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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2025

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce214205
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEBRAE-NACIONAL
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Técnico II
Texto 1A1

        A Escola de Palo Alto, grupo formado por pesquisadores que se reuniram na década de 1950 para estudar o fenômeno da comunicação humana, definiu alguns axiomas básicos da comunicação.

        Um dos axiomas apresentados pelo grupo de pesquisadores é o de que toda comunicação tem um aspecto de conteúdo e um aspecto relacional. Nesse sentido, é comum a percepção de sutilezas na forma como o outro nos passa alguma mensagem. Um exemplo corriqueiro é a situação na qual alguém diz “sim”, mas, na verdade, está querendo dizer “não”. O indivíduo tem inúmeras formas de mostrar que a negativa é mais verdadeira do que a mera palavra “sim”, o que significa que a comunicação envolve muito mais do que seu mero conteúdo.

        O entendimento do contexto relacional é fundamental para uma melhor compreensão da comunicação: sem a devida consideração do contexto relacional dos interlocutores, não é possível compreender a mensagem. A interpretação de ironias e cinismo, por exemplo, depende disso. São duas formas comuns e corriqueiras de comunicação que se manifestam justamente por meio de maneiras invertidas de explicitar conteúdos. Nessas formas de comunicação, o “sim” quer dizer “não”, o “bonito” quer dizer “feio”, e assim por diante. Essas colocações podem denotar inimizade entre os interlocutores ou apenas uma piada, conforme o contexto relacional.

        Outro axioma diz respeito ao fato de que a natureza da relação depende de sequências de comunicação prévias estabelecidas pelos comunicantes. Os diversos modos de comunicação são apreendidos ao longo das histórias de vida de cada sujeito e influenciam a maneira como cada um age em relação aos demais. As bagagens apreendidas por cada comunicador influenciam a forma como vão se comunicar um com o outro no momento presente, pois os predispõem a um conjunto maior de sinais e mensagens, que serão interpretados e compartilhados por ambos. Os aspectos relacionais entre os interlocutores, bem como o entendimento sobre o que é dito, são historicamente determinados por interações prévias entre ambos e por padrões culturais definidos.

        Isso é conspícuo quando observamos pessoas que já se conhecem muito bem e que possuem história prévia de entendimento e boa comunicação. Um casal que vive junto há algum tempo, por exemplo, é capaz de reconhecer, mesmo de longe, quando o cônjuge está gostando de uma festa, ou quando está incomodado e querendo ir embora. Prescindindo de linguagem oral, são capazes de reconhecer os sinais no outro que expressam opiniões e posicionamentos.

Internet:<unasus.unifesp.br>  (com adaptações). 
A correção gramatical e as ideias do texto 1A1 seriam preservadas caso a forma verbal “Prescindindo” (último período do texto) fosse substituída por
  1. AAbstendo-se.
  2. BValendo-se.
  3. CDispensando.
  4. DNão abrindo mão.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Abstendo-se.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de "Prescindindo" — preservação de sentido e correção gramatical

Gabarito: letra A. A única opção que mantém tanto o sentido original ("sem fazer uso de") quanto a regência (exige a preposição "de") é "Abstendo-se". As demais ou invertem o sentido (B e D) ou exigiriam ajuste na regência (C), o que comprometeria a correção gramatical da estrutura original.

O que o texto diz: No último período, o autor afirma que um casal, "Prescindindo de linguagem oral, são capazes de reconhecer os sinais no outro". "Prescindir de" significa "não precisar de, abrir mão de". Portanto, a ideia é que eles não utilizam a linguagem oral.

Análise das alternativas

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Abstendo-se de" é sinônimo de "prescindindo de": ambos indicam a ação de não fazer uso de algo. A regência é idêntica (verbo pronominal + preposição "de"), e o sentido de "abster-se de linguagem oral" equivale exatamente ao original. Logo, a substituição preserva a ideia e a gramática.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Valendo-se de" significa "utilizando-se de", ou seja, o contrário do que o texto afirma. Inverte completamente o sentido, pois o casal ainda estaria usando a linguagem oral. → Erro: troca por antônimo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Dispensando" também pode ter o sentido de "não precisar de", mas sua regência é diferente: constrói-se sem a preposição "de" (ex.: "dispensar a linguagem oral", e não "dispensar de"). Como o texto original traz "Prescindindo de linguagem oral", a simples substituição por "Dispensando" geraria a frase "Dispensando de linguagem oral", que é gramaticalmente incorreta. Para manter a correção, seria necessário alterar a estrutura (retirar o "de"), o que não está previsto no enunciado. → Erro: regência verbal inadequada.

⚠️ Pegadinha: Muitos candidatos escolhem "Dispensando" por acharem que é sinônimo, mas esquecem a regência. A banca explora essa diferença.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Não abrindo mão de" significa "não renunciar a", ou seja, manter o uso da linguagem oral. Novamente, inverte o sentido original: na verdade, o casal prescinde (abre mão) da fala. → Erro: troca por antônimo.


Conclusão: Apenas a letra A atende aos dois requisitos: sinonímia adequada e regência idêntica. Portanto, Gabarito: letra A.

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