmilhas, que remove o agente causal e permite a cicatrização.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A infecção bacteriana inicial da derme plantar não é o mecanismo fisiopatológico predominante. O enunciado afirma que a úlcera tem fundo limpo e sem sinais de infecção ativa. A infecção é uma complicação secundária que pode ocorrer após a perda da barreira cutânea, mas não é a causa da úlcera. O tratamento antibiótico precoce não é suficiente para cicatrização, pois não remove o trauma repetido que mantém a lesão.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A disfunção autonômica com anidrose contribui para a pele seca e fissuras, mas não é a principal causa do mal perfurante plantar. A anidrose é um fator coadjuvante, não o mecanismo central. O tratamento tópico com emolientes é insuficiente, pois não aborda a sobrecarga mecânica e a neuropatia sensitiva, que são os fatores determinantes.

Gabarito: letra C

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