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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — CESPE / CEBRASPE 2025

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
ce214083
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Boa Vista - RR
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Pediatra
Criança de 5 meses de idade, internada na enfermaria de pediatria, apresenta sudorese durante as mamadas e taquipneia. Exame físico revela sopro sistólico contínuo e sinais discretos de congestão periférica. Ecocardiograma mostra CIV de 6 mm, com fração de ejeção preservada e disfunção leve.Nesse caso, o manejo inicial mais adequado para compensar o paciente será
  1. Ainiciar oxigenoterapia contínua em enfermaria como principal medida, sem diurético ou IECA.
  2. Biniciar manejo clínico com furosemida, captopril e espironolactona, monitorando os sinais de congestão e a função renal, enquanto aguarda avaliação ambulatorial com cardiologia.
  3. Cencaminhar imediatamente para cirurgia corretiva de CIV, sem otimização clínica prévia.
  4. Dmanter apenas medidas de suporte não farmacológico (dieta hipossódica, repouso), sem iniciar medicações.
  5. Eprescrever furosemida associada à digoxina, aguardando evolução dos sintomas antes de introduzir IECA ou outro adjuvante.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — iniciar manejo clínico com furosemida, captopril e espironolactona, monitorando os sinais de congestão e a função renal, enquanto aguarda avaliação ambulatorial com cardiologia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Comunicação interventricular (CIV) na lactância: manejo clínico inicial

Gabarito: letra B. Em lactente com CIV de tamanho moderado (6 mm) e sinais de hiperfluxo pulmonar (sudorese às mamadas, taquipneia, congestão discreta), o manejo inicial adequado é o clínico, com diurético (furosemida), inibidor da enzima conversora de angiotensina (captopril) e antagonista da aldosterona (espironolactona), monitorando congestão e função renal, enquanto se aguarda a avaliação da cardiologia. A cirurgia corretiva não é a primeira conduta em paciente estável, e a otimização clínica prévia é mandatória.

A comunicação interventricular (CIV) é o defeito cardíaco congênito mais comum. No lactente, o quadro clínico depende do tamanho do defeito e da resistência vascular pulmonar (RVP). Com a queda fisiológica da RVP nas primeiras semanas de vida, o shunt esquerda-direita aumenta, levando a hiperfluxo pulmonar e sobrecarga de volume no ventrículo esquerdo. Os sintomas clássicos são: sudorese durante as mamadas (dispneia de esforço do lactente), taquipneia, baixo ganho ponderal e infecções respiratórias de repetição. O sopro é holossistólico, mais audível em borda esternal esquerda baixa, e não é contínuo — o sopro contínuo é típico da persistência do canal arterial (PCA).

O tratamento clínico visa reduzir o hiperfluxo pulmonar e os sintomas de congestão, enquanto se aguarda a redução espontânea do defeito (CIVs pequenas e moderadas podem fechar espontaneamente) ou se prepara o paciente para a correção cirúrgica, se necessária. As medicações de primeira linha são:

  • Diuréticos (furosemida): reduzem a pré-carga e a congestão pulmonar.

  • IECA (captopril): reduzem a pós-carga, diminuindo o shunt esquerda-direita e a sobrecarga ventricular.

  • Antagonistas da aldosterona (espironolactona): adjuvante diurético poupador de potássio, útil em associação.

A monitorização deve incluir sinais de congestão (peso, diurese, frequência respiratória, ausculta pulmonar) e função renal, pois a associação de diuréticos e IECA pode causar hipoperfusão renal, especialmente em lactentes.

A alternativa B é a única que contempla a tríade farmacológica correta e a conduta expectante com monitorização, alinhada às diretrizes de cardiologia pediátrica. As demais alternativas erram ao omitir medicação essencial, indicar cirurgia imediata sem otimização, ou usar esquema incompleto.

  1. 1Diurético (furosemida)
  2. 2IECA (captopril)
  3. 3Espironolactona
  4. 4Monitorar congestão e função renal
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erra ao propor oxigenoterapia contínua como principal medida, sem diurético ou IECA. A oxigenoterapia não trata a causa (hiperfluxo pulmonar por shunt) e pode até piorar o quadro ao reduzir ainda mais a RVP, aumentando o shunt. O tratamento farmacológico é essencial para compensar o lactente.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta ao indicar o manejo clínico com furosemida, captopril e espironolactona, monitorando congestão e função renal, enquanto aguarda avaliação ambulatorial com cardiologia. Essa é a conduta padrão para lactente com CIV moderada e sintomas de hiperfluxo, sem indicação cirúrgica imediata.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erra ao encaminhar imediatamente para cirurgia corretiva sem otimização clínica prévia. A cirurgia é indicada quando há falha do tratamento clínico, hipertensão pulmonar fixa, ou sintomas refratários. Em paciente estável, a otimização clínica é sempre o primeiro passo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erra ao manter apenas medidas de suporte não farmacológico (dieta hipossódica, repouso), sem iniciar medicações. Em lactente sintomático, a dieta hipossódica é difícil de implementar e o repouso não é factível; o tratamento farmacológico é necessário para aliviar os sintomas e prevenir complicações.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erra ao prescrever furosemida associada à digoxina, aguardando evolução antes de introduzir IECA. A digoxina não é a primeira escolha na CIV com função ventricular preservada; o IECA (captopril) é preferível por reduzir a pós-carga e o shunt. A associação furosemida + IECA + espironolactona é o esquema mais adequado.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o sopro da CIV (holossistólico) e o sopro contínuo da PCA. No enunciado, o sopro é descrito como "contínuo", o que poderia levar o aluno a pensar em PCA, mas o ecocardiograma já confirmou CIV. Além disso, a alternativa E tenta atrair com o uso de digoxina, que não é a primeira linha na CIV com FE preservada.

PEGA ESSA DICA!

Em lactentes com CIV sintomática, memorize a tríade: diurético + IECA + espironolactona. A digoxina é reservada para casos com disfunção ventricular significativa. E lembre: sopro contínuo = PCA; sopro holossistólico = CIV.

Gabarito: letra B

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