A Escola de Palo Alto, grupo formado por pesquisadores
que se reuniram na década de 1950 para estudar o fenômeno da
comunicação humana, definiu alguns axiomas básicos da
comunicação.
Um dos axiomas apresentados pelo grupo de
pesquisadores é o de que toda comunicação tem um aspecto de
conteúdo e um aspecto relacional. Nesse sentido, é comum a
percepção de sutilezas na forma como o outro nos passa alguma
mensagem. Um exemplo corriqueiro é a situação na qual alguém
diz “sim”, mas, na verdade, está querendo dizer “não”. O
indivíduo tem inúmeras formas de mostrar que a negativa é mais
verdadeira do que a mera palavra “sim”, o que significa que a
comunicação envolve muito mais do que seu mero conteúdo.
O entendimento do contexto relacional é fundamental
para uma melhor compreensão da comunicação: sem a devida
consideração do contexto relacional dos interlocutores, não é
possível compreender a mensagem. A interpretação de ironias e
cinismo, por exemplo, depende disso. São duas formas comuns e
corriqueiras de comunicação que se manifestam justamente por
meio de maneiras invertidas de explicitar conteúdos. Nessas
formas de comunicação, o “sim” quer dizer “não”, o “bonito”
quer dizer “feio”, e assim por diante. Essas colocações podem
denotar inimizade entre os interlocutores ou apenas uma piada,
conforme o contexto relacional.
Outro axioma diz respeito ao fato de que a natureza da
relação depende de sequências de comunicação prévias
estabelecidas pelos comunicantes. Os diversos modos de
comunicação são apreendidos ao longo das histórias de vida de
cada sujeito e influenciam a maneira como cada um age em
relação aos demais. As bagagens apreendidas por cada
comunicador influenciam a forma como vão se comunicar um
com o outro no momento presente, pois os predispõem a um
conjunto maior de sinais e mensagens, que serão interpretados e
compartilhados por ambos. Os aspectos relacionais entre os
interlocutores, bem como o entendimento sobre o que é dito, são
historicamente determinados por interações prévias entre ambos
e por padrões culturais definidos.
Isso é conspícuo quando observamos pessoas que já se
conhecem muito bem e que possuem história prévia de
entendimento e boa comunicação. Um casal que vive junto há
algum tempo, por exemplo, é capaz de reconhecer, mesmo de
longe, quando o cônjuge está gostando de uma festa, ou quando
está incomodado e querendo ir embora. Prescindindo de
linguagem oral, são capazes de reconhecer os sinais no outro que
expressam opiniões e posicionamentos.
Internet:<unasus.unifesp.br> (com adaptações).
No quarto parágrafo do texto 1A1, a forma pronominal “os”, em “pois os predispõem a um conjunto maior de sinais e mensagens” (terceiro período), retoma
Ao termo “cada comunicador” (terceiro período).
Bo mesmo referente do sujeito da oração “vão se comunicar um com o outro no momento presente” (terceiro período).
Cos “demais” citados no final do segundo período.
Da expressão “modos de comunicação” (segundo período).
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GabaritoB — o mesmo referente do sujeito da oração “vão se comunicar um com o outro no momento presente” (terceiro período).
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Retomada do pronome oblíquo "os"
Gabarito: letra B. O pronome "os" em "pois os predispõem" retoma o mesmo referente do sujeito implícito de "vão se comunicar um com o outro no momento presente" – ou seja, os comunicadores (plural). A banca pede que se identifique o antecedente do pronome oblíquo átono de 3ª pessoa do plural, usado como objeto direto de "predispõem".
"As bagagens apreendidas por cada comunicador influenciam a forma como vão se comunicar um com o outro no momento presente, pois os predispõem a um conjunto maior de sinais e mensagens..."
O verbo "predispõem" (3ª pessoa do plural) tem como sujeito "As bagagens apreendidas por cada comunicador" e pede um objeto direto. Esse objeto é "os", que só pode referir-se ao mesmo grupo que pratica a ação de comunicar-se, isto é, os interlocutores (os próprios comunicadores). A frase anterior já estabelece que "cada comunicador" age, mas a forma "vão se comunicar" e o pronome "os" indicam pluralidade – os comunicadores em conjunto.
Alternativa A — ❌ Incorreta
"o termo 'cada comunicador' (terceiro período)"
Erro: contradiz o texto. "Cada comunicador" é singular, enquanto "os" é plural. Não há concordância. O pronome não pode retomar um termo singular.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"o mesmo referente do sujeito da oração 'vão se comunicar um com o outro no momento presente'"
Perfeito. O sujeito dessa oração é implícito: “eles” (os comunicadores). Esse mesmo grupo é retomado por “os”. A concordância e o sentido se encaixam perfeitamente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"os 'demais' citados no final do segundo período"
Erro: fora do escopo. Os “demais” são as pessoas com quem cada comunicador se relaciona, não os próprios comunicadores. A bagagem influencia a comunicação entre eles, mas o pronome “os” se refere a quem está sendo predisposto, que são os próprios comunicadores, não os demais.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"a expressão 'modos de comunicação' (segundo período)"
Erro: contradiz o texto. “Modos de comunicação” é o sujeito de outra oração, não faz sentido como objeto de “predispõem”. As bagagens não predispõem modos de comunicação, mas sim as pessoas.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de coesão referencial, verifique a concordância em número e pessoa entre o pronome e seu possível antecedente. "os" (plural) nunca pode retomar um termo singular como "cada comunicador".