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Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — CESPE / CEBRASPE 2025

MedicinaOtorrinolaringologia
Código
ce214076
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Boa Vista - RR
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Otorrinolaringologista
Acerca das doenças laríngeas em otorrinolaringologia, com foco na disfonia, assinale a opção correta.
  1. AO tratamento cirúrgico é sempre indicado para disfonia relacionada ao refluxo laringofaríngeo.
  2. BA disfonia pode ser causada apenas por fatores infecciosos, inflamatórios e congênitos. Fatores neurológicos, traumáticos, metabólicos e neoplásicos não estão relacionados ao quadro.
  3. CA avaliação inicial da disfonia deve incluir apenas exame físico do pescoço, sem necessidade de avaliação perceptiva da voz ou laringoscopia.
  4. DDisfonia e disfagia apresentam associação significativa em diversas condições, como câncer de cabeça e pescoço, acidente vascular cerebral e doenças neurodegenerativas.
  5. EA maioria dos casos de disfonia está associada a laringofaringite aguda e resolve-se espontaneamente em até 5 dias.
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GabaritoD — Disfonia e disfagia apresentam associação significativa em diversas condições, como câncer de cabeça e pescoço, acidente vascular cerebral e doenças neurodegenerativas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Disfonia: etiologia, avaliação e associação com disfagia

Gabarito: letra D. A disfonia e a disfagia frequentemente coexistem em condições como câncer de cabeça e pescoço, acidente vascular cerebral (AVC) e doenças neurodegenerativas, pois essas patologias comprometem estruturas e vias neurais comuns à fonação e à deglutição. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou de conduta clínica.

A disfonia é um sintoma, não uma doença, caracterizado por alteração na qualidade vocal que prejudica a comunicação. Suas causas são múltiplas e abrangem desde processos inflamatórios agudos até neoplasias, passando por distúrbios neurológicos, traumáticos, metabólicos e funcionais. A avaliação adequada do paciente disfônico exige uma abordagem abrangente, que inclui a história clínica detalhada, a avaliação perceptiva da voz, o exame físico da cabeça e pescoço e a laringoscopia, que permite visualizar diretamente as pregas vocais e diagnosticar a maioria das lesões.

A relação entre disfonia e disfagia é clinicamente relevante. Ambas as funções dependem de estruturas anatômicas próximas e de mecanismos neuromusculares coordenados. No câncer de cabeça e pescoço, por exemplo, o tumor pode invadir diretamente a laringe e a faringe, comprometendo tanto a voz quanto a deglutição. No AVC, a lesão cerebral pode afetar os núcleos e vias que controlam os músculos da fala e da deglutição, resultando em disartria, disfonia e disfagia. Nas doenças neurodegenerativas, como a doença de Parkinson e a esclerose lateral amiotrófica, a degeneração progressiva dos neurônios motores compromete gradualmente a fonação e a deglutição.

A conduta terapêutica na disfonia varia conforme a etiologia. No refluxo laringofaríngeo, o tratamento é predominantemente clínico, com medidas dietéticas, comportamentais e medicamentosas (inibidores da bomba de prótons), sendo a cirurgia reservada para casos selecionados com complicações ou falha terapêutica. A laringofaringite aguda, geralmente de causa viral, costuma ser autolimitada, mas a resolução completa da disfonia pode levar mais de 5 dias, e o tratamento sintomático e o repouso vocal são recomendados.

A banca explora a tendência do candidato a generalizar condutas e a restringir indevidamente as causas de um sintoma tão abrangente quanto a disfonia. A alternativa correta, por outro lado, exige conhecimento da associação fisiopatológica entre disfonia e disfagia em condições específicas.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o tratamento cirúrgico é sempre indicado para disfonia relacionada ao refluxo laringofaríngeo. O erro está na palavra "sempre": o tratamento padrão é clínico, com inibidores da bomba de prótons e mudanças de hábitos. A cirurgia antirrefluxo é reservada para casos de refluxo grave refratário ao tratamento clínico ou com complicações, não sendo a primeira opção nem indicada universalmente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Restringe as causas da disfonia a fatores infecciosos, inflamatórios e congênitos, excluindo fatores neurológicos, traumáticos, metabólicos e neoplásicos. Isso é falso: a disfonia pode ser causada por lesões neurológicas (como AVC e doenças neurodegenerativas), traumas laríngeos (incluindo intubação), distúrbios metabólicos (como hipotireoidismo) e neoplasias (como câncer de laringe). A lista de causas é muito mais ampla do que a apresentada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Propõe que a avaliação inicial da disfonia inclua apenas exame físico do pescoço, sem avaliação perceptiva da voz ou laringoscopia. Isso é incorreto: a avaliação perceptiva da voz é fundamental para caracterizar o tipo de disfonia, e a laringoscopia (direta ou indireta) é essencial para visualizar as pregas vocais e diagnosticar a causa. O exame físico do pescoço é parte da avaliação, mas não é suficiente.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que disfonia e disfagia apresentam associação significativa em diversas condições, como câncer de cabeça e pescoço, acidente vascular cerebral e doenças neurodegenerativas. Isso está correto: essas condições comprometem estruturas e vias neurais comuns à fonação e à deglutição, levando à coexistência frequente de disfonia e disfagia. Por exemplo, no câncer de laringe, o tumor pode invadir a faringe, causando ambos os sintomas; no AVC, a lesão cerebral pode afetar os núcleos motores dos nervos cranianos envolvidos na fala e na deglutição; nas doenças neurodegenerativas, a degeneração progressiva compromete ambas as funções.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a maioria dos casos de disfonia está associada a laringofaringite aguda e resolve-se espontaneamente em até 5 dias. Isso é incorreto por dois motivos: (1) a maioria dos casos de disfonia é causada por uso excessivo ou inadequado da voz (disfonia funcional) e por lesões benignas das pregas vocais (como nódulos e pólipos), não por laringofaringite aguda; (2) mesmo na laringite aguda, a resolução da disfonia pode levar mais de 5 dias, e o tratamento sintomático e o repouso vocal são recomendados.

Gabarito: letra D

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