Questão de Medicina — Oftalmologia — CESPE / CEBRASPE 2025
Medicina›Oftalmologia
Código
ce214132
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Boa Vista - RR
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Ultrassonografista
Considerando os aspectos técnicos e diagnósticos da ultrassonografia ocular, assinale a opção correta.
AA avaliação do modo A é indicada para estudo de lesões como corpos estranhos intraoculares e descolamento de retina.
BA avaliação da espessura da córnea, chamada de paquimetria, é realizada através do exame ultrassonográfico no modo B.
CA presença de bolhas de gás é comum no interior do humor aquoso e pode ser observada no exame ultrassonográfico.
DA exposição prolongada do olho no exame de ultrassonografia pode aumentar sua temperatura e trazer danos térmicos a estruturas como cristalino, humor aquoso e vítreo.
EO Doppler, especialmente o espectral, deve ser utilizado rotineiramente na investigação de lesões oculares, sobretudo para avaliação da retina.
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GabaritoD — A exposição prolongada do olho no exame de ultrassonografia pode aumentar sua temperatura e trazer danos térmicos a estruturas como cristalino, humor aquoso e vítreo.
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Ultrassonografia ocular: princípios e aplicações
Gabarito: letra D. A exposição prolongada do olho à ultrassonografia pode aumentar a temperatura dos tecidos oculares, como cristalino, humor aquoso e vítreo, causando danos térmicos — esse é um risco real e documentado do exame. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre as indicações e limitações de cada modo ultrassonográfico.
A ultrassonografia ocular é um exame complementar essencial em oftalmologia, utilizado principalmente quando há opacidade dos meios transparentes (córnea, cristalino, vítreo) que impede a visualização direta das estruturas internas do olho. Ela se baseia na emissão de ondas sonoras de alta frequência que penetram os tecidos e retornam como ecos, formando imagens em tempo real. Os dois modos principais são o modo A (amplitude) e o modo B (brilho). O modo A representa os ecos como picos de amplitude em um gráfico unidimensional, sendo útil para medir distâncias e avaliar a ecogenicidade de estruturas específicas. O modo B gera uma imagem bidimensional em escala de cinza, permitindo visualizar a anatomia ocular e lesões como descolamento de retina, hemorragia vítrea e tumores.
A paquimetria, que mede a espessura da córnea, é realizada com um aparelho específico chamado paquímetro ultrassônico, que utiliza o princípio do modo A, não o modo B. O modo A é particularmente útil para medir o comprimento axial do olho (biometria) e para avaliar a ecogenicidade de lesões, mas não é o método de escolha para estudar corpos estranhos intraoculares ou descolamento de retina — para isso, o modo B é superior, pois fornece uma imagem espacial. A presença de bolhas de gás no humor aquoso é um achado raro e patológico, geralmente associado a trauma ou cirurgia, e não é comum em exames de rotina. O Doppler, especialmente o espectral, é uma ferramenta valiosa para avaliar o fluxo sanguíneo em lesões vasculares, como tumores e malformações, mas não é utilizado rotineiramente na investigação de todas as lesões oculares, sendo reservado para casos específicos.
A questão central é o risco térmico da ultrassonografia ocular. O olho é um órgão sensível ao calor, e a exposição prolongada ao transdutor pode elevar a temperatura dos tecidos, especialmente do cristalino, que é avascular e tem baixa capacidade de dissipação de calor. Estudos mostram que o aumento da temperatura pode causar catarata e danos ao vítreo e à retina. Por isso, o exame deve ser realizado com técnica adequada, minimizando o tempo de contato e utilizando a menor potência necessária. Essa é uma preocupação de segurança que todo examinador deve conhecer.
A pegadinha da banca está em inverter as indicações dos modos A e B e em afirmar que o Doppler é usado rotineiramente. O candidato que confunde os modos ultrassonográficos ou que superestima o papel do Doppler tende a errar. A alternativa D é a única que apresenta uma afirmação correta e relevante sobre os riscos do exame.
Ultrassonografia ocular
1Modos
Modo A (amplitude)
Biometria (comprimento axial)
Paquimetria (espessura da córnea)
Modo B (brilho)
Imagem bidimensional
Descolamento de retina, hemorragia vítrea, tumores
2Doppler espectral
Fluxo sanguíneo em lesões vasculares
Não é rotineiro
3Segurança
Exposição prolongada → dano térmico
Cristalino (avascular)
Humor aquoso
Vítreo
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O modo A é indicado para medições precisas, como o comprimento axial do olho (biometria) e a avaliação da ecogenicidade de lesões, mas não é o método de escolha para estudar corpos estranhos intraoculares ou descolamento de retina. Para essas lesões, o modo B é superior, pois fornece uma imagem bidimensional que permite localizar e caracterizar a lesão. A alternativa inverte a indicação dos modos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A paquimetria é realizada com um paquímetro ultrassônico que utiliza o princípio do modo A, não o modo B. O modo A mede a espessura da córnea com alta precisão, sendo essencial para o diagnóstico de glaucoma e para avaliação pré-operatória de cirurgia refrativa. O modo B não é utilizado para essa finalidade.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A presença de bolhas de gás no humor aquoso é um achado raro e patológico, geralmente associado a trauma ocular, cirurgia ou infecção por bactérias produtoras de gás. Não é um achado comum em exames de rotina. A alternativa afirma que é comum, o que é falso.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A exposição prolongada do olho à ultrassonografia pode aumentar a temperatura dos tecidos, causando danos térmicos ao cristalino, humor aquoso e vítreo. O cristalino é particularmente vulnerável por ser avascular e ter baixa capacidade de dissipação de calor. Essa é uma preocupação de segurança conhecida, e o examinador deve minimizar o tempo de exame e a potência do transdutor.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O Doppler, especialmente o espectral, é uma ferramenta útil para avaliar o fluxo sanguíneo em lesões vasculares, como tumores e malformações, mas não é utilizado rotineiramente na investigação de todas as lesões oculares. Seu uso é reservado para casos específicos em que há suspeita de componente vascular. A alternativa superestima o papel do Doppler.
Gabarito: letra D — a única alternativa correta é a que trata do risco térmico da ultrassonografia ocular.