Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — CESPE / CEBRASPE 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
ce214126
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Boa Vista - RR
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Ultrassonografista
Em relação aos achados ultrassonográficos normais e anormais da gestação do primeiro trimestre, assinale a opção correta.
AA presença de herniação encapsulada de conteúdo intestinal do feto a nível da inserção do cordão umbilical encontrada na ultrassonografia realizada com 10 semanas de idade gestacional é critério diagnóstico para onfalocele.
BDentre as diferenças ultrassonográficas que auxiliam na diferenciação entre miomas e contrações miometriais focais, estão a atenuação acústica posterior do feixe sonoro e a heterogenicidade, pois ambas podem ocorrer nos miomas e não são comuns nas contrações miometriais focais.
CA medida do comprimento do colo uterino no primeiro trimestre é o melhor método de rastreio para a predição de parto prematuro, e deve ser avaliada com a bexiga materna vazia, medindo-se a distância entre os orifícios cervicais interno e externo.
DA presença de saco gestacional tópico e regular com diâmetro médio de 26 mm com ausência de vesícula vitelínica e embrião pode corresponder a uma gravidez viável, devendo ser reavaliada em 5 a 7 dias.
EA presença de hematoma subcoriônico eleva o risco de perda gestacional, especialmente quando o seu maior diâmetro excede 20 mm.
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GabaritoB — Dentre as diferenças ultrassonográficas que auxiliam na diferenciação entre miomas e contrações miometriais focais, estão a atenuação acústica posterior do feixe sonoro e a heterogenicidade, pois ambas podem ocorrer nos miomas e não são comuns nas contrações miometriais focais.
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Ultrassonografia obstétrica no primeiro trimestre: achados normais e anormais
Gabarito: letra B. A alternativa correta é a que afirma que a atenuação acústica posterior e a heterogenicidade são características que podem ocorrer nos miomas e não são comuns nas contrações miometriais focais, auxiliando na diferenciação entre essas duas condições. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou de valores que as tornam incorretas.
A ultrassonografia obstétrica do primeiro trimestre é uma ferramenta essencial para avaliar a viabilidade gestacional, datar a gravidez e diagnosticar precocemente anormalidades. Nesse período, diversos achados podem ser observados, e a interpretação correta de cada um é fundamental para a conduta clínica adequada. A questão aborda justamente a diferenciação entre achados normais e anormais, exigindo do candidato conhecimento específico sobre cada situação.
Para responder corretamente, é preciso dominar os seguintes pontos: (1) a diferença entre onfalocele e gastrosquise, especialmente em relação à presença de membrana de revestimento; (2) as características ultrassonográficas que distinguem miomas de contrações miometriais focais; (3) o papel da medida do colo uterino no primeiro trimestre para predição de parto prematuro; (4) os critérios de viabilidade gestacional, incluindo o diâmetro do saco gestacional e a presença de estruturas embrionárias; e (5) o significado clínico do hematoma subcoriônico. Vamos analisar cada alternativa em detalhe.
Critério
Miomas
Contrações Miometriais Focais
Atenuação acústica posterior
Comum
Não comum
Heterogenicidade
Comum
Não comum
Natureza
Tumores benignos do músculo liso
Contrações transitórias do músculo uterino
USG 1º trimestre: Onfalocele (Herniação encapsulada, Persistência após 12 semanas); Gastrosquise (Sem membrana de revestimento); Mioma vs contração focal (Mioma: atenuação acústica + heterogenicidade, Contração: sem esses achados); Colo uterino (Rastreio: 2º trimestre (20-24 sem), Via transvaginal); Saco gestacional (≥25 mm sem embrião: anembrionada); Hematoma subcoriônico (Risco: volume e idade gestacional)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a presença de herniação encapsulada de conteúdo intestinal do feto na inserção do cordão umbilical, encontrada na ultrassonografia com 10 semanas, é critério diagnóstico para onfalocele. Isso está incorreto porque, na onfalocele, o conteúdo herniado é revestido por uma membrana (peritônio e âmnio), enquanto na gastrosquise o conteúdo intestinal fica exposto, sem membrana de revestimento. A descrição de "herniação encapsulada" sugere a presença de membrana, o que é característico da onfalocele, mas a questão erra ao afirmar que isso é critério diagnóstico para onfalocele, pois a herniação fisiológica do intestino ocorre normalmente entre 6 e 10 semanas e se resolve até a 12ª semana. A presença de herniação encapsulada com 10 semanas pode ser um achado fisiológico, não um critério diagnóstico de onfalocele. O diagnóstico de onfalocele é feito quando há persistência da herniação após 12 semanas ou quando há outros sinais associados, como a presença de saco herniário contendo vísceras.
Alternativa B — ✅ Correta
A alternativa B está correta. Os miomas uterinos são tumores benignos do músculo liso do útero e, na ultrassonografia, podem apresentar atenuação acústica posterior (sombra acústica) e heterogenicidade (ecotextura não uniforme). As contrações miometriais focais, por outro lado, são contrações transitórias do músculo uterino que aparecem como áreas hipoecoicas ou isoecoicas, geralmente sem atenuação acústica posterior e sem heterogenicidade significativa. Portanto, a presença de atenuação acústica posterior e heterogenicidade são características que ajudam a diferenciar miomas de contrações miometriais focais, pois essas características são comuns nos miomas e não são comuns nas contrações.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C afirma que a medida do comprimento do colo uterino no primeiro trimestre é o melhor método de rastreio para predição de parto prematuro e deve ser avaliada com a bexiga materna vazia, medindo-se a distância entre os orifícios cervicais interno e externo. Isso está incorreto porque a medida do colo uterino é mais útil no segundo trimestre (entre 20 e 24 semanas) para predição de parto prematuro, não no primeiro trimestre. Além disso, a avaliação do colo uterino deve ser feita com a bexiga materna vazia, mas a medida é realizada por via transvaginal, não transabdominal, e a distância entre os orifícios cervicais interno e externo é medida, mas o método de rastreio mais eficaz é a ultrassonografia transvaginal, não a transabdominal. A afirmação de que é o "melhor método" no primeiro trimestre é incorreta, pois a acurácia é limitada nesse período.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D afirma que a presença de saco gestacional tópico e regular com diâmetro médio de 26 mm com ausência de vesícula vitelínica e embrião pode corresponder a uma gravidez viável, devendo ser reavaliada em 5 a 7 dias. Isso está incorreto porque, quando o diâmetro médio do saco gestacional é maior que 25 mm e não há embrião visível, o diagnóstico de gravidez anembrionada (gestação anembrionada) é confirmado, e a gestação não é considerada viável. A ausência de vesícula vitelínica e embrião com saco gestacional de 26 mm é um critério de falha gestacional, não de viabilidade. A reavaliação em 5 a 7 dias pode ser indicada em casos de saco gestacional menor, mas com 26 mm, o diagnóstico é de gestação anembrionada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E afirma que a presença de hematoma subcoriônico eleva o risco de perda gestacional, especialmente quando o seu maior diâmetro excede 20 mm. Isso está incorreto porque, embora o hematoma subcoriônico possa aumentar o risco de perda gestacional, o limiar de 20 mm não é o critério mais utilizado. O risco de perda gestacional está mais relacionado ao volume do hematoma em relação ao saco gestacional, à idade gestacional e à presença de sintomas. Um hematoma subcoriônico com diâmetro maior que 20 mm pode aumentar o risco, mas não é um valor absoluto; o risco é maior quando o hematoma é grande, mas o limiar exato varia na literatura. A afirmação de que o risco aumenta especialmente quando o diâmetro excede 20 mm é uma simplificação incorreta, pois o risco é avaliado de forma mais complexa.