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Questão de Medicina — Neurologia — CESPE / CEBRASPE 2025

MedicinaNeurologia
Código
ce214036
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Boa Vista - RR
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Neurologista
No que diz respeito à epilepsia, assinale a opção correta.
  1. Aestabilizar o paciente, fornecer oxigênio complementar, realizar ECG, tiamina 100mg EV, glicose hipertônica 50% e coletar exames laboratoriais são medidas da fase de estabilização 0-5 minutos da abordagem do status epilepticus convulsivo
  2. Ba bupropiona, por seu efeito antidepressivo, é frequentemente associada aos anticonvulsivantes para melhor controle de crises convulsivas
  3. Cdurante a gestação, devido às mudanças fisiológicas, os níveis séricos de lamotrigina e levetiracetam aumentam consideravelmente, sendo necessária a redução de dose dessas medicações para evitar intoxicação
  4. Da epilepsia pode ser definida na seguinte condição: ter pelo menos três crises convulsivas não provocadas ou reflexas, ocorrendo com mais de duas horas de intervalo
  5. Eo EEG é indicado em pacientes com crises convulsivas de início recente somente se tiverem comorbidades
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GabaritoA — estabilizar o paciente, fornecer oxigênio complementar, realizar ECG, tiamina 100mg EV, glicose hipertônica 50% e coletar exames laboratoriais são medidas da fase de estabilização 0-5 minutos da abordagem do status epilepticus convulsivo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Status epilepticus convulsivo: abordagem inicial e armadilhas

Gabarito: letra A. A alternativa correta descreve corretamente as medidas da fase de estabilização (0–5 minutos) do status epilepticus convulsivo, conforme protocolos de emergência: estabilizar o paciente, fornecer oxigênio, realizar ECG, administrar tiamina 100 mg EV, glicose hipertônica 50% e coletar exames laboratoriais. As demais alternativas contêm erros conceituais importantes sobre epilepsia e seu tratamento.

O status epilepticus convulsivo (SEC) é uma emergência neurológica caracterizada por crise convulsiva contínua por mais de 5 minutos ou crises repetidas sem recuperação da consciência entre elas. O manejo é dividido em fases temporais: estabilização (0–5 min), tratamento inicial (5–20 min), segunda linha (20–40 min) e terceira linha (40–60 min). Na fase de estabilização, o objetivo é garantir suporte vital e identificar causas reversíveis. As medidas incluem: proteção das vias aéreas, oxigenação, monitorização cardíaca (ECG), verificação da glicemia capilar, administração de tiamina (para prevenção da encefalopatia de Wernicke, especialmente em pacientes com suspeita de alcoolismo) e glicose hipertônica (se hipoglicemia), além da coleta de exames laboratoriais (eletrólitos, gasometria, função renal, etc.). Essas medidas são padronizadas em diretrizes como as da American Epilepsy Society e do ILAE, e são exatamente as descritas na alternativa A.

A alternativa B confunde o perfil farmacológico da bupropiona. A bupropiona é um antidepressivo que também é utilizado como adjuvante no tratamento do tabagismo, mas possui efeito pró-convulsivante, ou seja, pode reduzir o limiar para crises convulsivas. Portanto, está associada a um risco aumentado de crises, e não a um efeito protetor. Ela não é utilizada como adjuvante de anticonvulsivantes para controle de crises; pelo contrário, deve ser usada com cautela em pacientes com epilepsia.

A alternativa C aborda as alterações farmacocinéticas na gestação. Durante a gestação, ocorre aumento do volume de distribuição, aumento da depuração renal e indução enzimática hepática, o que geralmente leva a uma REDUÇÃO dos níveis séricos de muitos fármacos antiepilépticos, como lamotrigina e levetiracetam. Por isso, frequentemente é necessário AUMENTAR a dose dessas medicações durante a gestação para manter o controle das crises, e não reduzi-la. A alternativa inverte completamente a lógica.

A alternativa D trata da definição de epilepsia. Segundo a ILAE (International League Against Epilepsy), a epilepsia pode ser diagnosticada com: (1) pelo menos duas crises não provocadas (ou reflexas) com intervalo maior que 24 horas; (2) uma crise não provocada (ou reflexa) com probabilidade de recorrência de pelo menos 60% nos próximos 10 anos; ou (3) diagnóstico de uma síndrome epiléptica. A alternativa D exige "três crises" e "mais de duas horas de intervalo", o que não corresponde à definição vigente. O critério correto é duas crises com intervalo maior que 24 horas.

A alternativa E trata da indicação do EEG. O EEG é um exame fundamental na avaliação de pacientes com crise convulsiva de início recente, independentemente da presença de comorbidades. Ele auxilia no diagnóstico, na classificação do tipo de crise e na avaliação do risco de recorrência. A alternativa E restringe a indicação a pacientes com comorbidades, o que é incorreto. Todo paciente com suspeita de epilepsia deve ser submetido a EEG, conforme mencionado no próprio material de apoio: "todo paciente com manifestações iniciais de epilepsia deve ser avaliado por neurologista e ser submetido a um EEG".

A pegadinha central desta questão é a inversão de conceitos: a banca troca o efeito da bupropiona (pró-convulsivante por anticonvulsivante), inverte a direção da alteração farmacocinética na gestação (aumento por redução), distorce a definição de epilepsia (três crises em vez de duas) e restringe indevidamente a indicação do EEG. A alternativa A, por sua vez, é uma descrição fiel das medidas da fase de estabilização, o que a torna a única correta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre efeitos farmacológicos e alterações fisiológicas. Na alternativa B, ela troca o efeito pró-convulsivante da bupropiona por um suposto efeito anticonvulsivante. Na alternativa C, inverte a direção da alteração farmacocinética na gestação: em vez de redução dos níveis séricos (que exige aumento de dose), ela afirma aumento. Fique atento a essas inversões — elas são clássicas em questões de epilepsia.

  1. 1Estabilização (0-5 min)
  2. 2Tratamento inicial (5-20 min)
  3. 3Segunda linha (20-40 min)
  4. 4Terceira linha (40-60 min)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa descreve corretamente as medidas da fase de estabilização (0–5 minutos) do status epilepticus convulsivo. Conforme protocolos de emergência, nessa fase deve-se: estabilizar o paciente (proteger vias aéreas, decúbito lateral), fornecer oxigênio complementar, realizar ECG (monitorização cardíaca), administrar tiamina 100 mg EV (para prevenção da encefalopatia de Wernicke) e glicose hipertônica 50% (se hipoglicemia), além de coletar exames laboratoriais (eletrólitos, gasometria, glicose, etc.). Essas medidas são padronizadas em diretrizes como as da American Epilepsy Society e do ILAE, e são exatamente as descritas na alternativa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A bupropiona é um antidepressivo com efeito PRÓ-convulsivante, ou seja, pode reduzir o limiar para crises convulsivas e aumentar o risco de convulsões. Portanto, ela não é associada aos anticonvulsivantes para melhor controle de crises; pelo contrário, deve ser usada com cautela em pacientes com epilepsia. A alternativa inverte o efeito farmacológico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Durante a gestação, ocorrem alterações fisiológicas que geralmente REDUZEM os níveis séricos de lamotrigina e levetiracetam (aumento do volume de distribuição, aumento da depuração renal, indução enzimática). Por isso, frequentemente é necessário AUMENTAR a dose dessas medicações para manter o controle das crises, e não reduzi-la. A alternativa inverte a direção da alteração farmacocinética.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A definição de epilepsia segundo a ILAE exige pelo menos DUAS crises não provocadas (ou reflexas) com intervalo maior que 24 horas, ou uma crise com probabilidade de recorrência de pelo menos 60% nos próximos 10 anos, ou diagnóstico de síndrome epiléptica. A alternativa exige "três crises" e "mais de duas horas de intervalo", o que não corresponde à definição vigente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O EEG é indicado em todo paciente com crise convulsiva de início recente, independentemente da presença de comorbidades. Ele é essencial para o diagnóstico, classificação e avaliação do risco de recorrência. A alternativa restringe indevidamente a indicação a pacientes com comorbidades, o que é incorreto.

Gabarito: letra A

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