Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — CESPE / CEBRASPE 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
ce214086
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Boa Vista - RR
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Pediatra
Criança de 3 anos de idade, previamente hígida, é trazida à consulta com lesões eritematosas e pruriginosas distribuídas principalmente em cotovelos, joelhos e couro cabeludo, presentes há cerca de 3 semanas. Os pais relatam que as lesões surgiram após o retorno à escola, piorando à noite. A criança coça intensamente, mas não apresenta febre ou mal-estar geral. Ao exame, notam-se lesões eritematosas com escamas e crostas, algumas lineares devido ao ato de coçar.Nenhum linfonodo da criança está aumentado. Nesse caso, o pediatra deverá, como conduta inicial mais adequada,
Aprescrever anti-histamínico oral como tratamento isolado.
Bprescrever antibiótico oral de amplo espectro, considerando infecção bacteriana secundária.
Csolicitar biópsia de pele imediata para investigação de doença autoimune.
Diniciar tratamento tópico com corticosteroide de baixa potência e orientar cuidados de higiene e hidratação da pele, mantendo acompanhamento ambulatorial.
Einternar a criança para hidratação venosa e tratamento sistêmico.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — iniciar tratamento tópico com corticosteroide de baixa potência e orientar cuidados de higiene e hidratação da pele, mantendo acompanhamento ambulatorial.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Dermatite atópica na infância: conduta inicial
Gabarito: letra D. O quadro descrito — criança de 3 anos, lesões eritematosas e pruriginosas em cotovelos, joelhos e couro cabeludo, com escamas e crostas, piora noturna, sem febre e sem linfonodomegalia — é classicamente compatível com dermatite atópica (eczema atópico), e a conduta inicial adequada é o tratamento tópico com corticosteroide de baixa potência associado a cuidados de higiene e hidratação da pele, com acompanhamento ambulatorial. Essa abordagem segue as diretrizes de manejo da dermatite atópica, que priorizam a restauração da barreira cutânea e o controle da inflamação local antes de qualquer terapêutica sistêmica.
A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica da pele, de base imunológica, que se manifesta tipicamente na infância. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na distribuição das lesões (que varia com a idade), no prurido intenso e na evolução crônica e recidivante. Em crianças pequenas, as lesões predominam em superfícies extensoras, face e couro cabeludo; já em crianças maiores e adultos, a distribuição clássica é flexural (dobras dos cotovelos e joelhos). O quadro apresentado — lesões em cotovelos, joelhos e couro cabeludo, com escamas e crostas, piora noturna e ausência de sintomas sistêmicos — encaixa-se perfeitamente nesse perfil.
O tratamento da dermatite atópica é escalonado. A base é a hidratação intensa da pele com emolientes, que restauram a barreira cutânea e reduzem a perda de água transepidérmica. Para as lesões inflamatórias, utilizam-se corticosteroides tópicos, preferencialmente de baixa potência em áreas sensíveis (face, dobras e genitais) e de média potência em áreas de pele mais espessa (tronco e membros). O uso deve ser por períodos curtos e com orientação adequada. Anti-histamínicos orais podem ser úteis para controlar o prurido, especialmente à noite, mas não são o tratamento isolado — eles apenas aliviam o sintoma, sem tratar a inflamação de base. Antibióticos só estão indicados quando há evidência clínica de infecção bacteriana secundária (impetiginização), o que não é o caso, pois não há sinais de infecção (como pústulas, crostas melicéricas ou exsudação purulenta). Biópsia de pele não é necessária na suspeita clínica de dermatite atópica, sendo reservada para casos atípicos ou refratários. Internação hospitalar é indicada apenas em casos graves, com eritrodermia, infecção disseminada ou falha do tratamento ambulatorial.
A piora noturna é um dado importante: o prurido da dermatite atópica é tipicamente mais intenso à noite, o que ajuda a diferenciar de outras dermatoses. A ausência de febre e de linfonodomegalia afasta, na prática, infecções sistêmicas ou doenças como a pitiríase rósea (que pode ter prurido, mas costuma ter lesão-mãe e distribuição em árvore de Natal) e a escabiose (que acomete mais as regiões interdigitais, axilas e genitais, com túneis característicos). O retorno à escola pode ter sido um gatilho para o aparecimento ou piora das lesões, possivelmente por exposição a alérgenos ou irritantes, mas isso não muda a conduta inicial.
A pegadinha desta questão está em não reconhecer a dermatite atópica como o diagnóstico mais provável e, consequentemente, optar por tratamentos inadequados, como antibiótico sistêmico ou anti-histamínico isolado. O candidato deve lembrar que, na dermatite atópica, o pilar do tratamento é a hidratação + corticosteroide tópico, e que a introdução de terapias sistêmicas (imunossupressores, fototerapia, biológicos) é reservada para casos moderados a graves que não respondem ao tratamento tópico otimizado.
Dermatite atópica
1Diagnóstico clínico
Prurido intenso (piora noturna)
Distribuição por idade
Crianças: face, extensores, couro cabeludo
Adultos: flexuras
Evolução crônica/recidivante
2Tratamento escalonado
Base: hidratação + emolientes
Lesões inflamatórias: corticoide tópico
Baixa potência: face, dobras
Média potência: tronco, membros
Adjuvante: anti-histamínico (prurido)
3Quando NÃO indicado
Antibiótico (sem infecção secundária)
Biópsia (diagnóstico clínico)
Internação (sem gravidade)
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
O anti-histamínico oral alivia o prurido, mas não trata a inflamação cutânea subjacente. Na dermatite atópica, o tratamento isolado com anti-histamínico é insuficiente; ele pode ser usado como adjuvante, especialmente à noite, mas a base do manejo é a hidratação e o corticosteroide tópico. A alternativa erra ao apresentar o anti-histamínico como tratamento isolado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Não há sinais de infecção bacteriana secundária no quadro descrito (sem pústulas, crostas melicéricas, exsudação purulenta ou febre). O uso de antibiótico oral de amplo espectro seria inapropriado e sem indicação, além de contribuir para a resistência bacteriana. Antibióticos tópicos ou sistêmicos só são indicados quando há impetiginização das lesões.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A biópsia de pele não é indicada na suspeita clínica de dermatite atópica, que é um diagnóstico essencialmente clínico. Ela seria considerada apenas em casos atípicos, refratários ao tratamento ou com suspeita de outras dermatoses (como linfoma cutâneo, psoríase ou doenças autoimunes). A alternativa erra ao sugerir biópsia imediata para investigação de doença autoimune, sem fundamentação clínica.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a conduta inicial mais adequada: iniciar tratamento tópico com corticosteroide de baixa potência (para controlar a inflamação) e orientar cuidados de higiene e hidratação da pele (para restaurar a barreira cutânea), mantendo acompanhamento ambulatorial. Essa abordagem segue as diretrizes de manejo da dermatite atópica, que priorizam o tratamento tópico e os cuidados com a pele antes de qualquer terapêutica sistêmica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A internação hospitalar para hidratação venosa e tratamento sistêmico é reservada para casos graves de dermatite atópica, como eritrodermia, infecção disseminada, desidratação ou falha do tratamento ambulatorial. O quadro descrito é de uma criança hígida, sem sinais de gravidade, que pode e deve ser tratada ambulatorialmente.