Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — CESPE / CEBRASPE 2025
Medicina›Otorrinolaringologia
Código
ce214067
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Boa Vista - RR
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Otorrinolaringologista
Um paciente de 45 anos de idade relata episódios recorrentes de vertigem intensa, acompanhados de zumbido de baixa frequência, plenitude auricular e perda auditiva flutuante no ouvido esquerdo. Relata, ainda, que esses episódios duram algumas horas e são incapacitantes.A partir da situação hipotética precedente e com base nos sintomas relatados, assinale a opção que corresponde à afecção otoneurológica mais provável para esse caso.
Aschwannoma vestibular
Benxaqueca vestibular
Cdoença de Ménière
Dvertigem posicional paroxística benigna (VPPB)
Eneuronite vestibular
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GabaritoC — doença de Ménière
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Vertigem: diagnóstico diferencial das síndromes vestibulares
Gabarito: letra C. O quadro descrito — vertigem intensa recorrente, zumbido de baixa frequência, plenitude auricular e perda auditiva flutuante no ouvido esquerdo, com crises durando horas — é a apresentação clássica da doença de Ménière, uma vestibulopatia periférica caracterizada pela tríade vertigem episódica + hipoacusia flutuante + zumbido/plenitude aural. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado nos critérios de vertigem episódica associada a sintomas auditivos flutuantes no ouvido afetado.
A vertigem é um sintoma, não uma doença, e sua causa é definida pela associação de sintomas e pela duração das crises. No caso, a combinação de sintomas auditivos (zumbido, plenitude, perda flutuante) com crises de horas aponta diretamente para a doença de Ménière. Vamos entender por que cada uma das outras opções não se encaixa.
A doença de Ménière é uma doença crônica da orelha interna, causada por hidropisia endolinfática — acúmulo de endolinfa no labirinto membranoso. Esse aumento de pressão distende as membranas e provoca crises recorrentes de vertigem, com duração de minutos a poucas horas, acompanhadas de sintomas cocleares. A tríade clássica é: vertigem episódica, perda auditiva neurossensorial flutuante (geralmente nas frequências baixas) e zumbido/plenitude aural. Os episódios são espontâneos, incapacitantes e podem durar de 20 minutos a 12 horas. Nos estágios iniciais, a perda auditiva é reversível entre as crises, mas tende a se tornar permanente com a progressão da doença.
O diagnóstico é clínico, baseado na história característica. Exames complementares como audiometria (que mostra perda neurossensorial em tons graves), eletrococleografia e teste do glicerol podem auxiliar, mas não são obrigatórios para o diagnóstico inicial. O tratamento envolve restrição de sódio, diuréticos, betaistina e, em casos refratários, procedimentos como injeção intratimpânica de gentamicina ou descompressão do saco endolinfático.
A principal dificuldade no diagnóstico diferencial das vertigens é distinguir as causas periféricas (orelha interna e nervo vestibular) das centrais (tronco encefálico e cerebelo). As três causas periféricas mais comuns são: neurite vestibular, doença de Ménière e VPPB. Cada uma tem um padrão temporal e sintomático próprio, que é a chave para o diagnóstico. A duração das crises é um dos critérios mais úteis: segundos a minutos sugerem VPPB; horas sugerem doença de Ménière; dias sugerem neurite vestibular.
A banca explora exatamente essa distinção temporal e a presença ou ausência de sintomas auditivos. O paciente do enunciado tem crises de horas (típico de Ménière) e sintomas auditivos proeminentes (zumbido, plenitude, perda flutuante), o que elimina as outras hipóteses. Guarde o par duração da crise × presença de sintomas auditivos: é nele que as alternativas se separam.
O schwannoma vestibular (neuroma do acústico) é um tumor benigno do nervo vestibulococlear, que causa perda auditiva unilateral lentamente progressiva e zumbido, por compressão do nervo. A vertigem ocorre em menos de 20% dos pacientes, sendo mais comum o desequilíbrio. Não há crises paroxísticas de vertigem com perda auditiva flutuante — o quadro é de progressão lenta e contínua, não episódica. O diagnóstico é feito por ressonância magnética com gadolínio.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A enxaqueca vestibular é uma causa importante de vertigem episódica, mas o diagnóstico exige critérios para enxaqueca (cefaleia recorrente) e relação temporal entre a dor e as crises de vertigem, ou vertigem desencadeada por gatilhos típicos de migrânea. No enunciado, não há menção a cefaleia, e a presença de perda auditiva flutuante e plenitude auricular é característica de Ménière, não de enxaqueca vestibular. A enxaqueca vestibular pode ter vertigem espontânea ou posicional, com duração variável (minutos a dias), mas não cursa com hipoacusia flutuante típica.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A doença de Ménière é a afecção que melhor explica o quadro: vertigem intensa recorrente com duração de horas, zumbido de baixa frequência, plenitude auricular e perda auditiva flutuante no ouvido afetado. A tríade clássica (vertigem episódica + hipoacusia flutuante + zumbido/plenitude) está presente, e a duração das crises (horas) é o padrão típico da doença. O diagnóstico é clínico, e a confirmação pode ser auxiliada por audiometria mostrando perda neurossensorial em frequências baixas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) é causada por otólitos que se deslocam para os canais semicirculares, provocando vertigem desencadeada por mudanças de posição da cabeça (rolar na cama, olhar para cima). As crises duram menos de 1 minuto (segundos), não horas, e não há sintomas auditivos como zumbido, plenitude ou perda auditiva. O diagnóstico é feito pela manobra de Dix-Hallpike, e o tratamento é a manobra de Epley ou Semont.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A neuronite vestibular é uma inflamação viral do nervo vestibular, que causa vertigem de início abrupto e persistente, com náuseas, durando vários dias (padrão agudo persistente). Não há sintomas auditivos (zumbido, plenitude, perda auditiva) — o quadro é puramente vestibular. A duração de dias e a ausência de sintomas cocleares a diferenciam da doença de Ménière.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as três causas periféricas de vertigem, que têm padrões temporais e sintomáticos distintos. O candidato que não domina a duração típica das crises e a presença de sintomas auditivos pode confundir Ménière com VPPB (ambas têm crises recorrentes) ou com neuronite (ambas têm vertigem intensa). A chave é: VPPB = segundos, posicional, sem sintomas auditivos; Ménière = horas, espontânea, com sintomas auditivos; neuronite = dias, persistente, sem sintomas auditivos. Com esse mapa, a questão se resolve em segundos.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de vertigem, monte mentalmente uma tabela com três colunas: duração da crise, fator desencadeante (espontâneo vs. posicional) e presença de sintomas auditivos. Essa tríade separa as principais causas periféricas e evita erros. Na prova, leia o enunciado procurando essas três informações — elas estão quase sempre presentes e são o suficiente para o diagnóstico.