Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — CESPE / CEBRASPE 2025
Medicina›Otorrinolaringologia
Código
ce214070
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Boa Vista - RR
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Otorrinolaringologista
Um paciente com 70 anos de idade apresenta perda auditiva progressiva bilateral, simétrica, predominantemente nas frequências altas, acompanhada de dificuldade de compreensão da fala em ambientes ruidosos. O exame otoscópico tem resultado normal e a imitanciometria revela timpanogramas tipo A bilaterais com reflexos estapedianos presentes.A partir do quadro clínico apresentado na situação precedente, a etiologia mais provável da deficiência auditiva deste paciente é a
Aneuropatia auditiva.
Botosclerose.
Cotite média crônica.
Dpresbiacusia.
Edoença de Ménière.
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GabaritoD — presbiacusia.
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Presbiacusia: perda auditiva do envelhecimento
Gabarito: letra D. O quadro descrito — paciente idoso (70 anos), perda auditiva neurossensorial bilateral, simétrica, de predomínio em frequências altas, com dificuldade de compreensão da fala em ambiente ruidoso, otoscopia normal e timpanograma tipo A com reflexos estapedianos presentes — é a apresentação clássica da presbiacusia, a perda auditiva associada ao envelhecimento. A otoscopia normal e a imitanciometria com reflexos presentes afastam causas condutivas (como otosclerose e otite média crônica), e a simetria e o padrão audiométrico afastam neuropatia auditiva e doença de Ménière.
A presbiacusia é a perda auditiva bilateral associada ao avanço da idade. Não se trata de uma entidade patológica distinta, mas da somatória dos múltiplos efeitos do envelhecimento sobre o sistema auditivo. O efeito mais consistente do envelhecimento é observado nas células sensoriais e nos neurônios da cóclea, o que explica a perda precoce dos tons mais altos (frequências agudas). Por isso, o paciente idoso tipicamente refere dificuldade de compreensão da fala, especialmente em ambientes ruidosos, pois os sons consonantais (que dão inteligibilidade à fala) são justamente os de alta frequência.
O diagnóstico é essencialmente clínico e audiológico. A otoscopia é normal, pois não há alteração de orelha externa ou média. A imitanciometria mostra timpanograma tipo A (curva normal, indicando orelha média íntegra) e reflexos estapedianos presentes (via auditiva eferente e cadeia ossicular funcionantes). A audiometria revela perda neurossensorial bilateral e simétrica, com queda nas frequências altas. Esses achados contrastam com as demais alternativas, que apresentam características próprias e distintas.
A distinção fundamental que separa a presbiacusia das outras causas é a combinação de três elementos: (1) idade avançada, (2) perda neurossensorial bilateral e simétrica de predomínio agudo, e (3) orelha média normal (otoscopia + imitanciometria). Nenhuma das outras alternativas reúne esses três critérios simultaneamente. É exatamente nessa combinação que as alternativas se dividem: as condutivas (otosclerose, otite média crônica) falham no terceiro critério; a neuropatia auditiva e a doença de Ménière falham no segundo.
Perda auditiva
1Neurossensorial
otoscopia normal + timpanograma A + reflexos presentes
Otite média crônica (perfuração, timpanograma B/C)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A neuropatia auditiva é um distúrbio da condução do estímulo auditivo ao longo da via neural, caracterizado por alteração das emissões otoacústicas (que podem estar presentes ou ausentes) e dos potenciais evocados do tronco encefálico, com reflexos estapedianos tipicamente ausentes ou alterados. No caso, os reflexos estapedianos estão presentes, o que praticamente exclui essa hipótese. Além disso, a neuropatia auditiva não tem o padrão típico de perda bilateral simétrica de predomínio agudo associado à idade avançada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A otosclerose é uma doença do labirinto ósseo que habitualmente se manifesta pela imobilização do estribo, produzindo perda auditiva condutiva. A imitanciometria mostraria timpanograma tipo As (complacência reduzida) e reflexos estapedianos ausentes ou alterados, não o tipo A com reflexos presentes descrito no enunciado. Além disso, a otosclerose costuma manifestar-se entre 11 e 30 anos, com histórico familiar em cerca de 50% dos casos, e não é a causa mais provável em um paciente de 70 anos com esse padrão audiométrico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A otite média crônica (OMC) é uma inflamação da orelha média que cursa com alterações da membrana timpânica (perfuração, retração, aderências) e da cadeia ossicular, produzindo perda auditiva condutiva. A otoscopia seria anormal (perfuração, retração, secreção) e a imitanciometria mostraria timpanograma tipo B ou C, com reflexos ausentes. O enunciado descreve otoscopia normal e timpanograma tipo A, o que exclui completamente a OMC.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A presbiacusia é a perda auditiva bilateral associada ao avanço da idade, representando os múltiplos efeitos do envelhecimento sobre o sistema auditivo, com perda precoce dos tons mais altos. O quadro clínico descrito — paciente de 70 anos, perda auditiva neurossensorial bilateral, simétrica, de predomínio em frequências altas, dificuldade de compreensão da fala em ambiente ruidoso, otoscopia normal e timpanograma tipo A com reflexos presentes — é a apresentação clássica da presbiacusia. Todos os achados são compatíveis: a otoscopia normal e a imitanciometria com reflexos presentes confirmam a integridade da orelha média, e o padrão audiométrico de queda nas frequências agudas é o achado mais característico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A doença de Ménière é caracterizada por vertigem episódica (20 minutos a 12 horas), perda auditiva neurossensorial flutuante, zumbido e plenitude aural, tipicamente unilateral. A audiometria costuma mostrar perda nas frequências baixas (tons graves), não nas altas. O enunciado não menciona vertigem, zumbido ou flutuação auditiva, e descreve perda bilateral simétrica de predomínio agudo — tudo isso é incompatível com Ménière.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre perda auditiva condutiva e neurossensorial. O candidato que não correlaciona a imitanciometria (timpanograma tipo A + reflexos presentes = orelha média normal) com a otoscopia normal pode ser tentado a escolher otosclerose ou otite média crônica, que são causas condutivas. A chave é lembrar: perda neurossensorial bilateral e simétrica de predomínio agudo em idoso = presbiacusia até prova em contrário.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar as causas de perda auditiva na prova, monte um fluxo mental: (1) otoscopia normal? (2) timpanograma tipo A com reflexos presentes? Se sim, é neurossensorial. (3) Idoso + bilateral + simétrica + agudos = presbiacusia. (4) Jovem + unilateral + flutuante + vertigem = Ménière. (5) Reflexos ausentes + timpanograma As = otosclerose. Esse roteiro resolve a maioria das questões de etiologia da perda auditiva.