Questão de Medicina — Neurologia — CESPE / CEBRASPE 2025
Medicina›Neurologia
Código
ce214029
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Boa Vista - RR
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Neurologista
Considere que um paciente esteja sob suspeita de neuropatia de fibras finas com disfunção autonômica. Nesse caso, o teste mais sensível para o diagnóstico dessa neuropatia é o(a)
Ateste sudomotor.
Bholter.
Ctilt test ou teste da maca inclinada.
Dteste ergométrico.
Eeletroneuromiografia.
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GabaritoA — teste sudomotor.
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Neuropatia de fibras finas com disfunção autonômica: o teste mais sensível
Gabarito: letra A. Na suspeita de neuropatia de fibras finas com disfunção autonômica, o teste sudomotor é o mais sensível, pois avalia diretamente as fibras C amielínicas que inervam as glândulas sudoríparas — o componente autonômico mais precocemente e mais frequentemente acometido nesse tipo de neuropatia. Os demais exames (holter, tilt test, teste ergométrico e eletroneuromiografia) avaliam outros sistemas ou são menos sensíveis para fibras finas.
A neuropatia de fibras finas é um subtipo de polineuropatia que acomete seletivamente as fibras nervosas de pequeno calibre: as fibras C amielínicas e as fibras A-delta levemente mielinizadas. Essas fibras são responsáveis pela transmissão da dor, da temperatura e das funções autonômicas. Por isso, o quadro clínico típico inclui sintomas sensitivos como dor, queimação, formigamento e alodínea, além de sintomas autonômicos como anidrose, hipotensão ortostática, disfunção erétil, gastroparesia e alterações do hábito intestinal.
O diagnóstico dessa condição é um desafio clínico, pois a eletroneuromiografia (ENMG) convencional — que avalia fibras grossas mielinizadas — costuma ser normal ou pouco alterada. Por essa razão, os testes que avaliam especificamente as fibras finas e a função autonômica ganham protagonismo. Entre eles, destacam-se:
Teste sudomotor: avalia a função das glândulas sudoríparas, inervadas por fibras C colinérgicas. É considerado o teste mais sensível para detectar disfunção autonômica em neuropatias de fibras finas, pois a sudorese é um dos primeiros sistemas a ser comprometido.
Biópsia de pele: quantifica a densidade de fibras nervosas intraepidérmicas, sendo o padrão-ouro para confirmar o diagnóstico de neuropatia de fibras finas.
Microscopia confocal da córnea: método promissor e não invasivo que detecta a perda de fibras nervosas da córnea em estágios iniciais.
Testes autonômicos cardiovasculares: como a variação do intervalo R-R na respiração profunda, o tilt test e a cintilografia miocárdica com MIBG, que avaliam o comprometimento autonômico cardiovascular.
A questão explora exatamente essa distinção: quando a suspeita é de neuropatia de fibras finas com disfunção autonômica, o teste mais sensível é o que avalia a função sudomotora, pois ela é um marcador precoce e sensível do envolvimento das fibras C. Os testes cardiovasculares (holter, tilt test) são úteis, mas menos sensíveis e avaliam um subsistema específico. A ENMG, por sua vez, é pouco sensível para fibras finas, pois avalia predominantemente fibras grossas.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato associar "disfunção autonômica" apenas a sintomas cardiovasculares (hipotensão ortostática, taquicardia), levando-o a escolher o tilt test ou o holter. No entanto, a disfunção autonômica em neuropatias de fibras finas manifesta-se precocemente no sistema sudomotor (anidrose, pele seca, fissuras), e é justamente o teste sudomotor o mais sensível para detectá-la. Lembre-se: o sistema sudomotor é inervado por fibras C colinérgicas, as mesmas fibras finas que degeneram nessa neuropatia.
Neuropatia de fibras finas: Fibras acometidas (C amielínicas, A-delta levemente mielinizadas); Funções (Dor e temperatura, Autonômicas); Diagnóstico (Teste sudomotor (mais sensível), Biópsia de pele (padrão-ouro), Microscopia confocal da córnea, Testes autonômicos cardiovasculares, ENMG (pouco sensível))
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O teste sudomotor avalia a função das glândulas sudoríparas, que são inervadas por fibras C amielínicas — exatamente as fibras acometidas na neuropatia de fibras finas. A disfunção sudomotora (anidrose, pele seca, hiperqueratose plantar) é uma manifestação precoce e comum, tornando esse teste o mais sensível para o diagnóstico, especialmente quando há suspeita de disfunção autonômica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O holter (monitorização eletrocardiográfica ambulatorial) avalia arritmias e variações da frequência cardíaca, sendo útil na investigação de neuropatia autonômica cardiovascular. Porém, não é o teste mais sensível para neuropatia de fibras finas, pois avalia apenas um subsistema autonômico e pode permanecer normal em fases iniciais.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O tilt test (teste da mesa inclinada) avalia a resposta cardiovascular à mudança postural, sendo útil no diagnóstico de hipotensão ortostática e síncope neurocardiogênica. Embora possa estar alterado na disfunção autonômica, não é o teste mais sensível para neuropatia de fibras finas, pois avalia apenas o componente cardiovascular.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O teste ergométrico avalia a resposta cardiovascular ao esforço, sendo utilizado para investigar doença arterial coronariana e capacidade funcional. Não é um teste específico para neuropatia de fibras finas nem para disfunção autonômica, sendo inadequado para o diagnóstico proposto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A eletroneuromiografia (ENMG) avalia a condução nervosa de fibras grossas mielinizadas (A-beta) e a atividade muscular. Na neuropatia de fibras finas, a ENMG convencional costuma ser normal, pois as fibras finas (C e A-delta) não são adequadamente avaliadas por esse método. Por isso, não é o teste mais sensível para esse diagnóstico.