Questão de Medicina — Neurologia — CESPE / CEBRASPE 2025
Medicina›Neurologia
Código
ce214033
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Boa Vista - RR
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Neurologista
Assinale a opção correspondente ao fenômeno que acompanha a pressão intracraniana, caracterizado pelo aumento da pressão arterial, pela bradicardia e pelas alterações do ritmo respiratório.
Aabulia
Bsinal de Brudzinski
Csíndrome de Melkersson-Rosenthal
Dresposta pressórica de Cushing
Esíndrome de Dejerine-Roussy
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GabaritoD — resposta pressórica de Cushing
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Hipertensão intracraniana e reflexo de Cushing
Gabarito: letra D. O fenômeno descrito — aumento da pressão arterial, bradicardia e alterações do ritmo respiratório — é a resposta pressórica de Cushing (também chamada de reflexo ou tríade de Cushing), uma resposta fisiológica compensatória à hipertensão intracraniana (HIC). O material de apoio confirma: "A combinação de hipertensão mais bradicardia, conhecida como reflexo de Cushing, sugere elevação na pressão intracraniana" e, em outro trecho, "Pacientes com hipertensão intracraniana rapidamente progressiva podem evoluir com síndrome de Cushing, que consiste em bradicardia, hipertensão e arritmia respiratória".
A hipertensão intracraniana (HIC) é definida pela elevação sustentada da pressão intracraniana (PIC) acima de 22 mmHg por mais de 5 minutos. Quando a PIC aumenta, a pressão de perfusão cerebral (PPC = PAM − PIC) tende a cair, comprometendo a oxigenação do tecido nervoso. Para proteger o cérebro, o organismo ativa um mecanismo compensatório: o reflexo de Cushing. Esse reflexo é uma resposta do tronco encefálico à isquemia — quando a perfusão cerebral está ameaçada, há estimulação simpática maciça, que eleva a pressão arterial média (PAM) para restaurar a PPC. Essa hipertensão arterial, por sua vez, ativa barorreceptores que disparam uma resposta vagal, gerando bradicardia. As alterações do ritmo respiratório (como respiração de Cheyne-Stokes, hiperventilação neurogênica central ou respiração atáxica) decorrem da compressão e disfunção dos centros respiratórios no tronco encefálico.
Na prática clínica, a tríade de Cushing é um sinal de alerta gravíssimo: indica HIC com risco iminente de herniação cerebral. O médico que identifica hipertensão + bradicardia + irregularidade respiratória em um paciente com lesão neurológica (trauma cranioencefálico, AVC, tumor, meningite) deve agir imediatamente para reduzir a PIC — com osmoterapia, hiperventilação transitória, drenagem de LCR ou medidas cirúrgicas — antes que ocorra dano irreversível ou morte encefálica.
A banca explora aqui a confusão entre o reflexo de Cushing e outras síndromes neurológicas com nomes parecidos ou que também cursam com alterações de sinais vitais. O candidato que decora apenas "Cushing = síndrome de Cushing endócrina" (hipercortisolismo) pode se confundir, mas o contexto é claro: o enunciado fala em "fenômeno que acompanha a pressão intracraniana", o que remete diretamente ao reflexo descrito na literatura como resposta pressórica de Cushing.
Guarde a distinção central: o reflexo de Cushing é um mecanismo compensatório da HIC, caracterizado pela tríade hipertensão + bradicardia + irregularidade respiratória. É exatamente essa tríade que a alternativa D descreve, e é nela que as demais alternativas falham.
Abulia é a redução ou ausência de iniciativa, vontade e espontaneidade, frequentemente associada a lesões frontais ou do circuito fronto-estriatal. Não tem relação com o quadro de HIC descrito no enunciado — não cursa com hipertensão arterial, bradicardia ou alteração respiratória como fenômeno acompanhante da PIC.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O sinal de Brudzinski é um sinal meníngeo: com o paciente em decúbito dorsal, a flexão passiva do pescoço provoca flexão involuntária dos membros inferiores. É utilizado para avaliar irritação meníngea (meningite, hemorragia subaracnóidea), não sendo um fenômeno que acompanha a pressão intracraniana com as alterações de sinais vitais descritas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A síndrome de Melkersson-Rosenthal é uma condição rara caracterizada pela tríade: paralisia facial recorrente, edema orofacial (principalmente lábios) e língua fissurada (língua plicata). É uma síndrome neurológica e dermatológica, mas não tem qualquer relação com a tríade de Cushing ou com a pressão intracraniana.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A resposta pressórica de Cushing (ou reflexo de Cushing) é exatamente o fenômeno descrito: aumento da pressão arterial, bradicardia e alterações do ritmo respiratório que acompanham a hipertensão intracraniana. O material de apoio confirma: "A combinação de hipertensão mais bradicardia, conhecida como reflexo de Cushing, sugere elevação na pressão intracraniana" e "Pacientes com hipertensão intracraniana rapidamente progressiva podem evoluir com síndrome de Cushing, que consiste em bradicardia, hipertensão e arritmia respiratória". É um mecanismo compensatório que tenta manter a pressão de perfusão cerebral diante do aumento da PIC.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A síndrome de Dejerine-Roussy (ou síndrome talâmica) é uma síndrome dolorosa central que ocorre após infarto talâmico, caracterizada por dor neuropática contralateral, hiperestesia e distúrbios sensitivos. Não se manifesta com a tríade de hipertensão, bradicardia e alteração respiratória associada à PIC.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o reflexo de Cushing (resposta à hipertensão intracraniana) e a síndrome de Cushing endócrina (hipercortisolismo). O nome "Cushing" aparece nos dois, mas são entidades completamente distintas: uma é um sinal neurológico de emergência, a outra é uma doença hormonal. Fique atento ao contexto: o enunciado fala em "fenômeno que acompanha a pressão intracraniana", o que aponta diretamente para o reflexo.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, lembre da tríade clássica: hipertensão + bradicardia + irregularidade respiratória = reflexo de Cushing. Sempre que a questão mencionar "acompanha a pressão intracraniana" ou "HIC", essa tríade é o achado esperado. Compare com a síndrome de Cushing endócrina (face de lua, obesidade central, estrias) — são homônimos, mas não têm relação clínica.