Questão de Medicina — Urologia — CESPE / CEBRASPE 2025
Medicina›Urologia
Código
ce214151
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
Prefeitura de Boa Vista - RR
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialidade: Urologista
Suponha que uma paciente, mulher, de 32 anos, deu entrada no pronto atendimento com quadro de cólica renal típica do lado direito com história de pico febril há 12 horas. Nesse caso, a tomografia evidenciou um cálculo em ureter médio de 5 mm.Considerando a situação hipotética apresentada, a conduta mais apropriada para o tratamento é
Aureterorrenolitotripsia semirrígida com baixa pressão de soro em regime de urgência.
Brealizar o implante de cateter duplo J em regime de urgência, apenas.
Cantibioticoterapia em dose de ataque na admissão e implante de cateter duplo J em regime de urgência.
Dinternação, com antibioticoterapia endovenosa e nova tomografia após 48 h de tratamento.
Eantibioticoterapia oral ambulatorial e terapia expulsiva com tansulosina.
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GabaritoC — antibioticoterapia em dose de ataque na admissão e implante de cateter duplo J em regime de urgência.
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Cólica renal com infecção e obstrução: urgência urológica
Gabarito: letra C. A paciente apresenta cólica renal com febre (pico febril há 12 horas) e cálculo obstrutivo em ureter médio — quadro que configura sepse urinária obstrutiva, uma emergência urológica. A conduta correta é antibioticoterapia imediata + descompressão urgente do trato urinário (cateter duplo J), conforme as diretrizes de manejo de litíase urinária. As demais alternativas falham por omitir a antibioticoterapia, por não descomprimir a via urinária ou por propor conduta ambulatorial inadequada ao quadro séptico.
A cólica renal é a dor decorrente da obstrução aguda do trato urinário por um cálculo, que aumenta a pressão intrapélvica e distende a cápsula renal. Quando há febre associada, o cenário muda completamente: não se trata mais de uma dor que pode ser manejada ambulatorialmente, mas de uma infecção urinária obstrutiva, que pode evoluir rapidamente para sepse e choque séptico. A obstrução impede a drenagem do pus e da urina infectada, transformando o rim em um foco séptico fechado — por isso, a prioridade é dupla: controlar a infecção (antibiótico) e desobstruir a via urinária (drenagem).
A literatura é clara ao afirmar que pacientes com infecção e obstrução associada devem ser considerados emergência e têm indicação de intervenção imediata. A descompressão urgente do sistema coletor pode ser feita por cateter duplo J (stent ureteral) ou por nefrostomia percutânea — ambas drenam a urina infectada e controlam o foco séptico. A antibioticoterapia deve ser iniciada na admissão, em dose de ataque, antes mesmo da drenagem, para cobrir os patógenos urinários (enterobactérias, principalmente E. coli).
O cálculo de 5 mm em ureter médio, isoladamente, teria boa chance de eliminação espontânea (cerca de 35% para cálculos de 4–6 mm) e poderia ser manejado com terapia expulsiva. Porém, a febre é o divisor de águas: na presença de infecção, o cálculo obstrutivo deixa de ser um problema de passagem espontânea e vira uma emergência cirúrgica. A conduta conservadora (analgesia + observação) ou a terapia expulsiva ambulatorial são absolutamente contraindicadas nesse cenário.
A distinção central que a banca explora é entre cólica renal não complicada (manejo ambulatorial com AINE + terapia expulsiva) e cólica renal complicada com infecção (emergência: antibiótico + drenagem). A presença de febre, calafrios, sinais de sepse ou pielonefrite obstrutiva impõe a abordagem agressiva. A ureterorrenolitotripsia semirrígida (remoção ativa do cálculo) não é a primeira escolha no paciente séptico — primeiro se drena, depois se trata o cálculo eletivamente, quando a infecção estiver controlada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato focar no tamanho do cálculo (5 mm) e esquecer a febre. O cálculo de 5 mm em ureter médio, sem infecção, seria candidato a terapia expulsiva ambulatorial — mas a febre de 12 horas transforma o caso em emergência. O erro clássico é escolher a alternativa E (tansulosina ambulatorial) ou a D (observação com nova TC), ignorando que infecção + obstrução = urgência. Lembre-se: febre em paciente com cálculo obstrutivo é sepse até que se prove o contrário.
1Antibiótico dose de ataque
2Drenagem urgente (duplo J/nefrostomia)
3Tratar cálculo após controle
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A ureterorrenolitotripsia semirrígida (remoção ativa do cálculo por via endoscópica) não é a conduta inicial no paciente séptico. Em vigência de infecção obstrutiva, a prioridade é a descompressão do sistema coletor (drenagem), não a litotripsia imediata. Manipular o ureter infectado aumenta o risco de bacteremia e choque séptico. A remoção ativa do cálculo fica para um segundo momento, após controle da infecção.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O implante de cateter duplo J em regime de urgência é parte correta da conduta, mas isoladamente é insuficiente. A paciente tem infecção ativa (febre), e a antibioticoterapia deve ser iniciada na admissão, em dose de ataque, antes ou concomitantemente à drenagem. Omitir o antibiótico é erro grave: a drenagem sem cobertura antimicrobiana pode precipitar bacteremia e sepse.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a conduta completa e correta: antibioticoterapia em dose de ataque na admissão + implante de cateter duplo J em regime de urgência. A paciente tem sepse urinária obstrutiva (febre + cálculo obstrutivo), e a abordagem exige as duas medidas simultâneas: controlar a infecção com antibiótico e descomprimir a via urinária com stent ureteral. A drenagem remove o foco séptico e o antibiótico trata a infecção sistêmica — é o padrão-ouro no manejo da emergência urológica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Internação com antibioticoterapia endovenosa e nova tomografia após 48 h sem descompressão urinária é conduta inadequada. A obstrução persistente mantém o foco séptico fechado, e o antibiótico isolado não resolve a infecção enquanto o pus não drenar. A demora de 48 horas para reavaliar pode permitir a progressão para choque séptico. A drenagem é urgente, não pode ser adiada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Antibioticoterapia oral ambulatorial e terapia expulsiva com tansulosina é conduta para cólica renal não complicada, sem sinais de infecção. A paciente tem febre (sepse urinária), o que contraindica manejo ambulatorial. A tansulosina (alfabloqueador) facilita a passagem do cálculo, mas não trata a infecção obstrutiva — e a antibioticoterapia oral não é suficiente para um quadro séptico. Paciente com febre e obstrução precisa de internação, antibiótico endovenoso e drenagem urgente.