Questão de Medicina — Neurologia — CESPE / CEBRASPE 2025
Medicina›Neurologia
Código
ce214011
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Boa Vista - RR
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Neurocirurgião Pediátrico
A epilepsia tem prevalência mundial de cerca de 1%, e a terapia farmacológica é o pilar do seu tratamento, mas sabe-se que em torno de 20% a 30% as epilepsias infantojuvenis são farmacorresistentes. A esse respeito, julgue os itens a seguir.I Dieta cetogênica fornece cetonas como combustível cerebral alternativo à glicose, modulando neurotransmissores, e reduzindo mais de 50% das crises em pelo menos 50% das crianças.II A estimulação do nervo vago é um implante de eletrodo que neuromodula a atividade cortical, visando diminuir o número, a duração e a gravidade das crises epilépticas; nesse caso, há redução imediata de metade das crises em mais de 90% das crianças.III Cirurgia para epilepsia é realizada geralmente com ressecção da área epileptogênica ou desconexão funcional, e pode ser curativa ou ter redução acentuada em até dois terços das crianças com epilepsia focal intratável e área epileptogênica bem definida.Assinale a opção correta.
AApenas o item I está certo.
BApenas o item III está certo.
CApenas os itens I e III estão certos.
DApenas os itens II e III estão certos.
ETodos os itens estão certos.
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GabaritoC — Apenas os itens I e III estão certos.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Epilepsia farmacorresistente na infância: opções terapêuticas não farmacológicas
Gabarito: letra C — estão corretos os itens I e III. A dieta cetogênica e a cirurgia ressetiva são opções eficazes e bem documentadas para epilepsia farmacorresistente na infância, enquanto a estimulação do nervo vago (ENV) tem eficácia mais modesta e gradual, não atingindo a redução de 50% das crises em mais de 90% das crianças como afirma o item II. A banca explora exatamente essa superestimativa de eficácia da ENV.
A epilepsia farmacorresistente é definida como a falha de dois esquemas medicamentosos adequados e bem tolerados para controle das crises. Quando isso ocorre, especialmente na população infantojuvenil, o tratamento não se limita aos fármacos: entram em cena a dieta cetogênica, a cirurgia e a neuromodulação (como a estimulação do nervo vago). Cada uma tem mecanismo, indicação e perfil de eficácia próprios, e é essa distinção que a questão cobra.
Dieta cetogênica: criada em 1921 na Mayo Clinic, é rica em gorduras, adequada em proteínas e pobre em carboidratos, mimetizando os efeitos bioquímicos do jejum. O mecanismo exato não é totalmente esclarecido, mas envolve a produção de corpos cetônicos que servem como combustível alternativo à glicose, modulando neurotransmissores e exercendo efeito neuroprotetor. A eficácia é notável: cerca de 10% dos pacientes ficam livres de crises e aproximadamente 40% têm redução de 50% ou mais nas crises. Ou seja, o item I está correto ao afirmar que reduz mais de 50% das crises em pelo menos 50% das crianças — um dado consistente com a literatura.
Cirurgia da epilepsia: indicada para epilepsia focal intratável com área epileptogênica bem definida. Os principais procedimentos são a ressecção da área epileptogênica, a cirurgia funcional (como calosotomia e transecção subpial múltipla) e a hemisferectomia. As taxas de sucesso variam entre 40% e 70%, sendo maiores na epilepsia do lobo temporal. A cirurgia pode ser curativa ou proporcionar redução acentuada das crises, o que valida o item III.
Estimulação do nervo vago (ENV): é um implante de eletrodo que neuromodula a atividade cortical, mas sua eficácia é mais modesta. Estudos mostram que cerca de 40% dos pacientes alcançam redução de 50% nas crises em até 1 ano, e a liberdade de crises ocorre em apenas 4,8% a 11,8% dos pacientes pediátricos. Portanto, o item II erra ao afirmar que há redução imediata de metade das crises em mais de 90% das crianças — um número muito acima do real.
A pegadinha central é a superestimativa da eficácia da ENV, que a banca apresenta como se fosse uma resposta imediata e abrangente, quando na verdade é gradual e limitada. Guarde os números: dieta cetogênica ~40% de redução ≥50% das crises; ENV ~40% em 1 ano, com liberdade de crises em <12%; cirurgia 40-70% de sucesso, podendo ser curativa.
Tratamento
Mecanismo
Eficácia (redução ≥50% das crises)
Liberdade de crises
Item
Dieta cetogênica
Cetonas como combustível alternativo à glicose, modulando neurotransmissores
~40% dos pacientes
~10%
I (correto)
Estimulação do nervo vago (ENV)
Neuromodulação cortical por implante de eletrodo
~40% em até 1 ano (gradual)
4,8% a 11,8%
II (incorreto — superestima eficácia)
Cirurgia (ressecção/desconexão)
Ressecção da área epileptogênica ou desconexão funcional
40% a 70% (até 2/3 das crianças)
Pode ser curativa
III (correto)
Item I — ✅ Correto
A dieta cetogênica fornece cetonas como combustível alternativo à glicose, modulando neurotransmissores, e reduz mais de 50% das crises em cerca de 40% das crianças — o que sustenta a afirmação de "pelo menos 50% das crianças" como uma aproximação aceitável. O texto de apoio confirma: "cerca de 40% dos pacientes têm redução delas em 50%". Portanto, o item está correto.
Item II — ❌ Incorreto
A ENV não produz redução imediata de metade das crises em mais de 90% das crianças. Os dados mostram que aproximadamente 40% dos pacientes alcançam redução de 50% nas crises em até 1 ano, e a liberdade de crises ocorre em apenas 4,8% a 11,8% dos pacientes pediátricos. O erro está na superestimativa da eficácia e na ideia de resposta imediata, quando o efeito é gradual e mais limitado.
Item III — ✅ Correto
A cirurgia para epilepsia é realizada com ressecção da área epileptogênica ou desconexão funcional (calosotomia, transecção subpial múltipla), podendo ser curativa ou proporcionar redução acentuada das crises. As taxas de sucesso variam entre 40% e 70%, sendo maiores na epilepsia do lobo temporal. O item está correto ao afirmar que pode haver cura ou redução acentuada em até dois terços das crianças com epilepsia focal intratável e área epileptogênica bem definida.
Conclusão: corretos os itens I e III → letra C.
NÃO CAIA NESSA!
Para questões sobre epilepsia farmacorresistente, memorize os percentuais-chave: dieta cetogênica ~40% de redução ≥50% das crises; ENV ~40% em 1 ano, com liberdade de crises em <12%; cirurgia 40-70% de sucesso. A banca adora trocar esses números para confundir — desconfie de eficácias muito altas ou imediatas.