Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — CESPE / CEBRASPE 2025
Medicina›Ortopedia e Traumatologia
Código
ce214045
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Boa Vista - RR
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Ortopedista
Na fratura do terço médio da clavícula, há indicação absoluta do tratamento cirúrgico em caso de
Afratura bilateral.
Bassociação com lesão nervosa.
Combro flutuante.
Dfraturas transversas.
Edissociação escapulotorácica.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — dissociação escapulotorácica.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Fraturas da clavícula: indicações cirúrgicas no terço médio
Gabarito: letra E. Na fratura do terço médio da clavícula, a dissociação escapulotorácica é uma indicação absoluta de tratamento cirúrgico, pois representa uma lesão de altíssima energia com instabilidade grave do complexo suspensor do ombro. As demais alternativas (fratura bilateral, associação com lesão nervosa, ombro flutuante e fraturas transversas) são, na verdade, indicações relativas ou não constituem indicação cirúrgica por si só, conforme o Manual de Trauma Ortopédico da SBOT.
O tratamento das fraturas do terço médio da clavícula é predominantemente conservador, com bons resultados funcionais e consolidação em tempo semelhante, seja com tipóia ou imobilização tipo 8. A cirurgia fica reservada para situações específicas, divididas em indicações relativas e absolutas. A banca explora exatamente essa distinção: o candidato precisa saber diferenciar o que é indicação relativa (pode operar, mas não é obrigatório) do que é indicação absoluta (deve operar).
As indicações relativas para o terço médio incluem: deslocamento < 2 cm, desordem neurológica (Parkinson, convulsões), trauma múltiplo, previsão de repouso prolongado no leito, ombro flutuante, intolerância à imobilização, fraturas bilaterais, fratura da extremidade superior ipsilateral e razão estética. Já as indicações absolutas são: encurtamento > 2 cm, fratura exposta, ruptura iminente da pele, fratura irredutível, lesão vascular, prejuízo neurológico progressivo, fratura patológica deslocada com paralisia associada do trapézio e dissociação escapulotorácica.
A dissociação escapulotorácica é uma lesão gravíssima, em que há completa separação da escápula do tórax, com ruptura do complexo suspensor superior do ombro (CSSO) e, frequentemente, lesão vascular e neurológica associada. É uma emergência ortopédica que exige intervenção cirúrgica imediata. O ombro flutuante, por sua vez, é a associação de fratura de clavícula com fratura de escápula, que também desestabiliza o ombro, mas é listado como indicação relativa — ou seja, a cirurgia é considerada, mas não é obrigatória em todos os casos.
A fratura bilateral e a associação com lesão nervosa também são indicações relativas. A lesão nervosa, quando progressiva, torna-se indicação absoluta, mas a simples associação com lesão nervosa (sem progressão) não é, por si só, indicação absoluta. Já as fraturas transversas são um padrão morfológico que, isoladamente, não define indicação cirúrgica — o que importa é o desvio, o encurtamento e as lesões associadas.
Guarde a fronteira entre indicação relativa e absoluta: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A questão pede a indicação absoluta, e apenas a dissociação escapulotorácica se encaixa nesse grupo.
Indicação Cirúrgica
Tipo
Exemplos/Contexto
Absoluta
Obrigatória
Dissociação escapulotorácica, encurtamento > 2 cm, fratura exposta, lesão vascular, prejuízo neurológico progressivo, fratura patológica deslocada com paralisia do trapézio
Relativa
Considerada, não obrigatória
Fratura bilateral, associação com lesão nervosa (sem progressão), ombro flutuante, deslocamento < 2 cm, trauma múltiplo, intolerância à imobilização, razão estética
Não define indicação
Padrão morfológico isolado
Fraturas transversas (o que importa é desvio/encurtamento/lesões associadas)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A fratura bilateral é uma indicação relativa de tratamento cirúrgico, não absoluta. O Manual de Trauma Ortopédico lista "fraturas bilaterais" entre as indicações relativas do terço médio. A cirurgia pode ser considerada para facilitar o manejo do paciente, mas não é obrigatória.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A associação com lesão nervosa, por si só, não é indicação absoluta. O que configura indicação absoluta é o prejuízo neurológico progressivo. A simples presença de lesão nervosa (sem progressão) é uma indicação relativa. A banca troca o termo "progressivo" — detalhe que muda completamente a conduta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O ombro flutuante (fratura de clavícula associada a fratura de escápula) é uma indicação relativa de cirurgia, não absoluta. Embora seja uma lesão de alta energia que desestabiliza o ombro, o tratamento cirúrgico não é mandatório em todos os casos, podendo ser conservador em situações selecionadas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
As fraturas transversas são um padrão morfológico que, isoladamente, não determina indicação cirúrgica. O que define a necessidade de cirurgia é o grau de desvio, encurtamento e as lesões associadas, não o traço da fratura. Uma fratura transversa sem desvio é tratada conservadoramente.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A dissociação escapulotorácica é uma indicação absoluta de tratamento cirúrgico na fratura do terço médio da clavícula. Trata-se de uma lesão gravíssima, com completa separação da escápula do tórax e ruptura do complexo suspensor superior do ombro, frequentemente associada a lesões vasculares e neurológicas. A cirurgia é imperativa para restaurar a estabilidade e tratar as lesões associadas.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre indicações relativas e absolutas. O candidato tende a marcar "ombro flutuante" ou "fratura bilateral" por parecerem graves, mas ambas são relativas. A dissociação escapulotorácica é a única absoluta entre as opções. Decore a lista: absolutas = encurtamento > 2 cm, exposta, lesão vascular, prejuízo neurológico progressivo, fratura patológica com paralisia do trapézio e dissociação escapulotorácica.
Gabarito: letra E — dissociação escapulotorácica é indicação absoluta de cirurgia na fratura do terço médio da clavícula.