Questão de Medicina — Neurologia — CESPE / CEBRASPE 2025
Medicina›Neurologia
Código
ce214020
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Boa Vista - RR
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Neurocirurgião Pediátrico
Acerca das afecções vasculares encefálicas na criança, assinale a opção correta.
AEstima-se que crianças com doença falciforme apresentem um risco 250 vezes maior de sofrer um AVC do que a população geral de crianças; até os 20 anos de idade, em torno de 60% a 75% dessas pessoas terão pelo menos um episódio de AVE hemorrágico, com metade deste grupo tendo recorrência.
BO acidente vascular encefálico (AVE) perinatal é mais comumente isquêmico, envolvendo no geral a artéria cerebral média; o quadro clínico mais frequente é de crises epilépticas focais ou generalizadas entre 12 horas e 72 horas de vida.
CA trombose sinovenosa cerebral é responsável por 50% dos eventos cerebrovasculares em crianças e apresenta taxa de mortalidade superior a 70%; isso se deve ao menor calibre vascular, à maior prevalência de cardiopatias congênitas e de trombofilias, além da maior incidência de infecções de cabeça e pescoço nessa faixa etária.
DNo contexto infantojuvenil, o AVE hemorrágico tem apresentado, atualmente, como principais etiologias, as causas secundárias — anteriormente mais comuns apenas em adultos — tais como obesidade, hipertensão arterial e hipertrigliceridemia.
EA tomografia computadorizada de crânio representa o método de escolha inicial para a avaliação das afecções vasculares na infância, em virtude da limitada cooperação das crianças para a realização de exames de maior complexidade, como a ressonância magnética.
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GabaritoB — O acidente vascular encefálico (AVE) perinatal é mais comumente isquêmico, envolvendo no geral a artéria cerebral média; o quadro clínico mais frequente é de crises epilépticas focais ou generalizadas entre 12 horas e 72 horas de vida.
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Afecções vasculares encefálicas na criança
Gabarito: letra B. O AVE perinatal é predominantemente isquêmico, acometendo com maior frequência a artéria cerebral média, e o quadro clínico mais comum é de crises epilépticas focais ou generalizadas entre 12 e 72 horas de vida. As demais alternativas apresentam erros conceituais e numéricos importantes, como veremos a seguir.
O acidente vascular encefálico (AVE) na infância é uma condição rara, mas com consequências graves. Diferentemente do adulto, em que a aterosclerose é a principal causa, na criança predominam outras etiologias, como cardiopatias congênitas, doenças hematológicas (especialmente a doença falciforme), infecções, trombofilias e causas perinatais. O AVE perinatal, que ocorre entre a 20ª semana de gestação e o 28º dia de vida, é o tipo mais comum na infância e, na grande maioria dos casos, é isquêmico, frequentemente envolvendo a artéria cerebral média. O quadro clínico típico é o aparecimento de crises epilépticas focais ou generalizadas nas primeiras 12 a 72 horas de vida, podendo haver também letargia, apneia e déficits focais.
A doença falciforme é um fator de risco bem estabelecido para AVE isquêmico na infância, com risco aumentado em relação à população geral, mas os números citados na alternativa A estão incorretos. A trombose sinovenosa cerebral é uma causa importante de AVE na criança, porém não corresponde a 50% dos casos, e sua mortalidade é menor do que 70%. No contexto infantojuvenil, o AVE hemorrágico tem como principais etiologias as malformações vasculares, discrasias sanguíneas e trauma, e não as causas secundárias como obesidade e hipertensão, que são mais comuns em adultos. Por fim, a ressonância magnética é o método de escolha inicial para avaliação das afecções vasculares na infância, sendo a tomografia computadorizada útil na emergência para excluir hemorragia, mas não é o método preferencial.
A banca explora a confusão entre os diferentes tipos de AVE na infância e seus respectivos quadros clínicos e etiológicos. É fundamental conhecer as particularidades de cada faixa etária e as principais causas para responder corretamente. A alternativa B é a única que descreve com precisão as características do AVE perinatal, sendo, portanto, a correta.
O erro está nos números e no tipo de AVE. Crianças com doença falciforme têm risco aumentado de AVE, mas o risco é de aproximadamente 200 a 400 vezes maior, e o AVE é predominantemente isquêmico, não hemorrágico. Até os 20 anos, cerca de 11% a 24% dessas crianças terão um AVE, e não 60% a 75%. A alternativa confunde o tipo de AVE (hemorrágico em vez de isquêmico) e superestima a incidência.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa descreve corretamente o AVE perinatal: é mais comumente isquêmico, envolvendo a artéria cerebral média, e o quadro clínico mais frequente é de crises epilépticas focais ou generalizadas entre 12 e 72 horas de vida. Essas características são bem estabelecidas na literatura e correspondem ao padrão clássico da doença.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A trombose sinovenosa cerebral é responsável por cerca de 25% a 50% dos eventos cerebrovasculares em crianças, mas a taxa de mortalidade é de aproximadamente 10% a 20%, não superior a 70%. A alternativa superestima a mortalidade e, embora cite fatores de risco corretos (menor calibre vascular, cardiopatias congênitas, trombofilias e infecções), o percentual de 50% e a mortalidade de 70% estão incorretos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
No contexto infantojuvenil, o AVE hemorrágico tem como principais etiologias as malformações arteriovenosas, aneurismas, discrasias sanguíneas e trauma. As causas secundárias como obesidade, hipertensão arterial e hipertrigliceridemia são mais comuns em adultos e não são as principais etiologias na infância. A alternativa inverte a realidade epidemiológica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A ressonância magnética é o método de escolha inicial para a avaliação das afecções vasculares na infância, pois permite melhor caracterização do parênquima cerebral e dos vasos, além de não utilizar radiação ionizante. A tomografia computadorizada é útil na emergência para excluir hemorragia, mas não é o método preferencial. A alternativa justifica o uso da TC pela limitada cooperação das crianças, o que não é o principal critério de escolha.